|
|
Carta ao leitor Palavra
do presidente Luiz
Carlos Murauskas/Folha Imagem
 | | Lula:
"Não esperem de mim nenhuma medida populista" |
O
turbilhão provocado pelas denúncias de corrupção em
órgãos da administração direta e das estatais abafou
a repercussão que, de outra forma, teria merecido um dos mais importantes
compromissos públicos já assumidos pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. Durante a viagem ao Japão e em São Paulo, na semana
passada, Lula disse com ligeiras diferenças: "Não esperem de mim
nenhuma medida econômica populista porque vai ter eleição
daqui a um ano e meio. Vamos fazer tudo o que tivermos de fazer, independentemente
do calendário eleitoral". Em seguida, o presidente detalhou seu compromisso:
"Não queremos construir uma base sólida de crescimento para um ano.
Este país vai ter de ter juízo e vai ter de ter um ciclo de crescimento
sustentável por dez ou quinze anos se quiser se transformar, um dia, em
país definitivamente desenvolvido". Em clareza
de propósitos e na definição do que realmente é vital
para o futuro do Brasil, o presidente não poderia ter ido mais direto ao
ponto. Talvez em apenas uma outra ocasião no passado recente Lula tenha
se apresentado ao país com um discurso tão afinado com as necessidades
da sociedade brasileira. Isso se deu em plena campanha presidencial de 2002, quando
Lula e o PT comunicaram aos eleitores por meio da Carta ao Povo Brasileiro seu
reconhecimento de que a estabilidade da moeda e a sanidade das contas públicas
não eram dogmas importados dos Estados Unidos, mas conquistas a ser preservadas.
Ao aplainar as dúvidas sobre a condução da política
econômica que o então candidato levaria a cabo caso eleito, a promessa
da carta, em última análise, levou Lula ao Planalto.
A condenação pública do populismo como atalho eleitoral é
igualmente alvissareira. Ela ajuda a distanciar o Brasil de experiências
desestabilizadoras ora tentadas, em maior ou menor grau, em países da América
Latina, como a Venezuela, o Uruguai, a Argentina e o Equador. Ajuda também
a manter a economia menos vulnerável a crises internas e externas. É
fato. Pela primeira vez na história recente do país, uma crise política
séria como a que o governo enfrenta não afetou negativamente os
fundamentos da economia nem alterou para pior a percepção do risco
que o Brasil oferece aos investidores. Palavra do presidente. |