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As
privatizações e
o interesse público
Oscar Cabral
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| Comemoração
da venda da Vale na Bolsa do Rio de Janeiro |
VEJA
publica nesta edição uma reportagem
em que, pela primeira vez, se exibem evidências testemunhais de
que houve um pedido de pagamento de comissão de 15 milhões
de reais durante o processo de privatização da Companhia
Vale do Rio Doce, em 1997. A história se soma a outra manobra,
revelada também por VEJA, em 1998, em que autoridades ligadas ao
processo de privatização do sistema telefônico atuaram
com empenho pessoal excessivo no erguimento de consórcios para
a disputa. Os bastidores da operação foram depois revelados
ao país através de um grampo telefônico instalado
no BNDES. Os dois casos têm diversos pontos em comum. O mais flagrante
é a participação decisiva nos dois episódios
de um mesmo alto funcionário do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio
de Oliveira, de reputada eficiência como arrecadador de recursos
para campanhas políticas dos tucanos. A exploração
política mais previsível a ser feita tomando como base as
revelações da reportagem de VEJA será o questionamento
do acerto das privatizações.
É
preciso reafirmar que não existe nenhum argumento racional contra
o resultado das privatizações feitas nos últimos
sete anos. Elas têm relação estreita com a modernização
do país. Com a transferência das telecomunicações
ao setor privado, foram entregues em quatro anos mais telefones aos brasileiros
do que o modelo estatal conseguiu instalar em trinta. O governo vendeu
as teles estatais por 22 bilhões de reais. Quatro anos depois elas
já investiram no país 96 bilhões de reais e recolheram
aos cofres do governo outros 80 bilhões de reais em impostos. A
privatização dos bancos estaduais fechou a torneira de corrupção,
desperdício e de realimentação inflacionária
que sangrava o Brasil havia décadas. Ao deixar à iniciativa
privada aquilo que ela administra melhor que o Estado, o governo FHC prestou
enorme serviço ao interesse público.
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