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LIVROS
Reparação,
de Ian McEwan (tradução de Paulo Henriques Britto;
Companhia das Letras; 444 páginas; 36 reais) Um dos nomes
mais incensados da literatura inglesa atual, Ian McEwan construiu seu
prestígio com romances e contos que falam de temas mórbidos
e perversões. Reparaçãoé diferente.
O enredo se passa na Inglaterra, a partir dos anos 30, e é protagonizado
por Briony, uma garotinha que sonha em ser escritora e se distrai criando
peças teatrais para divertir a família. Depois de testemunhar
um episódio envolvendo sua irmã mais velha e o filho de
uma empregada, sua mente imaginativa entra em curto-circuito, e Briony
acaba cometendo um delito. Ela passará o resto de seus dias tentando
expiar a culpa, numa história que McEwan ganhador do Booker,
o mais importante prêmio literário britânico, em 1998
transforma numa surpreendente reflexão sobre a onipotência.
Leia
trecho do livro.
Meus
Poemas Preferidos, de Manuel Bandeira (Ediouro; 208 páginas;
25,90 reais) Em meados dos anos 60, pouco antes de morrer, o pernambucano
Manuel Bandeira cuidou ele próprio de reunir o melhor de sua produção
poética nesta antologia encomendada por uma editora. A obra, que
estava fora de catálogo havia anos, acaba de voltar às livrarias.
É uma excelente introdução ao trabalho de Bandeira
considerado um dos três maiores poetas brasileiros do século
XX, ao lado de Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo
Neto. O volume traz o essencial de um autor modernista cuja grande contribuição
foi mostrar que era possível despir a poesia de "efeitos poéticos"
sem perder em nada o lirismo. A antologia contém ainda traduções
feitas por Bandeira que se tornaram clássicas, como os versos de
Rubaiyat, do persa Omar Khayyam. Leia
trecho do livro.
O
Périplo de Baldassare, de Amin Maalouf (tradução
de Eduardo Brandão; Companhia das Letras; 482 páginas; 39,50
reais) Cristão libanês radicado na França desde
os anos 70, Maalouf é um especialista em criar romances históricos
tão bem fundamentados quanto saborosos. Em obras como O Rochedo
de Tânios, ele aborda de maneira refinada as diferenças
culturais entre cristãos e muçulmanos. Esse novo livro é
ambientado no século XVII mais precisamente, pouco antes
do início de 1666. A cristandade está em polvorosa porque
acredita que aquele será o Ano da Besta, ou a data em que o anticristo
chegará à Terra. O protagonista é um comerciante
oriental que vê passar por suas mãos um livro que parece
oferecer o antídoto para esse mal. Depois de ser coagido a vender
a obra, ele empreende uma viagem por vários países na tentativa
de recuperá-la.
DISCOS
Handcream
for a Generation, Cornershop (Sum) Liderado pelo cantor
e letrista de origem indiana Tjinder Singh, o Cornershop se notabilizou
por mesclar gêneros como world music, rock, música eletrônica
e até funk. O resultado lembra, guardadas as proporções,
algumas boas experiências musicais dos Beatles nos anos 60. Surgido
em meados da década passada, o grupo foi descoberto pelo escocês
David Byrne. Em 1998, eles tiveram o seu primeiro hit: o remix da canção
Brimful of Asha, feito pelo DJ inglês Fatboy Slim. Nesse
seu quarto disco, o Cornershop adiciona outros temperos à receita.
O guitarrista Noel Gallagher, do Oasis, dá brilho ao reggae Spectral
Mornings,e o grupo homenageia Sylvester Stallone (isso mesmo: Sylvester
Stallone) na dançante Lessons Learned from Rocky I to Rocky
III. Ainda que exótica, a mistura não tem nada de indigesta.
Ouça
a faixa Heavy Soup.
Diana
& Marvin, Diana Ross e Marvin Gaye (Universal) Exigente
que só ele, o cantor americano Marvin Gaye considerava esse álbum
um dos mais fracos de sua carreira. Primeiro, porque ele e Diana nunca
se encontraram para gravar seus duetos. Ela não arredou pé
de Los Angeles, então sede da gravadora Motown, enquanto Gaye registrou
seus vocais num estúdio europeu. O artista também vinha
de trabalhos mais sérios, como o álbum conceitual What's
Going On, e acreditava que discos de dueto seriam um retrocesso em
sua carreira. Puro preciosismo. Diana & Marvin tem uma produção
esmerada e canções ótimas para curtir a dois. É
o caso da manjada You Are Everything e de Stop, Look, Listen
(To Your Heart) que, curiosamente, fez sucesso apenas no Brasil
e na Inglaterra. Ouça
a faixa My Mistake.
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| Leny
Eversong: diva esquecida |
A
Voz Poderosa de Leny Eversong (Som Livre) Intérprete
de respeito na história da música popular brasileira, a
cantora Leny Eversong (1920-1984) chega ao CD graças a um extenso
trabalho de garimpo do pesquisador Rodrigo Faour. Leny começou
sua carreira na década de 30, apresentando-se em programas de rádio
e casas noturnas. Nos anos 50, ela chegou a excursionar pelos Estados
Unidos e foi apontada como uma das principais divas do canto nacional.
Seu repertório nunca privilegiou esse ou aquele gênero musical.
Leny Eversong interpretava canções de Kurt Weill (como Mack
the Knife) e o jazz Swing Low, Sweet Chariot com a mesma competência
com que se debruçava sobre bolerões como Granada
que os cantores de programas de calouros da época invariavelmente
escolhiam para exibir seus pretensos dotes vocais. Ouça
a faixa Marina.
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