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PALAVRAS, PALAVRAS 1) Anglicismo e Galicismo tudo junto. A língua é feita de concordâncias absurdas, empréstimos estranhos ou indevidos, quase tantos tempos de verbos irregulares quanto regulares, bestialógicos de linguagem toda uma maravilhosa invenção, anárquica, desrespeitosa, que depois vai entrando num rio de ordem e arrumação, chamado gramática e convenção escrita. Exemplo historicamente recente de curiosa diferenciação de pronúncia: a palavra record chegou a São Paulo na voz do mais famoso locutor de rádio do Brasil Cesar Ladeira. Como essa palavra entrou em São Paulo através do francês, sua pronúncia ficou sendo recór às duas famosas empresas paulistas de comunicação todos chamam Tevê Recór e Rádio Recór. No Rio a palavra foi divulgada principalmente por Alfredo Machado, de formação "inglesa", seja dizer americana com sua Editora Record, que se pronuncia Récor. Tente dizer Editora Recór e Tevê Récor. As pessoas nem reconhecem o que você está falando. Tente, deputado Aldo Rebelo. 2) Postergar. Procrastinar. Duas palavras que são empregadas, primariamente, com o mesmo significado: "Fulano está sempre postergando suas decisões", "Meu pai procrastinou quanto pôde a viagem". Mas, etimologicamente, têm significados opostos. Postergar significa deixar pra trás. E procrastinar quer dizer adiar, ou seja, jogar pra frente. Na língua, deputado Aldo Rebelo, como em tudo o mais, no fim as paralelas se encontram. Ou não.
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