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A última do Rei

Roberto Carlos adia o lançamento
do DVD Acústico, porque encontrou
nele defeitos que ninguém mais vê

Sérgio Martins

 
Divulgação
Roberto: ele sorri, mas suas excentricidades estão perdendo a graça para os executivos da Sony Music


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Para ouvir: músicas do Acústico MTV

As manias de Roberto Carlos perderam a graça. Há poucos dias, ele vetou a fabricação do DVD Acústico MTV, que chegaria às lojas na semana passada. O cantor implicou com imperceptíveis diferenças na luz entre algumas cenas e solicitou alterações. Em se tratando de Roberto, o atraso pode ser de dias ou de meses. Na Sony Music, a "última do Roberto" deixou os executivos estupefatos e furiosos. "Eu lavo as minhas mãos. Fizemos a nossa parte. Reservamos até espaço nas principais lojas de departamentos para divulgar o DVD", desabafa José Eboli, presidente da companhia.

Até a decisão do cantor, a Sony contabilizava 140.000 unidades pedidas – o dobro do DVD musical mais vendido no país, o de Marisa Monte. O DVD de Roberto não tem extras e traz as mesmas catorze músicas que estão no disco. Três canções inéditas foram deixadas de lado, porque o atraso seria ainda maior se o cantor decidisse retocá-las. O adiamento suscitou boatos de que Roberto estaria dando uma "mãozinha" à Som Livre, para que a gravadora pudesse lançar outro DVD seu antes do Acústico. O produto da Som Livre traria imagens do último especial de Roberto pela Rede Globo. "O DVD da Globo irá sair, mas no início do ano que vem", esclarece Dody Sirena, empresário do cantor. Gravado há um ano, o Acústico gerou uma pendenga jurídica entre a MTV e a Globo, que detém exclusividade sobre as aparições do cantor na televisão. Roberto se omitiu durante todo o processo. "Estava no meu canto, fazendo o disco", justificou. Proibiu-se, então, que o programa fosse levado ao ar. Há dois meses, um acordo entre as emissoras e Sirena abriu caminho para o lançamento do DVD.

Roberto é célebre por enlouquecer técnicos, produtores e executivos com seu comportamento obsessivo durante as gravações. Ouve defeitos que ninguém mais percebe, muda as letras de antigos sucessos e, às vésperas de lançar o CD Acústico, passou oito dias no estúdio para acertar a palavra "displicente" – que imaginava soar como "dispricente". Empresário e amigos defendem o cantor. Para eles, Roberto é um perfeccionista. Mas há algo estranho nessa perfeição, já que seus discos saem cada vez piores.

   
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