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Edição 1 750 - 8 de maio de 2002
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As privatizações e
o interesse público


Oscar Cabral
Comemoração da venda da Vale na Bolsa do Rio de Janeiro

VEJA publica nesta edição uma reportagem em que, pela primeira vez, se exibem evidências testemunhais de que houve um pedido de pagamento de comissão de 15 milhões de reais durante o processo de privatização da Companhia Vale do Rio Doce, em 1997. A história se soma a outra manobra, revelada também por VEJA, em 1998, em que autoridades ligadas ao processo de privatização do sistema telefônico atuaram com empenho pessoal excessivo no erguimento de consórcios para a disputa. Os bastidores da operação foram depois revelados ao país através de um grampo telefônico instalado no BNDES. Os dois casos têm diversos pontos em comum. O mais flagrante é a participação decisiva nos dois episódios de um mesmo alto funcionário do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira, de reputada eficiência como arrecadador de recursos para campanhas políticas dos tucanos. A exploração política mais previsível a ser feita tomando como base as revelações da reportagem de VEJA será o questionamento do acerto das privatizações.

É preciso reafirmar que não existe nenhum argumento racional contra o resultado das privatizações feitas nos últimos sete anos. Elas têm relação estreita com a modernização do país. Com a transferência das telecomunicações ao setor privado, foram entregues em quatro anos mais telefones aos brasileiros do que o modelo estatal conseguiu instalar em trinta. O governo vendeu as teles estatais por 22 bilhões de reais. Quatro anos depois elas já investiram no país 96 bilhões de reais e recolheram aos cofres do governo outros 80 bilhões de reais em impostos. A privatização dos bancos estaduais fechou a torneira de corrupção, desperdício e de realimentação inflacionária que sangrava o Brasil havia décadas. Ao deixar à iniciativa privada aquilo que ela administra melhor que o Estado, o governo FHC prestou enorme serviço ao interesse público.

 
 
   
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