Edição 1908 . 8 de junho de 2005

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Carta ao leitor
Palavra do presidente

 
Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem
Lula: "Não esperem de mim nenhuma medida populista"

O turbilhão provocado pelas denúncias de corrupção em órgãos da administração direta e das estatais abafou a repercussão que, de outra forma, teria merecido um dos mais importantes compromissos públicos já assumidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante a viagem ao Japão e em São Paulo, na semana passada, Lula disse com ligeiras diferenças: "Não esperem de mim nenhuma medida econômica populista porque vai ter eleição daqui a um ano e meio. Vamos fazer tudo o que tivermos de fazer, independentemente do calendário eleitoral". Em seguida, o presidente detalhou seu compromisso: "Não queremos construir uma base sólida de crescimento para um ano. Este país vai ter de ter juízo e vai ter de ter um ciclo de crescimento sustentável por dez ou quinze anos se quiser se transformar, um dia, em país definitivamente desenvolvido".

Em clareza de propósitos e na definição do que realmente é vital para o futuro do Brasil, o presidente não poderia ter ido mais direto ao ponto. Talvez em apenas uma outra ocasião no passado recente Lula tenha se apresentado ao país com um discurso tão afinado com as necessidades da sociedade brasileira. Isso se deu em plena campanha presidencial de 2002, quando Lula e o PT comunicaram aos eleitores por meio da Carta ao Povo Brasileiro seu reconhecimento de que a estabilidade da moeda e a sanidade das contas públicas não eram dogmas importados dos Estados Unidos, mas conquistas a ser preservadas. Ao aplainar as dúvidas sobre a condução da política econômica que o então candidato levaria a cabo caso eleito, a promessa da carta, em última análise, levou Lula ao Planalto.

A condenação pública do populismo como atalho eleitoral é igualmente alvissareira. Ela ajuda a distanciar o Brasil de experiências desestabilizadoras ora tentadas, em maior ou menor grau, em países da América Latina, como a Venezuela, o Uruguai, a Argentina e o Equador. Ajuda também a manter a economia menos vulnerável a crises internas e externas. É fato. Pela primeira vez na história recente do país, uma crise política séria como a que o governo enfrenta não afetou negativamente os fundamentos da economia nem alterou para pior a percepção do risco que o Brasil oferece aos investidores. Palavra do presidente.

 
 
 
 
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