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O hotel das estrelas

Pequeno, discreto e com serviços
ilimitados, o L'Ermitage é o
queridinho de Hollywood

Raul Juste Lores, de Los Angeles

 

A fachada discreta, a suíte de 400 metros quadrados (abaixo, à esq.) e o lobby: reservas feitas com um ano de antecedência



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Se você é tiete de carteirinha (e tem conta bancária para cobrir a excentricidade), o melhor lugar para ver astros de primeira grandeza de Hollywood é um hotel discreto e pequeno em Beverly Hills, que destoa do exibicionismo da cidade onde todos querem ver e ser vistos. Com apenas 111 quartos e treze suítes (a diária da Presidencial, a mais disputada, custa 4.000 dólares), o hotel L'Ermitage ficou célebre justamente por abrigar as estrelas que, de tão famosas, não precisam mais chamar a atenção e querem fugir dos paparazzi. Julia Roberts se hospeda sempre ali. Deu até uma festinha para 100 felizardos, logo depois de receber o Oscar, no ano passado. Harrison Ford é habitué do bar, e Nicole Kidman se hospedou várias vezes no local, com os filhos, desde o divórcio com Tom Cruise. As atrizes Sharon Stone e Halle Berry deram uma passadinha ali para escolher as jóias que iriam usar no último Oscar – as grandes grifes se hospedam no L'Ermitage para conquistar a clientela milionária e o transformam em um mini-shopping exclusivo. O L'Ermitage tem a mais alta classificação da hotelaria americana – cinco estrelas e cinco diamantes – e a lealdade das maiores estrelas do show biz.

Conhecendo-se o dia-a-dia do L'Ermitage, descobre-se que tipo de serviço agrada a atores que ganham milhões de dólares, gente que já tem tudo – dinheiro, fama, beleza. Não há horário para fazer o check-out nem para usar a piscina. Os mais fiéis não precisam assinar papéis e podem registrar-se com pseudônimos. O quarto dispõe de televisão de 45 polegadas, aparelho de DVD, cinco linhas telefônicas e celular para o hóspede usar pela cidade. O hotel faz cartões de visita com o nome dos clientes e coloca suas iniciais no roupão de banho. Os mais assíduos merecem um livro próprio, em que são registradas suas solicitações anteriores. Desde a mobília preferida até um tanque de areia para as crianças.

A maior atração para as estrelas é a discrição. Pertinho das lojas das grandes grifes da Rodeo Drive, mas instalado em uma pacata rua residencial, cercado de árvores, pintado com discretos tons pastel, o L'Ermitage oferece "invisibilidade" a quem está acostumado a se sentir perseguido em toda parte. Há passagens secretas que ligam o estacionamento direto às suítes, e o hotel raramente permite que as publicações dedicadas ao show biz fotografem suas instalações. Numa cidade onde todas as garçonetes são atrizes à espera de uma oportunidade, a celebridade de verdade quer ter a certeza de que não será incomodada com pedidos de emprego. O funcionário que entregar um currículo a um hóspede é demitido.

Outro ponto elogiado na conduta do hotel é sua tolerância em relação ao comportamento das estrelas. Festas extravagantes, regadas a drogas, com muito sexo e barulho, são realizadas nas suítes de 400 metros quadrados, cujo isolamento acústico não deixa escapar o mínimo ruído para os corredores. "O hóspede precisa ter aqui a mesma liberdade que tem em casa", diz Jack Naderkhani, o gerente do L'Ermitage desde 1990. Oito de cada dez hóspedes pertencem à indústria do entretenimento. As reservas são feitas com um ano de antecedência para as semanas que precedem o Globo de Ouro, o Grammy e o Oscar. Mas o anonimato do hotel tem seus dias contados. Em agosto estréia Full Frontal, o novo filme do badalado cineasta Steven Soderbergh, que dirigiu Onze Homens e Um Segredo e Erin Brockovich. O longa foi rodado durante um mês dentro do L'Ermitage. Soderbergh quis gravar fora do estúdio, mas num lugar em que a multidão de fãs de Julia Roberts e Brad Pitt, atores principais do longa, não atrapalhasse. O diretor brinca que a única preocupação era não filmar outras celebridades que se hospedavam ali. "Tivemos de parar uma cena porque Sting cruzou o lobby", conta. O tiete que não puder ficar na suíte de 4.000 dólares para ver como vive uma estrela tem um consolo: os quartos mais baratos do hotel custam "apenas" 400 dólares a diária.

   
 
   
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