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Leitor
Condenações no caso Daslu
"Pergunto-me,
às vezes, se realmente valem a pena tanto dinheiro e tanto poder à
custa de um negócio tão sujo. Tem a senhora Eliana Tranchesi o sono
dos justos?" Concordo que a indústria
do luxo cria empregos qualificados, gera divisas, tendências etc. Mas me
pergunto: em que Eliana Tranchesi é melhor que Martha Stewart, Leona Helmsley
ou Sophia Loren? Todas burlaram o Fisco, foram descobertas, julgadas e tiveram
de pagar por seus atos. Nos Estados Unidos e na Itália, nenhum cidadão
está acima da lei. Aqui no Brasil é essa bandalheira, em que uns
são melhores que outros. Espero que a sentença da senhora Tranchesi
seja o começo de uma mudança no nosso sistema judiciário.
Já está mais do que na hora de a Justiça brasileira ser célere
nos seus julgamentos, sem deixar espaço para as famosas "interpretações
da lei" que protelam os casos ad eternum ("Um dia a casa cai.
Cai?", 1º de abril). Vergonhoso o episódio
da senhora Eliana e de sua loja de luxo, que nada mais é do que fachada
de crimes fiscais. A corrupção no Brasil está generalizada
em todos os setores sociais. A ousadia e a criatividade de que fala VEJA, na verdade,
muitas vezes estão a serviço do crime e da burla às leis.
Lendo
a revista VEJA, percebi que Eliana Tranchesi escolheu o caminho mais fácil,
a estrada mais larga, a avenida da sonegação. Ela terá de
pagar por isso e terá de viver por um bom tempo em um lugar estreito. É
um alívio saber que neste mundo cheio de Elianas Tranchesis as autoridades
brasileiras estão cumprindo as leis. E ainda há pessoas que acham
a prisão dela um exagero. O Brasil
não precisa de condenações a penas seculares, em cadeias
cheias de mordomias, e sim de penas curtas, mas que sejam cumpridas, com início
rápido e isolamento dos criminosos da sociedade, para que eles possam sentir
os efeitos de seus atos. Cadeia para todos, independentemente de sua posição
social. Fiquei
me sentindo a própria otária quando vi a senhora Eliana Tranchesi
deixando a cadeia, toda sorridente, como se estivesse saindo de uma festa. Doo
ao governo boa parte do que ganho com o suor do meu trabalho (sou professora)
e, mesmo assim, tenho de pagar convênio médico, escola para meus
filhos etc. E a madame, sonegando impostos e achando que não representa
perigo à sociedade. Representa, sim! O perigo do mau exemplo. O
caso da Daslu é emblemático. A pena exagerada, que contraria o princípio
da proporcionalidade, só pode ser explicada por busca de notoriedade ou
"cochilo", que abrirá caminho para infindáveis recursos.
Enquanto isso, os "40 ladrões" do mensalão, denunciados
ao STF, navegam em mares tranquilos e dão consultorias, à espera
do desfecho que o país já conhece: a prescrição e,
por consequência, a impunidade. A lei não é para todos.
Senado Federal A reportagem "A farra é
deles. A conta é nossa" (1º de abril) desnuda claramente a farra
que se pratica no Senado Federal com o dinheiro do povo. É constrangedor
e irritante imaginar que os impostos pagos por gente humilde sejam gastos fraudulentamente
pelo "honrado" Senado da República, que, infelizmente, hoje abriga
um grupo de políticos irresponsáveis, corruptos e fisiologistas.
Até quando vamos suportar esse tipo de ilicitude? "A farra é deles.
A conta é nossa." Nunca vi frase mais verdadeira. Enquanto "ralei"
estudando para ingressar como médica concursada na prefeitura de Olinda,
em Pernambuco, em 1991, recebendo atualmente 882 reais por mês, com retirada
de uma gratificação de 360 reais em janeiro de 2009, a vida na "Brasilha"
da fantasia é vivida leve e solta. Gostaria que o "céu"
do Senado viesse abençoar a minha querida cidade, para que a classe médica
municipal recebesse, como vencimento, pelo menos um terço da gratificação
de 4.800 reais que o Senado paga a tantos de seus servidores.
Robert Hare Espero que os legisladores, promotores
e juízes deste país leiam atentamente a entrevista com o psicólogo
canadense Robert Hare (Amarelas, 1º de abril), para que possam entender que,
muitas vezes, a função da Justiça não é recuperar
o criminoso, mas sim afastá-lo da sociedade, visto que, se for um psicopata
grave, não é recuperável. Essa observação também
se aplica aos menores e às leis que os protegem, pois eu, como psiquiatra,
sempre me perguntei: qual dado científico serviu para determinar que um
psicopata grave, autor de um crime hediondo aos 16 anos e que, pela legislação
vigente, não poderá ficar preso por mais de três anos, estará
"curado" dessa psicopatia quando tiver 18 ou 21 anos de idade? Esclarecedora
a entrevista com o psicólogo canadense Robert Hare. Os estudos científicos
mostram, cada vez mais, que nossas características fundamentais já
vêm "impressas em nossa placa-mãe", em nosso "hardware
cerebral". O ambiente, a escolaridade e o convívio familiar apenas
nos ajudam a lidar com essas características.
Veja Essa Parodiando
o presidente Lula, o mestre das metáforas infelizes, poderíamos
dizer que a corrupção na política nacional é causada
por brancos de olhos e cabelos castanhos (muitas vezes tingidos, inclusive o bigode)
que antes não tinham nada e agora têm tudo.
Fim dos vestibulares Muito oportuno o artigo do
senhor Claudio de Moura Castro, que sempre se preo-cupou com a educação
no Brasil. Contudo, é lamentável pensar que o vestibular separe
os burrinhos dos meio burrinhos e dos gênios tupiniquins. O vestibular é
um exame eliminatório, e não um teste de inteligência.
Suicídio Minha
família sofre há três anos com a perda de meu irmão,
que cometeu suicídio aos 29 anos. Não temos histórico de
familiares que o fizeram, ele não usava drogas e não percebemos
que ele estivesse passando por algum processo de depressão, pois mantinha
seu comportamento normal. Todos os dias tentamos entender o motivo que o levou
a praticar tal ato, mas não encontramos resposta. É um sofrimento
imenso para nós e acho que não existem explicações
para uma pessoa tomar uma decisão tão forte quanto essa ("Mortes
espelhadas", 1º de abril).
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