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Edição 1 750 - 8 de maio de 2002
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Felipe Patury

.SEGURANÇA

Só faltava essa

Os caixas eletrônicos de São Paulo podem deixar de funcionar à noite. A idéia surgiu depois que se verificou que os sequestros-relâmpago caíram 64% durante o período de racionamento, quando as máquinas permaneciam desligadas no horário noturno. Para não acabar inteiramente com o serviço, o governo estadual sugeriu que a Febraban instale caixas eletrônicos nas delegacias e nos quartéis da polícia. Mais um pouco e as autoridades resolvem abolir o dinheiro, essa invenção perigosa, para zerar os assaltos.

 

GOVERNO

Recordar é viver

Lembra aquela história dos lobistas espertalhões que, em 1996, tentaram convencer o governo a pagar 4 bilhões de reais por títulos caducos emitidos em 1902? Para isso, eles se muniram de pareceres jurídicos de Miguel Reale Júnior e Luiz Guilherme Schymura. Pois é, o primeiro virou ministro da Justiça e o outro foi empossado na semana passada presidente da Anatel.

 

TELECOMUNICAÇÕES

Dantas ataca outra vez

O banqueiro Daniel Dantas quer estender seus domínios nas telecomunicações. Controlador da Brasil Telecom, ele negocia a compra de metade das ações da Intelig, lote que hoje está nas mãos da France Telecom e da Sprint. Como Dantas não dá ponto sem nó, para fechar o negócio ele exige que a inglesa National Grid, a outra acionista majoritária, lhe ceda o comando da Intelig.

A cobrar para sempre

A Telemar recebeu calote de 70% das linhas telefônicas instaladas no ano passado no Sudeste, Nordeste e Norte. É o equivalente a 2 milhões de assinantes. Todas as linhas foram desligadas, mas deixaram um prejuízo de 1,8 bilhão de reais.

 

O homem do rolo


Luizinho Coruja
Ratinho: negócios diversificados


A marca Café no Bule, de Ratinho, entrou na lista das cinco mais vendidas no Estado de São Paulo. É um bom exemplo de como o apresentador acertou ao diversificar os negócios. Em 1997, quando era contratado da Record, seu faturamento mensal, então na casa dos 700.000 reais, era quase todo proveniente da televisão. Hoje, ele embolsa 3 milhões de reais por mês, mas só metade disso é fruto de seu programa no SBT. Cerca de 40% resulta da venda de café, de ração para animais e de gado. E os 10% que faltam para completar seu faturamento? "É rolo", explica. No dicionário de Ratinho, "rolo" é cachê recebido por shows e palestras.

 

AVIAÇÃO

A vida continua

As enormes dificuldades financeiras por que passa a Varig não interromperam seus planos de crescimento. A companhia pretende inaugurar mais seis vôos internacionais regulares. Na lista, há dois para Madri, um para Frankfurt, um para Milão, um para Paris e outro para Miami.

 

CERVEJA

Um brinde a abril

O calor inesperado de abril aumentou as vendas de cerveja em 5% em relação ao mesmo mês de 2001. É o melhor resultado nos últimos quatro anos.

 

ENERGIA

Quero meu dinheiro

Está em curso uma queda-de-braço entre o BNDES e a empresa americana AES, que recebeu um financiamento da instituição para comprar a Eletropaulo e a mineira Cemig. A AES quer pagar o empréstimo com os lucros que auferir no país. O BNDES não aceita. Exige que a empresa busque dinheiro na matriz para cobrir a dívida. A briga anda tão quente que o BNDES ameaçou tomar de volta dos americanos as ações da Eletropaulo, o que significaria a reestatização da companhia de energia paulista. Na AES, ninguém está com medo disso.

 

NAVIOS

Porto a pique

Brasília quer transferir a administração do Porto de Santos para o governo paulista. As negociações iam bem até a semana passada, quando se constatou que havia um rombo de 700 milhões de reais na contabilidade do porto. O Ministério da Fazenda diz que não paga. O governo paulista idem.

 

RECEITA

Procura-se procurador

A Receita Federal descobriu que um procurador da República de São Paulo recebia dinheiro de uma empresa de bebidas para perseguir suas concorrentes. Além de usar o cargo em benefício próprio, o procurador andou sonegando imposto de renda. Nos próximos dias, ele será intimado pelos jornais a pagar a dívida com o Fisco.

 

BANCOS

Calabi, o forasteiro

Andrea Calabi foi escolhido para representar a Previ no conselho do Banco do Brasil. Pela primeira vez alguém que não é dos quadros do banco exercerá essa função. Primeira e última. Os próximos representantes voltarão a ser escolhidos entre os funcionários do BB.

 

CINEMA

Dias melhores virão?

Em 1989, a Cininvest Produções Vídeo Cinematográfica Ltda. produziu o filme Dias Melhores Virão, do diretor Cacá Diegues. A empresa usou recursos da extinta Embrafilme e deixou uma nota pendurada no Tesouro Nacional. Em 1992, ano em que foi feito o último cálculo do papagaio, ele era equivalente a 190.000 reais. A dívida ainda não foi parar na Justiça porque o Ministério da Fazenda pediu que a Secretaria do Audiovisual fornecesse mais informações sobre o caso, a fim de instruir o processo.

Cano no festival

Os promotores do Festival Internacional de Cinema de Brasília, que terminou na semana passada, tomaram um cano de 300.000 reais. A paulista DHP e a brasiliense Cinecom receberam o dinheiro para montar cinco salas de projeção, mas sumiram na hora de fazer o serviço. Contratada às pressas, uma terceira empresa aprontou tudo em apenas cinco dias.

 

FUTEBOL

Celular controlado

A CBF autorizará os jogadores da seleção brasileira a usar telefones celulares dentro da concentração, durante a Copa do Mundo. Mas só até as 22 horas do horário coreano e japonês. Depois disso, os celulares serão recolhidos.

 

Americanos, cadê vocês?

Divulgação
Complexo do Sauípe: Marriott com problemas

Os dois hotéis Marriott da Costa do Sauípe, na Bahia, foram construídos para atrair principalmente turistas americanos. Imaginava-se que eles responderiam por 20% do faturamento dos estabelecimentos. Mas, como os americanos sumiram depois dos atentados de 11 de setembro, os dois hotéis amargam hoje a pior taxa de freqüência do complexo e são os menos rentáveis da cadeia no país. No mais luxuoso, a ocupação não passou de 23% em abril – menos da metade necessária para evitar prejuízo.

 

Colaboraram: Gabriela Carelli e Luís Henrique Amaral



 
 

Foto João Raposo

   
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