
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
O eterno
feminino
Com
tecidos esvoaçantes, estampas
e rendas, as roupas de inverno têm
um jeito de primavera
Silvia
Rogar
Fotos Felipe Reis

Babados
na blusa e a túnica estilo fada com cinto de várias voltas: gosto
tropical |

Veja também |
|
|
|
No
lugar de pretos arrojados, vestidinhos vaporosos; em vez de cortes retos,
rendas e babados; e substituindo tecidos pesados, esvoaçantes transparências:
a moda de inverno nunca esteve tão ensolarada. Dos grandes magazines
às lojas de grife, as vitrines foram tomadas por uma profusão
de bordados, rendas, laçarotes, estampas florais e tons róseos.
É a nova feminilidade, ou neo-romantismo. A onda vinha sendo anunciada
há algum tempo nas passarelas. O estilista americano Tom Ford desencadeou
a tendência com a famosa blusa camponesa que fez para a grife Yves
Saint Laurent. Todo mundo copiou desde os nomes estrelados até
as mais humildes fabriquetas de fundo de quintal, não há
quem não tenha feito alguma versão da batinha com elástico
no decote, debaixo do busto e em pontos variados das mangas. Mais tarde,
com uma coleção em estilo vitoriano aqui, outra com um toque
étnico ali, a idéia dos modelos ultrafemininos acabou aparecendo
em quase todos os desfiles. Coube às lojas, como sempre, filtrar
as tendências e traduzir o resultado para a linguagem do varejo.
O surto de babados e frufrus aparece de forma tão marcante nas
vitrines brasileiras porque coincide em cheio com o gosto tropical. "A
mulher brasileira adora tudo o que é sensual e mais enfeitado.
Detesta tendências como a androginia, por exemplo. Além disso,
a fluidez dos tecidos é perfeita para o nosso inverno. É
por isso que a assimilação da nova coleção
foi tão fácil", diz João Paulo Ribas, coordenador
de moda da C&A.
|
|
| Uma
variação da blusa camponesa com saia florida: leveza |
Dada a sua
natureza pendular, a moda sempre tende a desmentir no presente o que disse
no passado. Assim, a estética atual foi construída em bases
flagrantemente contrárias às que dominaram a maioria das
coleções das últimas temporadas, caracterizadas pelo
visual urbano. Uma grife de ponta como a francesa Louis Vuitton, que havia
forrado suas legendárias bolsas de grafites agressivos, como os
dos muros das grandes cidades, neste ano elegeu como estampa preferida
bucólicas borboletas presentes da ponta dos sapatos aos
prendedores de cabelo da marca. A linha de roupas, do sempre moderno Marc
Jacobs, também segue a tendência, com túnicas diáfanas,
como as das fadas de contos infantis. A G, da estilista Glória
Coelho, fez a opção pela ornamentada linha vitoriana, e
a carioca Alice Tapajós cobriu suas peças de bordados. Por
trás da tendência romântica, especialistas enxergam
basicamente dois fenômenos: a influência da década
de 70 e os atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos. "A volta dos
anos 70 já apontava para uma vida mais pura, mais saudável
e para uma forma mais individual de se vestir. Com os atentados em Nova
York, essas coisas se intensificaram. A moda ficou mais inocente, mais
sonhadora, quase escapista", analisa Mey Leng, professora de pesquisa
de moda da Universidade Candido Mendes, no Rio.
As peças
das novas coleções põem um sopro de ar fresco nos
sisudos guarda-roupas de inverno. O problema é que, como em toda
tendência que privilegia a riqueza de detalhes, o exagero, neste
caso, pode facilmente redundar em catástrofe. "Um look total com
volumes, franjas e rendas vai deixar qualquer um parecendo destaque de
escola de samba", avisa a consultora de moda Cristina Franco. Pior ainda,
babados em camadas sobrepostas engordam. Uma saída segura é
combinar a peça esvoaçante com outra de estilo limpo, sério.
Para a estilista Maria Cândida Sarmento, a tendência atual
exige ainda que a usuária tenha uma compleição naturalmente
delicada. "Não imagino uma mulher grande e musculosa vestindo essas
roupas", pondera. Se a moda frufru pode não servir para todo mundo,
um benefício ao menos ela já produziu: um inverno com um
delicioso ar de primavera.
|
A
mãe de todos os babados
Fotos AFP
 |
 |
| Ar
campestre e misturas inusitadas: a Marni deixa o gueto dos ultramodernos
|
Só
se fala dela: a grife italiana Marni, até há pouco
tempo exclusiva de iniciados e bem informados do mundo da moda,
estourou, e não foi à toa. Tudo o que a moda pede
hoje ela já oferece desde sua fundação. Em
1993, quando Consuelo Castiglioni, mulher de um industrial milanês
que fabricava casacos de pele, resolveu criar sua própria
coleção, decidiu também que não daria
a mínima para o que os outros estavam fazendo. Enquanto uma
parte do mundo entediava o restante cultivando a onda minimalista
que dominou os anos 90, a estilista fazia a alegria das modernas,
porém saudosas da feminilidade perdida, com estampas florais,
mantôs de patchwork, saias entremeadas de renda cor-de-chá
e outras graciosidades. Quase sempre artesanais, as peças
têm aquele ar charmoso de coisa recém-tirada do baú.
Para vesti-las direito, a ordem é misturar padrões,
texturas, comprimentos. Peles se sobrepõem a musselinas,
xadrezes misturam-se a florais, tricô vai com tule
e fica tudo lindo. Com o reconhecimento do mercado, a marca abriu
filiais em Paris, Nova York, Londres e Tóquio. E, claro,
tem sido copiadíssima.
|
|
|
 |
|
 |

|
 |