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| Montagem
sobre foto de Eduardo Pozella e Raul Junior |
O hospital e maternidade São Luiz, de São Paulo, aderiu ao cerco aos fumantes brasileiros com uma medida polêmica. Em nome da melhoria do atendimento de seus clientes, proibiu a contratação de enfermeiros e nutricionistas tabagistas que trabalhem em contato direto com os pacientes. Os diretores do São Luiz consideram que fumar fora do hospital é insuficiente, porque o odor impregna os uniformes e compromete o hálito dos funcionários. "As mãos amareladas, com odor característico do cigarro, não condizem com a higiene que se espera de um enfermeiro", diz Alberto D'Áuria, médico responsável pela norma. A medida não se aplica aos médicos, porque, segundo o hospital, esses profissionais não são contratados. Apenas usam sua estrutura para realizar as cirurgias de seus pacientes. A eficácia das novas regras depende da honestidade dos candidatos. Quem não manifesta o vício no processo de seleção pode ser admitido se o mantiver em segredo, porque o hospital não realiza testes para identificar os tabagistas.
O tratamento diferenciado a médicos e enfermeiros é polêmico. "Se o objetivo é manter a higiene hospitalar, a restrição deverá ser estendida a todos os funcionários, sob pena de se praticar discriminação", diz Ruth Miranda de Camargo Leifert, presidente do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo. O jurista Manoel Gonçalves Ferreira Filho bate em outra tecla legal. "O princípio da desigualdade está claro e é desaconselhável porque o fumo está na esfera da liberdade pessoal", informa. A chance de uma ação judicial questionando a atitude do hospital ser vitoriosa nos tribunais é mínima porque a legislação brasileira não tipifica a discriminação por vício, ao contrário do que ocorre quando a prática ilegal se refere a sexo ou raça.
Copyright © 1998, Abril
S.A. |