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Edição 2107

8 de abril de 2009
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DVDs

KIT – UMA GAROTA ESPECIAL (Kit Kittredge: An American Girl, Estados Unidos, 2008. PlayArte)

• Kit Kittredge (Abigail Breslin, de Pequena Miss Sunshine) tem 10 anos e está começando a conhecer o mundo – mas que mundo. O ano é 1934, em plena Grande Depressão, e a pobreza começa a bater até à porta da confortável casa dos Kittredge. Seu pai vai para Chicago à cata de emprego, e a mãe transforma a residência num pensionato. De início assustada com as mudanças, Kit logo vê nas novas experiências e pessoas à sua volta a oportunidade de realizar sua ambição: escrever reportagens – além de resolver uma série de roubos misteriosos. Dirigida pela competente Patricia Rozema, que recriou o universo da escritora Jane Austen em Palácio das Ilusões, esta aventura infanto-juvenil já começa ganhando pontos por tratar as meninas como seres inteligentes e não meras princesinhas.


BETTIE PAGE – A RAINHA PIN UP
(The Notorious Bettie Page, Estados Unidos, 2005. Casablanca)

• Criada numa família severa, a jovem sulista Bettie Page (1923-2008) virou um ícone de sexualidade nos terrivelmente reprimidos anos 50. Descoberta como modelo, Bettie logo passou a ilustrar as fantasias dos americanos em fotos e curtas-metragens, vestindo trajes sadomasoquistas (castos para os padrões atuais) ou posando nua para a Playboy. A diretora Mary Harron, de Psicopata Americano, põe Bettie – que depois viraria missionária batista – no centro de um sensacional retrato de época. Na ótima interpretação de Gretchen Mol, a mais famosa de todas as pin-ups é um paradoxo que aponta para a revolução sexual que logo chegaria: graciosa, sorridente, muito sexy e convicta de que suas poses eram não um pecado, mas a expressão do dom de alegrar os outros.

 

LIVRO

AV. PAULISTA, de João Pereira Coutinho (Record; 288 páginas; 39 reais)

• João Pereira Coutinho é um dos melhores cronistas da imprensa brasileira atual. Esse português de 32 anos, com doutorado em ciência política, mantém uma coluna semanal no jornal Folha de S.Paulo – na qual, sempre com erudição e humor refinado, lança um olhar irônico (e dotado de uma qualidade em falta na praça: bom senso) sobre temas que vão da religião à política internacional. Esta antologia reúne crônicas publicadas por Coutinho entre 2005 e o ano passado (tanto no jornal quanto no site Folha Online). Um exemplo da verve do autor está no texto em que expõe seu horror ao ler o best-seller O Código Da Vinci: "A certa altura, senti um cheiro pastoso à mandioca queimada e percebi, sem surpresa, que eram os meus neurônios a derreter".

 

DISCOS

Valery Hache/AFP

Al Di Meola, do Return to Forever: uma banda inovadora em sua melhor formação

RETURNS, Return to Forever (ST2)

• O Return to Forever foi um dos muitos filhotes de Bitches Brew, disco de 1969 em que o trompetista Miles Davis combinou a improvisação do jazz à agressividade do rock. Liderado pelo pianista Chick Corea, o grupo teve várias formações. A melhor delas, que lançou quatro discos sensacionais, trazia Corea, o baixista Stanley Clarke, o guitarrista Al Di Meola e o baterista Lenny White. No ano passado, essa formação fez cinquenta shows pelos Estados Unidos e Europa. Returns traz os melhores momentos dessas apresentações, que eram divididas em sets "elétricos" e "acústicos". No primeiro disco, atente para a pegada rock de Vulcan Words e o duelo entre Di Meola e Clarke em Sorceress. O outro disco é dominado por Corea, que mostra seu dedilhado elegante nas faixas Friendship e Romantic Warrior.

 

Kevin Winter/Getty Images

Rahman: pop indiano e rap na trilha de Quem Quer Ser um Milionário?

SLUMDOG MILLIONAIRE, A.R. Rahman (Universal)

• As criações do músico e produtor indiano A.R. Rahman para o filme Quem Quer Ser um Milionário? foram a surpresa do Oscar deste ano: levaram os prêmios de trilha sonora e canção original – para a saltitante Jai Ho. Mas há tempos Rahman é um nome de destaque. Já trabalhou com David Byrne e o cantor paquistanês Nusrat Fateh Ali Kahn (o "Elvis da música asiática"), criou Bombay Dreams, musical produzido por Andrew Lloyd Webber, e compôs os temas de Elizabeth: a Era de Ouro, do cineasta Shekhar Kapur. Boa parte dos temas de Milionário remete às produções de Bollywood, o cinema indiano. Sua verdadeira força, no entanto, está na presença da cantora singalesa M.I.A. (Paper Planes) e na metralhadora verbal de Palakkad Sririam & Madhumitha no rap Liquid Dance.

 

Cinemateca VEJA

Um velho inventor morre antes de completar sua grande criação, o jovem Edward, trocando por mãos as lâminas que arrematam seus braços. Solitário, triste e pálido, Edward é descoberto em seu castelo por uma vendedora de cosméticos e levado para a casa desta, num bairro colorido do qual ele logo vira a sensação, pelas esculturas que faz nos jardins, mascotes e penteados dos moradores. Mas nunca deixará de ser diferente, e não tardará a virar alvo de intolerância. Edward, Mãos de Tesoura, que a Cinemateca VEJA lança neste sábado no país (menos nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro), é a primeira parceria entre Johnny Depp e o diretor Tim Burton – e provavelmente nunca deixará de ser a melhor.

Em São Paulo e no Rio de Janeiro, nesta semana: Rutger Hauer é o homem misterioso que aterroriza as estradas em A Morte Pede Carona.

Como comprar a Cinemateca VEJA

Em bancas, livrarias e redes de supermercados, a 13,90 reais o exemplar avulso. Para assinar, ligue 3347-2180 (Grande São Paulo) ou 0800-775-3180 (outras localidades), de segunda a sexta-feira, das 8 às 22 horas. Pela internet, acesse www.assineabril.com

 

 

 
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