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Edição 1 750 - 8 de maio de 2002
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LIVROS

Reparação, de Ian McEwan (tradução de Paulo Henriques Britto; Companhia das Letras; 444 páginas; 36 reais) – Um dos nomes mais incensados da literatura inglesa atual, Ian McEwan construiu seu prestígio com romances e contos que falam de temas mórbidos e perversões. Reparaçãoé diferente. O enredo se passa na Inglaterra, a partir dos anos 30, e é protagonizado por Briony, uma garotinha que sonha em ser escritora e se distrai criando peças teatrais para divertir a família. Depois de testemunhar um episódio envolvendo sua irmã mais velha e o filho de uma empregada, sua mente imaginativa entra em curto-circuito, e Briony acaba cometendo um delito. Ela passará o resto de seus dias tentando expiar a culpa, numa história que McEwan – ganhador do Booker, o mais importante prêmio literário britânico, em 1998 – transforma numa surpreendente reflexão sobre a onipotência. Leia trecho do livro.

Meus Poemas Preferidos, de Manuel Bandeira (Ediouro; 208 páginas; 25,90 reais) – Em meados dos anos 60, pouco antes de morrer, o pernambucano Manuel Bandeira cuidou ele próprio de reunir o melhor de sua produção poética nesta antologia encomendada por uma editora. A obra, que estava fora de catálogo havia anos, acaba de voltar às livrarias. É uma excelente introdução ao trabalho de Bandeira – considerado um dos três maiores poetas brasileiros do século XX, ao lado de Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto. O volume traz o essencial de um autor modernista cuja grande contribuição foi mostrar que era possível despir a poesia de "efeitos poéticos" sem perder em nada o lirismo. A antologia contém ainda traduções feitas por Bandeira que se tornaram clássicas, como os versos de Rubaiyat, do persa Omar Khayyam. Leia trecho do livro.

O Périplo de Baldassare, de Amin Maalouf (tradução de Eduardo Brandão; Companhia das Letras; 482 páginas; 39,50 reais) – Cristão libanês radicado na França desde os anos 70, Maalouf é um especialista em criar romances históricos tão bem fundamentados quanto saborosos. Em obras como O Rochedo de Tânios, ele aborda de maneira refinada as diferenças culturais entre cristãos e muçulmanos. Esse novo livro é ambientado no século XVII – mais precisamente, pouco antes do início de 1666. A cristandade está em polvorosa porque acredita que aquele será o Ano da Besta, ou a data em que o anticristo chegará à Terra. O protagonista é um comerciante oriental que vê passar por suas mãos um livro que parece oferecer o antídoto para esse mal. Depois de ser coagido a vender a obra, ele empreende uma viagem por vários países na tentativa de recuperá-la.

 

DISCOS

Handcream for a Generation, Cornershop (Sum) – Liderado pelo cantor e letrista de origem indiana Tjinder Singh, o Cornershop se notabilizou por mesclar gêneros como world music, rock, música eletrônica e até funk. O resultado lembra, guardadas as proporções, algumas boas experiências musicais dos Beatles nos anos 60. Surgido em meados da década passada, o grupo foi descoberto pelo escocês David Byrne. Em 1998, eles tiveram o seu primeiro hit: o remix da canção Brimful of Asha, feito pelo DJ inglês Fatboy Slim. Nesse seu quarto disco, o Cornershop adiciona outros temperos à receita. O guitarrista Noel Gallagher, do Oasis, dá brilho ao reggae Spectral Mornings,e o grupo homenageia Sylvester Stallone (isso mesmo: Sylvester Stallone) na dançante Lessons Learned from Rocky I to Rocky III. Ainda que exótica, a mistura não tem nada de indigesta. Ouça a faixa Heavy Soup.

Diana & Marvin, Diana Ross e Marvin Gaye (Universal) – Exigente que só ele, o cantor americano Marvin Gaye considerava esse álbum um dos mais fracos de sua carreira. Primeiro, porque ele e Diana nunca se encontraram para gravar seus duetos. Ela não arredou pé de Los Angeles, então sede da gravadora Motown, enquanto Gaye registrou seus vocais num estúdio europeu. O artista também vinha de trabalhos mais sérios, como o álbum conceitual What's Going On, e acreditava que discos de dueto seriam um retrocesso em sua carreira. Puro preciosismo. Diana & Marvin tem uma produção esmerada e canções ótimas para curtir a dois. É o caso da manjada You Are Everything e de Stop, Look, Listen (To Your Heart)– que, curiosamente, fez sucesso apenas no Brasil e na Inglaterra. Ouça a faixa My Mistake.

 
Leny Eversong: diva esquecida

A Voz Poderosa de Leny Eversong (Som Livre) – Intérprete de respeito na história da música popular brasileira, a cantora Leny Eversong (1920-1984) chega ao CD graças a um extenso trabalho de garimpo do pesquisador Rodrigo Faour. Leny começou sua carreira na década de 30, apresentando-se em programas de rádio e casas noturnas. Nos anos 50, ela chegou a excursionar pelos Estados Unidos e foi apontada como uma das principais divas do canto nacional. Seu repertório nunca privilegiou esse ou aquele gênero musical. Leny Eversong interpretava canções de Kurt Weill (como Mack the Knife) e o jazz Swing Low, Sweet Chariot com a mesma competência com que se debruçava sobre bolerões como Granada – que os cantores de programas de calouros da época invariavelmente escolhiam para exibir seus pretensos dotes vocais. Ouça a faixa Marina.

   
 



Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler.
   
 
   
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