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Edição 2107

8 de abril de 2009
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Carta ao Leitor
A verdadeira revolução

Fabiano Accorsi
TRANSPLANTE A operação complexa e cara tornou-se acessível a muito mais brasileiros graças aos avanços da medicina e ao bom uso dos recursos públicos

A arma mais poderosa da população na fiscalização da gestão pública é a transparência. Sem ela, é inevitável que o dinheiro das pessoas que trabalham e pagam impostos seja desperdiçado e roubado. Não por acaso, dois grandes sucessos da administração pública brasileira, os transplantes de órgãos pagos pelo SUS e a avaliação escola por escola que o Ministério da Educação implantou há dois anos, têm como base a transparência. Quando decidiu que as verbas seriam dadas de acordo com o resultado dos cursos e que o desempenho de cada escola poderia ser consultado na internet, o ministro Fernando Haddad foi alertado por auxiliares de que aquilo seria suicídio político e ele acabaria demitido. Não foi. Hoje o sistema funciona muito bem, todo mundo sabe em que escola vale a pena matricular os filhos e onde o dinheiro público está sendo bem gasto. No caso dos transplantes, a prestação de contas começa a fazer diferença no sistema. Isso é vital, pois 92% de todos os transplantes são pagos com dinheiro do povo. As operações custam 530 milhões de reais por ano, recursos que alimentam o maior programa público de transplantes do mundo.

Como transparência nunca é demais, até sistemas avançados podem melhorar. O de educação pode evoluir para avaliar individualmente cada professor. O de transplantes pode chegar a apontar nacionalmente quais são as equipes cirúrgicas e clínicas mais eficientes e com os melhores resultados em termos de sobrevivência dos pacientes. O estado de São Paulo saiu na frente com o Webtransplante. Ele permite aos médicos, mediante senha, comparar seus resultados on-line, em tempo real, com a média das demais equipes do estado. Os passos lógicos seguintes são possibilitar a comparação não mais com a média mas com cada uma das equipes e abrir essas informações livremente na internet para qualquer pessoa interessada. Assim, cada paciente poderá saber onde receberá o melhor serviço pelo imposto que paga. Se o resultado prático de cada centavo do dinheiro público pudesse ser verificado não apenas na educação e nos transplantes mas em todo o sistema público, o Brasil daria um salto evolutivo sem precedentes. Seria uma verdadeira revolução.



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