Edição 1946 . 8 de março de 2006

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Radar

Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)

• CPI DOS CORREIOS

Problemas para o Rural
A cúpula da CPI dos Correios confirmou: o Trade Link é mesmo do Banco Rural, como sempre se suspeitou. A offshore, para quem não se recorda, envolveu-se em escândalos no governo Collor, foi personagem marcante da CPI do Banestado e é a principal remetente de recursos para o exterior usada por Marcos Valério. Segundo um integrante da CPI, pela primeira vez conseguiram-se provas dessa ligação, sempre negada pelo Rural. Com isso, a situação do Rural "complica-se muito". Nos próximos dias, mais essa bomba vai estourar.

 

• EXÉRCITO

Maquiagem na caserna
No relatório do Conselho Nacional de Justiça, entregue ao Congresso no mês passado, há uma recomendação para que se suprima do Código Penal Militar a referência ao chamado "crime de pederastia". Todavia, as mudanças, propostas num projeto de lei que tramita na Câmara, não passarão de simples maquiagem verbal: o homossexual que for apanhado em flagrante continuará indo para a cadeia. O texto manterá a proibição aos "atos de libidinagem em áreas sob administração militar".

 

• STF

Correndo por fora
Cresceram muito, nos últimos dias, as chances de a juíza fluminense Maria Lúcia Karam virar ministra do Supremo Tribunal Federal no lugar de Nelson Jobim, que está se aposentando. Ela conta com a simpatia do ministro Márcio Thomaz Bastos.  

O réu e o juiz
Nelson Jobim sai do STF por volta do dia 20. Jobim nega, mas continua pensando em ser candidato a vice-presidente, numa aliança com Lula. Na oposição, a chapa Lula-Jobim está sendo apelidada maldosamente de "o réu e o juiz".

 

Ele quer foro privilegiado

Dida Sampaio/AE
Palocci: licença é a solução?

O desafio do ministro Antonio Palocci não é conquistar uma das coordenações da campanha de Lula à reeleição. Tudo caminha para isso. A questão é: como fazê-lo sem perder o foro privilegiado na Justiça, que a condição de ministro lhe confere. Afinal, as estripulias de seus assessores em Ribeirão Preto são uma preocupação constante. Para solucionar o problema, Palocci cogita licenciar-se do cargo, assegurando a proteção judicial – o que não ocorreria se pedisse demissão. Ele já discutiu o assunto durante o Carnaval com assessores e outros ministros.

 

• EUA

Bush manda um político
Está tudo se encaminhando para que o futuro embaixador dos EUA no Brasil seja um político. Mas antes de julho, na melhor das hipóteses, o novo embaixador não chega a Brasília. Desde novembro o posto está vago.

 

• ECONOMIA

Uma campanha publicitária...
Às vésperas do Carnaval, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, foi ao Palácio do Planalto para uma audiência com Lula. Ao lado dos ministros Dilma Rousseff, Luiz Dulci e Silas Rondeau, Lula viu a campanha publicitária de 37 milhões de reais que a estatal patrocinará para tecer loas à auto-suficiência de petróleo. A campanha começa neste mês e irá até junho. Mas terá seu auge na semana do dia 21 de abril, quando será lançada ao mar a plataforma P-50, que produzirá 180 000 barris diários de petróleo.  

...e outra eleitoral
A semana não foi escolhida ao acaso: é quando se comemora a morte de Tiradentes. Um dos motes da campanha é relacionar auto-suficiência a independência. Lula, é claro, fará sua campanha particular, ligando o feito ao seu governo.  

Papel global
A propósito, a Petrobras lança na sexta-feira suas ações na Bolsa de Buenos Aires. Hoje, o maior mercado da estatal fora do Brasil é na Argentina. As ações da estatal já são negociadas em Nova York e em Madri.  

O boom do vergalhão
A construção civil começa a dar sinais de retomada. As vendas de vergalhão ao mercado interno cresceram 17,9% em janeiro, em comparação com o mesmo período do ano passado.

 

• ELEIÇÕES 2006

A mobília de Alckmin
Em pleno Carnaval, Geraldo Alckmin despachou parte de sua mudança da residência oficial, no Palácio dos Bandeirantes, para seu sítio em Pindamonhangaba. E se o candidato à Presidência dos tucanos for José Serra, como está parecendo? Bem, ou ele ficará mal acomodado no Palácio dos Bandeirantes ou mandará trazer a mobília de volta...  

O sufoco de Wagner
Uma pesquisa inédita do Ibope, fechada no dia 17, sobre a sucessão estadual na Bahia mostra que o ministro Jaques Wagner, provável candidato do PT ao governo, terá de comer muito arroz com feijão para engordar seus números. Num embate com o governador Paulo Souto e com o prefeito de Salvador, João Henrique, Wagner ficou com magros 7% das intenções de votos. Souto e João Henrique ficariam com 49% e 28%, respectivamente.  

Em maio, Lula sai do armário
O grupo mais próximo a Lula acha que ele deve assumir-se como candidato em meados de maio. O presidente concorda com a data. Até lá, no entanto, fará campanha fingindo que não está fazendo.

 

• ETIQUETA

Nas mãos de Marisa
Sexta-feira passada, em Londres, o cerimonial da Presidência da República tinha uma questão de importância capital para resolver: a primeira-dama Marisa da Silva deveria ir à recepção desta terça-feira no Palácio de Buckingham de luvas? Pensa daqui, discute dali, chegou-se à conclusão de que a decisão ficará a critério dela.

 

BC extingue nota de 1 real após doze anos

Nota de 1 real e moeda de 1 centavo: fim de linha

Em janeiro, sem alarde, a Casa da Moeda parou de fabricar as notas de 1 real, criadas em 1994. Agora, nesse valor, só moedas. Quem prefere carregar cédulas a moedas com certeza reclamará. Há cinco meses, também sem dar nenhuma publicidade ao fato, a Casa da Moeda já cessara a fabricação das moedinhas de 1 centavo. O Banco Central (de quem partiu a decisão) acha que o brasileiro já arredonda os valores para cima. Por esse motivo, a moeda de 1 centavo estaria sendo cada vez menos utilizada. Com isso, o próprio BC, quem diria, incentiva o arredondamento e, portanto, uma (pequena) inflação.

Colaboraram Daniela Pinheiro e Ronaldo França

 

 

Foto Antonio Milena

 
 
 
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