Oriente Médio

Caminho de casa

Israel anuncia vontade de se retirar do Líbano

Há vários lugares onde Benjamin Netanyahu abomina a idéia de arriar a bandeira israelense — boa parte da Cisjordânia e principalmente Jerusalém — e um só que está disposto a ver pelas costas: o sul do Líbano. Se pudesse, o primeiro-ministro de Israel anunciaria o fim dessa ocupação, que desafia resoluções da ONU e custa caro (mais de 100 baixas nos últimos quinze meses), a tempo de coincidir com as comemorações do jubileu do Estado de Israel, no próximo mês. Se não sai às pressas, é porque não quer abrir o flanco a ataques da guerrilha libanesa contra o norte de Israel. Na quarta-feira passada, o governo israelense anunciou sua alternativa: retira a tropa, mas sob a condição de o Líbano assumir o compromisso de impedir ataques a Israel. A proposta é inexeqüível. A Síria, que mantém o Líbano praticamente na condição de colônia, nem pensa em aceitar uma solução que exclua a devolução de seus próprios territórios ocupados por Israel, na região de Golan.

Para o governo sírio, os ataques dos guerrilheiros xiitas do Hezbollah contra as forças de ocupação israelense só contam pontos a favor. Para Netanyahu, tirar o Exército do atoleiro libanês, além de encerrar uma longa e impopular operação, teria a vantagem adicional de concentrar forças numa batalha mais importante: enfrentar as pressões americanas para que Israel volte ao processo de paz com os palestinos. Na semana passada, um enviado especial americano a Israel voltou a Washington de mãos vazias, sem conseguir convencer Netanyahu a fazer uma retirada substancial dos territórios palestinos, e o Departamento de Estado informou que os Estados Unidos estão perdendo a paciência. Pelos acordos de paz, os israelenses já deveriam ter devolvido a Cisjordânia, mas Netanyahu paralisou o processo. Na sexta-feira, o governo israelense já tinha mobilizado suas tropas na nova frente de batalha: um abaixo-assinado firmado por três em cada quatro senadores americanos foi enviado ao presidente Bill Clinton pedindo que desistisse da idéia de denunciar Israel como responsável pelo fracasso do processo de paz.




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