Radar
Paulo
Celso Pereira (papereira@abril.com.br)
Ronaldo
Bernardi/Ag. RBS/AE
 | | José
Dirceu mira em 2010: toda a força aos companheiros |
Dirceu
contra Geddel José Dirceu está
cético quanto ao apoio do PMDB a Dilma Rousseff em 2010. Disse a militantes
do PT que essa é a traição mais anunciada de todos os tempos.
E avisa que, por esse motivo, a ministra deve dar o devido valor a seu partido.
Isso significa, entre outras coisas, tirar poder de peemedebistas que possam ser
adversários do PT nas disputas estaduais do próximo ano. Dirceu
cita como exemplo o caso da Bahia, onde Jaques Wagner pode ter de enfrentar um
Geddel Vieira Lima inflado pelas benesses que o Ministério da Integração
Nacional lhe permite dar a prefeitos. O ex-chefe da Casa Civil acha que Lula deveria
tirar o ministro e, para não esfacelar a base, pedir que o PMDB indique
outro nome. |
POLÍTICA
Foro privilegiado
A
Renascer pretende lançar a fundadora da igreja, Sonia Hernandes, a deputada
federal em 2010. A pena que ela e o marido, Estevam Hernandes, cumprem nos Estados
Unidos por contrabando de dinheiro e conspiração para contrabando
acaba em agosto. A partir daí, eles podem voltar ao Brasil. Aqui, os dois
são acusados pelo Ministério Público de São Paulo
por crimes de estelionato, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.
O foro privilegiado proporcionado pelo mandato na Câmara viria bem a calhar.
Helvio
Romero/AE
 | Sonia
Hernandes pode voltar ao Brasil em agosto:
fim da pena |
Meio
segredo
O lançamento de Sonia vem sendo mantido em sigilo, mas
a troca do representante da Renascer na Câmara, não. A cúpula
do DEM de São Paulo já foi informada de que o deputado federal Geraldo
Tenuta Filho, o bispo Gê, não deverá concorrer à reeleição.
Gol
de Serra
O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda,
resolveu mudar de marqueteiro. No início do governo, como resultado de
algumas medidas impopulares, sua aprovação desabou, e ele então
contratou o marqueteiro Paulo Vasconcellos, que se consagrara com as duas campanhas
vitoriosas de Aécio Neves ao governo mineiro. Agora, com a popularidade
restabelecida a patamares razoáveis, Arruda deu o cargo a Luiz González,
o responsável pelas campanhas vitoriosas de José Serra à
prefeitura paulistana em 2004 e ao governo em 2006.
ECONOMIA
Janeiro
trágico
O mês de janeiro foi o pior para o bolso do brasileiro
desde o início da crise econômica, em setembro. O estudo "Crônica
da crise: a ressaca recente", que será divulgado nesta semana pela
FGV, mostra que, no primeiro mês do ano, 548 000 pessoas das seis maiores
regiões metropolitanas do país deixaram a classe C para engrossar
as classes D e E o grupo dos que têm renda familiar abaixo de 1 115
reais. Foi o primeiro mês em que a classe C encolheu. O estudo, coordenado
pelo economista Marcelo Neri, mostra ainda que é na classe AB de
famílias com renda superior a 4 800 reais que a crise teve seu maior
impacto. Esse foi o único grupo que diminuiu de tamanho todos os meses
desde que surgiu a crise.
Transferência
de empregos
Mais um exemplo de como será dura a recuperação
dos EUA: nos últimos dezoito meses, a Springs, a maior fabricante americana
de produtos de cama e mesa, fechou dezesseis fábricas no país, mandou
9 000 operários embora e transferiu toda a produção para
o Brasil, o México e a Argentina. A empresa é controlada pela Coteminas,
de propriedade do vice José Alencar e comandada por seu filho, Josué
Christiano da Silva.
Mais
que uma mina de ouro
Repousa na Receita Federal uma investigação
preciosa. É a que tenta conter a saída do país, sem o devido
pagamento de royalties, de toneladas de tantalita, mineral usado na produção
de componentes eletrônicos e valorizadíssimo no mercado internacional.
O Brasil concentra 49% do estoque mundial do produto. Como sua ocorrência
se dá junto com a de outros minerais, a tantalita acaba saindo pela fronteira
como se fosse uma impureza inevitável. Não é. Tem gente ganhando
muito dinheiro sem pagar nada por isso.
FUTEBOL
Jogo
camuflado
Por trás de tanta briga de governadores para que a
capital do seu estado sedie jogos da Copa 2014 está um motivo bastante
objetivo: os recursos do PAC da Copa, que servirão para obras de infraestrutura
nas cidades escolhidas e serão liberados assim que, em maio, a Fifa bater
o martelo. Além das obras urbanísticas, há ainda a estimativa
de que a iniciativa privada invista 5 bilhões de reais nos estádios
das doze cidades-sede. Nada como obras começando um ano antes das eleições...
A
violência castiga
Pesquisa concluída no início do
mês pela TNS Sport Brasil revela que a insegurança é a principal
causa do esvaziamento dos estádios. Em todo o país, 32% dos entrevistados
que dizem não frequentá-los atribuem a decisão à violência.
A cidade em que ela mais pesa é o Rio de Janeiro, onde 59% a apontaram
como o principal motivo da ausência nos estádios. São Paulo
aparece em sexto lugar na lista, com a violência citada por 40%.
POLÍCIA
Além
do Castelo de Areia
A encrenca da Camargo Corrêa pode ficar bem
maior. A construtora está sendo cassada pelo Ministério Público
Federal, em razão de irregularidades na ampliação do Aeroporto
de Vitória uma obra inacabada de 370 milhões de reais, que
a Infraero delegou, em 2004, a um consórcio liderado pela empreiteira.
Como descobriu evidências de armação entre a Camargo e os
diretores da Infraero, o MP conseguiu quebrar os sigilos bancários dos
envolvidos. Vai rastrear o caminho do dinheiro pago à empreiteira.
Alex
Wong/Getty Images
 | O
reverendo Moon Trânsito livre entre
Brasil e Paraguai |
O
clandestino Moon
O líder religioso conhecido como reverendo Moon
tem especial devoção pela sonegação de impostos, mas
agora se especializou em entrar clandestinamente no Brasil. Ele tem sido visto
em suas propriedades em Mato Grosso do Sul, mas não há registro
de sua passagem pelas autoridades de imigração. As investigações
mostram que ele entra no país pela fronteira com o Paraguai e vai direto
para suas fazendas, que, aliás, se espraiam pelos dois países.
Colaboraram
Diego Escosteguy e Ronaldo França