Carta ao Leitor
A verdadeira revolução
Fabiano
Accorsi
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| TRANSPLANTE
A operação complexa e cara
tornou-se acessível a muito mais brasileiros graças aos
avanços da medicina e ao bom uso dos recursos públicos |
A arma mais poderosa
da população na fiscalização da
gestão pública é a transparência.
Sem ela, é inevitável que o dinheiro das pessoas
que trabalham e pagam impostos seja desperdiçado e
roubado. Não por acaso, dois grandes sucessos da administração
pública brasileira, os transplantes de órgãos
pagos pelo SUS e a avaliação escola por escola
que o Ministério da Educação implantou
há dois anos, têm como base a transparência.
Quando decidiu que as verbas seriam dadas de acordo com o
resultado dos cursos e que o desempenho de cada escola poderia
ser consultado na internet, o ministro Fernando Haddad foi
alertado por auxiliares de que aquilo seria suicídio
político e ele acabaria demitido. Não foi. Hoje
o sistema funciona muito bem, todo mundo sabe em que escola
vale a pena matricular os filhos e onde o dinheiro público
está sendo bem gasto. No caso dos transplantes, a prestação
de contas começa a fazer diferença no sistema.
Isso é vital, pois 92% de todos os transplantes são
pagos com dinheiro do povo. As operações custam
530 milhões de reais por ano, recursos que alimentam
o maior programa público de transplantes do mundo.
Como transparência
nunca é demais, até sistemas avançados
podem melhorar. O de educação pode evoluir para
avaliar individualmente cada professor. O de transplantes
pode chegar a apontar nacionalmente quais são as equipes
cirúrgicas e clínicas mais eficientes e com
os melhores resultados em termos de sobrevivência dos
pacientes. O estado de São Paulo saiu na frente com
o Webtransplante. Ele permite aos médicos, mediante
senha, comparar seus resultados on-line, em tempo real, com
a média das demais equipes do estado. Os passos lógicos
seguintes são possibilitar a comparação
não mais com a média mas com cada uma das equipes
e abrir essas informações livremente na internet
para qualquer pessoa interessada. Assim, cada paciente poderá
saber onde receberá o melhor serviço pelo imposto
que paga. Se o resultado prático de cada centavo do
dinheiro público pudesse ser verificado não
apenas na educação e nos transplantes mas em
todo o sistema público, o Brasil daria um salto evolutivo
sem precedentes. Seria uma verdadeira revolução.