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O médico Gallo: observação de que as ratas grávidas são mais imunes à contaminação |
Por descuido, os cientistas juntaram na mesma gaiola cobaias machos e fêmeas. Do erro nasceu a descoberta de uma proteína que pode vir a transformar-se numa nova droga contra a Aids. O virologista americano Robert Gallo, um dos descobridores do HIV, estudava em ratos (e não em ratas) o sarcoma de Kaposi, um tipo de câncer comum às vítimas da Aids. Os pesquisadores notaram que alguns animais não desenvolveram a neoplasia. Surpresa! Eram fêmeas e estavam grávidas. Nas placentas dos bichos, a equipe de Gallo encontrou a proteína HAF, capaz não só de conter o sarcoma de Kaposi, mas também de deter a multiplicação do HIV e estimular a produção das células de defesa do organismo. A descoberta está publicada na última edição da revista Nature Medicine, uma das conceituadas publicações científicas do mundo.
Na placenta, a HAF desempenha uma função primordial na gestação: produzir um hormônio sem o qual a gravidez não prospera. Os mecanismos de ação da proteína no combate à Aids não estão completamente desvendados. Impediria o crescimento de uma rede de vasos que garantem a nutrição e a proliferação acelerada do tumor. Deteria o avanço do HIV para o interior das células durante o processo de contágio. "Essa é a grande avenida para o desenvolvimento de novas drogas depois dos coquetéis anti-Aids", diz o infectologista Artur Timerman. É preciso agora purificar a substância e testá-la em humanos. Segundo Robert Gallo, se tudo der certo, em três anos a proteína HAF já poderá ser consumida pelos doentes de Aids. É mais uma arma nesse arsenal.
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S.A. |