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VEJA Recomenda CINEMA
 | | Mentiras
Sinceras: um tratado sobre a dissimulação nos relacionamentos
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Mentiras Sinceras
(Separate Lies, Inglaterra, 2005. Estréia nesta sexta-feira no
país) Uma conversa entre marido e mulher, em torno da mesa do almoço,
é a versão taquigráfica do cinema para a normalidade conjugal.
Em uns poucos minutos de diálogo, porém, Mentiras Sinceras
demole essa fachada. James (Tom Wilkinson) entra na cozinha para fofocar sobre
como seu vizinho William (Rupert Everett) talvez seja o autor do atropelamento
que matou um homem do vilarejo e sai dela com um relato atordoante, envolvendo
sua mulher (Emily Watson), William e a vítima. A estréia na direção
de Julian Fellowes, roteirista de Assassinato em Gosford Park, é
um exemplo da franqueza com que os cineastas ingleses tratam o tema da dissimulação
não como um desvio, e sim como um elemento sine qua non de
qualquer relacionamento. Veja
cenas.
LIVROS
A
Neve do Almirante, de Álvaro Mutis (tradução de Luis
Carlos Cabral; Record; 210 páginas; 28,90 reais) Nascido em 1923,
o colombiano Álvaro Mutis não alcançou a fama de Gabriel
García Márquez talvez porque sua literatura não seja
tão exuberante quanto a de seu compatriota e companheiro de geração.
Mais contido, Mutis é ainda assim um ficcionista poderoso, como o leitor
pode atestar nesse livro. A Neve do Almirante narra uma viagem de Maqroll
personagem que aparece em outros romances do escritor num barco
que sobe um rio no meio da selva amazônica. Mutis apresenta a selva como
um mundo hostil, com alguns traços que beiram o grotesco. Embora tenha
uma fugaz aventura erótica com uma nativa, Maqroll não consegue
se entender com os índios que freqüentam o barco. Leia
trecho. A
Invenção de Morel, de Adolfo Bioy Casares (tradução
de Samuel Titan Jr.; Cosac Naify; 136 páginas; 39 reais) O nome
de Adolfo Bioy Casares (1914-1999) ficou em certa medida vinculado ao de seu amigo
Jorge Luis Borges, com quem colaborou numa série policial assinada pelo
pseudônimo H. Bustos Domecq. Casares, porém, é um escritor
original, como prova esse seu primeiro romance, de 1940, relançado em nova
tradução. Verdadeiro clássico da literatura fantástica,
A Invenção de Morel narra a história de um refugiado
político que busca abrigo em uma ilha do Pacífico. Lá, ele
descobre uma máquina capaz de gravar e reproduzir fielmente os mínimos
detalhes da realidade os habitantes da ilha, que já morreram há
anos, ainda aparentam viver ali, graças às imagens produzidas pela
máquina. Leia
trecho.
GASTRONOMIA A
história de duas bebidas alcoólicas é o tema de lançamentos
que estão chegando às livrarias. Champanhe (tradução
de Marina Slade Oliveira; Jorge Zahar; 240 páginas; 34 reais), do casal
de jornalistas Don e Petie Kladstrup autores do sucesso Vinho &
Guerra , narra a trajetória do mais glamouroso dos vinhos, de
sua criação pelo monge Dom Pérignon, no século XVII,
às dificuldades de produção durante a I e a II Guerra Mundial.
Com muitas fotos, Cachaça Um Amor Brasileiro (Melhoramentos;
166 páginas; 59 reais), de Alessandra Garcia Trindade, retrata a produção
da aguardente de cana desde o Brasil colonial. E, para provar que a caninha cabe
em todas as mesas, traz receitas de coquetéis e pratos que a têm
como ingrediente de uma salada de ostras a um pastel de chocolate. DVDs
Everett
Collection
 | | O
Menino: pacifismo para crianças |
O
Menino dos Cabelos Verdes (The Boy with Green Hair, Estados Unidos, 1948.
Aurora) Uma fábula pacifista para crianças: assim pode ser
definida essa pequena obra-prima, o primeiro trabalho relevante do diretor americano
Joseph Losey (1909-1984) que logo depois se exilou na Inglaterra para fugir
à perseguição anticomunista. Após ser rejeitado por
seus vários parentes, o órfão de guerra Peter é adotado
por um senhor afetuoso (o ótimo Pat O'Brien). Não que seus problemas
tenham terminado: certo dia, Peter amanhece com a cabeleira completamente verde,
despertando reações não muito louváveis entre seus
vizinhos e coleguinhas. Criativo e delicado, o filme vale ainda pela atuação
do pequeno Dean Stockwell, que décadas mais tarde se tornaria um dos atores
favoritos de Francis Ford Coppola, Wim Wenders e David Lynch.
A
Proposta (The Proposition, Austrália/Inglaterra, 2005. Califórnia)
Na Austrália árdua e árida da década de 1880,
dois dos irmãos Burns são presos pelo massacre de uma família.
O chefe da polícia local (Ray Winstone), um inglês com repugnância
pela vida na colônia e temeroso pela forma como ela pode afetar sua mulher
(Emily Watson), faz uma oferta a Charlie Burns (Guy Pearce): se ele matar seu
irmão mais velho (Danny Huston), o verdadeiro autor do crime e uma lenda
entre os fora-da-lei da região, o caçula ganhará a liberdade.
Escrito pelo roqueiro Nick Cave, A Proposta se sai muito bem como faroeste
e melhor ainda como uma tragédia de inspiração bíblica,
em que Caim e Abel, o irmão mau e o irmão bom, têm de inverter
papéis para cumprir seu destino.
DISCO Thomas
Wirth/AP
 |  | | Black:
a vida antes e depois dos Pixies | |
Frank
Black Francis, Frank Black (Sum) Essa coletânea dupla registra
dois momentos distintos da carreira do cantor e guitarrista americano Frank Black.
O primeiro disco recupera os trabalhos iniciais dos Pixies, grupo de rock do qual
ele foi líder a partir do fim dos anos 80 e que influenciou desde o U2
até o Nirvana. Depois da dissolução da banda, em 1993, Black
continuou a lançar trabalhos inspirados como cantor-solo seu leque
de influências vai da música latina ao rock dos anos 50, com letras
sobre cinema surrealista e ficção científica. O segundo disco
contém composições recentes, misturadas a releituras de sucessos
dos Pixies. É o caso de Monkey Gone to Heaven, canção
que fez sucesso nas rádios roqueiras no fim dos anos 80 e aqui tocada
de modo psicodélico. |