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Militares Hora da saídaPela
primeira vez, um general cai OExército perdeu pela primeira vez um general de suas fileiras sob a acusação de participar de sessões de tortura durante o regime militar. Há três semanas, o general-de-brigada Ricardo Agnese Fayad, 57 anos, foi acusado por entidades de defesa dos direitos humanos de assessorar torturadores no DOI-Codi do Rio de Janeiro, entre 1970 e 1974. De acordo com a denúncia, Fayad, que é médico, era encarregado de examinar os presos para verificar se tinham condições físicas de sofrer novas torturas. Depois do bombardeio, na quarta-feira passada o general resolveu pedir licença de seis meses e, em conseqüência, foi exonerado da diretoria de saúde do Exército, cargo que ocupava desde o início do ano. Numa carta endereçada ao ministro do Exército, Zenildo de Lucena, Fayad explica que pediu licença por não suportar a "intensa e desgastante pressão psicológica". O Exército não queria entregar a cabeça de um militar com patente tão alta, respeitado pela tropa e dono de um belo currículo, com quatro medalhas. Depois da denúncia, o Alto Comando chegou a fazer uma reunião, da qual participaram o ministro Lucena e outros catorze generais, sustentando a permanência de Fayad. Só faltou um detalhe: Fayad não se defendeu das acusações. O Palácio do Planalto estava disposto a aceitar que o general ficasse no cargo, desde que se defendesse e abrisse um processo judicial contra seus acusadores. Fayad não fez nem uma coisa nem outra. "Com isso, ele foi perdendo apoio no Exército", diz um general. "Seu comportamento pareceu uma confissão de culpa." Nos seis meses de licença, Fayad espera recuperar na Justiça seu registro de médico, cassado por uma ação movida pelo Conselho Regional de Medicina do Rio. Caso tenha sucesso na Justiça, o general gostaria de retornar ao posto. Mas o Planalto não tem planos de voltar a nomeá-lo. Sandra Brasil
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