VEJA Recomenda
DVDs
KIT UMA
GAROTA ESPECIAL (Kit Kittredge: An American Girl,
Estados Unidos, 2008. PlayArte)
Kit Kittredge (Abigail Breslin, de Pequena Miss Sunshine)
tem 10 anos e está começando a conhecer o mundo
mas que mundo. O ano é 1934, em plena Grande
Depressão, e a pobreza começa a bater até
à porta da confortável casa dos Kittredge. Seu
pai vai para Chicago à cata de emprego, e a mãe
transforma a residência num pensionato. De início
assustada com as mudanças, Kit logo vê nas novas
experiências e pessoas à sua volta a oportunidade
de realizar sua ambição: escrever reportagens
além de resolver uma série de roubos
misteriosos. Dirigida pela competente Patricia Rozema, que
recriou o universo da escritora Jane Austen em Palácio
das Ilusões, esta aventura infanto-juvenil já
começa ganhando pontos por tratar as meninas como seres
inteligentes e não meras princesinhas.
BETTIE PAGE A RAINHA PIN UP (The Notorious Bettie
Page, Estados Unidos, 2005. Casablanca)
Criada numa família severa, a jovem sulista Bettie
Page (1923-2008) virou um ícone de sexualidade nos
terrivelmente reprimidos anos 50. Descoberta como modelo,
Bettie logo passou a ilustrar as fantasias dos americanos
em fotos e curtas-metragens, vestindo trajes sadomasoquistas
(castos para os padrões atuais) ou posando nua para
a Playboy. A diretora Mary Harron, de Psicopata
Americano, põe Bettie que depois viraria
missionária batista no centro de um sensacional
retrato de época. Na ótima interpretação
de Gretchen Mol, a mais famosa de todas as pin-ups é
um paradoxo que aponta para a revolução sexual
que logo chegaria: graciosa, sorridente, muito sexy e convicta
de que suas poses eram não um pecado, mas a expressão
do dom de alegrar os outros.
LIVRO
AV. PAULISTA,
de João Pereira Coutinho (Record; 288 páginas;
39 reais)
João Pereira Coutinho é um dos melhores cronistas
da imprensa brasileira atual. Esse português de 32 anos,
com doutorado em ciência política, mantém
uma coluna semanal no jornal Folha de S.Paulo
na qual, sempre com erudição e humor refinado,
lança um olhar irônico (e dotado de uma qualidade
em falta na praça: bom senso) sobre temas que vão
da religião à política internacional.
Esta antologia reúne crônicas publicadas por
Coutinho entre 2005 e o ano passado (tanto no jornal quanto
no site Folha Online). Um exemplo da verve do autor está
no texto em que expõe seu horror ao ler o best-seller
O Código Da Vinci: "A certa altura, senti
um cheiro pastoso à mandioca queimada e percebi, sem
surpresa, que eram os meus neurônios a derreter".
DISCOS
Valery Hache/AFP
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Al Di Meola, do Return to
Forever: uma banda inovadora em sua melhor formação |
RETURNS,
Return to Forever (ST2)
O Return
to Forever foi um dos muitos filhotes de Bitches Brew,
disco de 1969 em que o trompetista Miles Davis combinou a
improvisação do jazz à agressividade
do rock. Liderado pelo pianista Chick Corea, o grupo teve
várias formações. A melhor delas, que
lançou quatro discos sensacionais, trazia Corea, o
baixista Stanley Clarke, o guitarrista Al Di Meola e o baterista
Lenny White. No ano passado, essa formação fez
cinquenta shows pelos Estados Unidos e Europa. Returns
traz os melhores momentos dessas apresentações,
que eram divididas em sets "elétricos" e
"acústicos". No primeiro disco, atente para
a pegada rock de Vulcan Words e o duelo entre Di Meola
e Clarke em Sorceress. O outro disco é dominado
por Corea, que mostra seu dedilhado elegante nas faixas Friendship
e Romantic Warrior.
Kevin Winter/Getty Images
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Rahman: pop indiano e rap
na trilha de Quem Quer Ser um Milionário? |
SLUMDOG MILLIONAIRE,
A.R. Rahman (Universal)
As criações
do músico e produtor indiano A.R. Rahman para o filme
Quem Quer Ser um Milionário? foram a surpresa
do Oscar deste ano: levaram os prêmios de trilha sonora
e canção original para a saltitante Jai
Ho. Mas há tempos Rahman é um nome de destaque.
Já trabalhou com David Byrne e o cantor paquistanês
Nusrat Fateh Ali Kahn (o "Elvis da música asiática"),
criou Bombay Dreams, musical produzido por Andrew Lloyd
Webber, e compôs os temas de Elizabeth: a Era de
Ouro, do cineasta Shekhar Kapur. Boa parte dos temas de
Milionário remete às produções
de Bollywood, o cinema indiano. Sua verdadeira força,
no entanto, está na presença da cantora singalesa
M.I.A. (Paper Planes) e na metralhadora verbal de Palakkad
Sririam & Madhumitha no rap Liquid Dance.
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Cinemateca VEJA
Um velho inventor morre antes de completar sua grande
criação, o jovem Edward, trocando por
mãos as lâminas que arrematam seus braços.
Solitário, triste e pálido, Edward é
descoberto em seu castelo por uma vendedora de cosméticos
e levado para a casa desta, num bairro colorido do qual
ele logo vira a sensação, pelas esculturas
que faz nos jardins, mascotes e penteados dos moradores.
Mas nunca deixará de ser diferente, e não
tardará a virar alvo de intolerância. Edward,
Mãos de Tesoura, que a Cinemateca VEJA lança
neste sábado no país (menos nos estados
de São Paulo e Rio de Janeiro), é a primeira
parceria entre Johnny Depp e o diretor Tim Burton
e provavelmente nunca deixará de ser a melhor.
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Em São Paulo e no Rio de Janeiro,
nesta semana: Rutger Hauer é o homem
misterioso que aterroriza as estradas em A
Morte Pede Carona.
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Como comprar
a Cinemateca VEJA
Em bancas, livrarias
e redes de supermercados, a 13,90 reais o exemplar avulso.
Para assinar, ligue 3347-2180 (Grande São Paulo)
ou 0800-775-3180 (outras localidades), de segunda a
sexta-feira, das 8 às 22 horas. Pela
internet, acesse www.assineabril.com
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