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Radar
Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)
CPI DOS CORREIOS Problemas para o Rural
A cúpula da CPI dos Correios confirmou: o Trade Link é mesmo do
Banco Rural, como sempre se suspeitou. A offshore, para quem não se recorda,
envolveu-se em escândalos no governo Collor, foi personagem marcante da
CPI do Banestado e é a principal remetente de recursos para o exterior
usada por Marcos Valério. Segundo um integrante da CPI, pela primeira vez
conseguiram-se provas dessa ligação, sempre negada pelo Rural. Com
isso, a situação do Rural "complica-se muito". Nos próximos
dias, mais essa bomba vai estourar.
EXÉRCITO Maquiagem na caserna No
relatório do Conselho Nacional de Justiça, entregue ao Congresso
no mês passado, há uma recomendação para que se suprima
do Código Penal Militar a referência ao chamado "crime de pederastia".
Todavia, as mudanças, propostas num projeto de lei que tramita na Câmara,
não passarão de simples maquiagem verbal: o homossexual que for
apanhado em flagrante continuará indo para a cadeia. O texto manterá
a proibição aos "atos de libidinagem em áreas sob administração
militar". STF Correndo
por fora Cresceram muito, nos últimos dias,
as chances de a juíza fluminense Maria Lúcia Karam virar ministra
do Supremo Tribunal Federal no lugar de Nelson Jobim, que está se aposentando.
Ela conta com a simpatia do ministro Márcio Thomaz Bastos.
O réu e o juiz Nelson
Jobim sai do STF por volta do dia 20. Jobim nega, mas continua pensando em ser
candidato a vice-presidente, numa aliança com Lula. Na oposição,
a chapa Lula-Jobim está sendo apelidada maldosamente de "o réu e
o juiz".
Ele quer foro privilegiado Dida
Sampaio/AE
 | | Palocci:
licença é a solução? |
O
desafio do ministro Antonio Palocci não é conquistar uma das coordenações
da campanha de Lula à reeleição. Tudo caminha para isso.
A questão é: como fazê-lo sem perder o foro privilegiado na
Justiça, que a condição de ministro lhe confere. Afinal,
as estripulias de seus assessores em Ribeirão Preto são uma preocupação
constante. Para solucionar o problema, Palocci cogita licenciar-se do cargo, assegurando
a proteção judicial o que não ocorreria se pedisse
demissão. Ele já discutiu o assunto durante o Carnaval com assessores
e outros ministros. | |
EUA Bush manda um político Está
tudo se encaminhando para que o futuro embaixador dos EUA no Brasil seja um político.
Mas antes de julho, na melhor das hipóteses, o novo embaixador não
chega a Brasília. Desde novembro o posto está vago.
ECONOMIA Uma campanha publicitária... Às
vésperas do Carnaval, o presidente da Petrobras, José Sérgio
Gabrielli, foi ao Palácio do Planalto para uma audiência com Lula.
Ao lado dos ministros Dilma Rousseff, Luiz Dulci e Silas Rondeau, Lula viu a campanha
publicitária de 37 milhões de reais que a estatal patrocinará
para tecer loas à auto-suficiência de petróleo. A campanha
começa neste mês e irá até junho. Mas terá seu
auge na semana do dia 21 de abril, quando será lançada ao mar a
plataforma P-50, que produzirá 180 000 barris diários de petróleo.
...e outra eleitoral A
semana não foi escolhida ao acaso: é quando se comemora a morte
de Tiradentes. Um dos motes da campanha é relacionar auto-suficiência
a independência. Lula, é claro, fará sua campanha particular,
ligando o feito ao seu governo. Papel
global A propósito, a Petrobras lança
na sexta-feira suas ações na Bolsa de Buenos Aires. Hoje, o maior
mercado da estatal fora do Brasil é na Argentina. As ações
da estatal já são negociadas em Nova York e em Madri.
O boom do vergalhão A
construção civil começa a dar sinais de retomada. As vendas
de vergalhão ao mercado interno cresceram 17,9% em janeiro, em comparação
com o mesmo período do ano passado.
ELEIÇÕES 2006 A mobília
de Alckmin Em pleno Carnaval, Geraldo Alckmin despachou
parte de sua mudança da residência oficial, no Palácio dos
Bandeirantes, para seu sítio em Pindamonhangaba. E se o candidato à
Presidência dos tucanos for José Serra, como está parecendo?
Bem, ou ele ficará mal acomodado no Palácio dos Bandeirantes ou
mandará trazer a mobília de volta... O
sufoco de Wagner Uma pesquisa inédita do
Ibope, fechada no dia 17, sobre a sucessão estadual na Bahia mostra que
o ministro Jaques Wagner, provável candidato do PT ao governo, terá
de comer muito arroz com feijão para engordar seus números. Num
embate com o governador Paulo Souto e com o prefeito de Salvador, João
Henrique, Wagner ficou com magros 7% das intenções de votos. Souto
e João Henrique ficariam com 49% e 28%, respectivamente.
Em maio, Lula sai do armário O
grupo mais próximo a Lula acha que ele deve assumir-se como candidato em
meados de maio. O presidente concorda com a data. Até lá, no entanto,
fará campanha fingindo que não está fazendo.
ETIQUETA Nas mãos de Marisa Sexta-feira
passada, em Londres, o cerimonial da Presidência da República tinha
uma questão de importância capital para resolver: a primeira-dama
Marisa da Silva deveria ir à recepção desta terça-feira
no Palácio de Buckingham de luvas? Pensa daqui, discute dali, chegou-se
à conclusão de que a decisão ficará a critério
dela.
BC extingue nota de 1 real após doze anos
 |  | | Nota
de 1 real e moeda de 1 centavo: fim de linha |
Em
janeiro, sem alarde, a Casa da Moeda parou de fabricar as notas de 1 real, criadas
em 1994. Agora, nesse valor, só moedas. Quem prefere carregar cédulas
a moedas com certeza reclamará. Há cinco meses, também sem
dar nenhuma publicidade ao fato, a Casa da Moeda já cessara a fabricação
das moedinhas de 1 centavo. O Banco Central (de quem partiu a decisão)
acha que o brasileiro já arredonda os valores para cima. Por esse motivo,
a moeda de 1 centavo estaria sendo cada vez menos utilizada. Com isso, o próprio
BC, quem diria, incentiva o arredondamento e, portanto, uma (pequena) inflação.
| | Colaboraram
Daniela Pinheiro e Ronaldo França |