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Faça como Lula, irmão: se
sua calça tem um furo, use-a pelo avesso.
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Mordomias. Uma vez que o privilégio
é institucionalizado, a canalhice vira religião.
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DA LINGUAGEM
(acima e abaixo da superfície)
Enólogo é
quem entende de vinho, me ensinam. E por que os que falam de vinho
na minha frente estão sempre tomando uísque?
Eidético é
o cara capaz de reter com precisão e por longo tempo tudo
o que lê ou ouve. É comum os grandes mestres de xadrez
serem eidéticos. Aidéticos nem sempre jogam
bem xadrez.
Deixem de repetir que Lula emagreceu
12 quilos. É visível que não. Emagreceu
apenas 12 litros.
Por que todo mundo deu de chamar
de gratificação o ato de se sentir satisfeito?
Pra mim, e pra muita gente no Planalto, gratificação
é no mínimo 10%.
E por que se chama de terceirização
o ato de entregar a alguém uma tarefa? Ah, sei, porque no
meio disso tem sempre alguém secundando.
CAVE CANEM, GOVERNADOR
Chamado de Chuchu por não
ter "personalidade marcante", Alckmim começou a anunciar
que vai trabalhar pra chuchu, aumentar emprego pra chuchu e até,
no Carnaval do Rio, tomou sorvete de chuchu. Cuidado, governador,
com a criatividade do Duda ocasional que o está assessorando.
Aqui no Rio moça que dá muito logo é seguida
do aditivo: "Dá mais do que chuchu na serra". Como vê,
sobra trocadilho pra todo gosto.
CONSTATAÇÃO
Já não tô
nem aí pro Carnaval. Até dois ou três anos atrás,
com os coleguinhas João Ubaldo, Geraldinho Carneiro e Luis
Fernando Verissimo, íamos lá pro fundo do camarote
da Brahma, um quintalão, e ficávamos felizes, fofocando.
Era o único lugar de onde podíamos não ver
o Carnaval.
Já não posso mais
evitá-lo. Ele passa na minha porta, sobe no meu telhado,
enche meus ouvidos. Confirmando minha afirmativa: "A música
é a única arte que nos ataca pelas costas". E agora
o que nos ataca não tem mais nada a ver com música
e olha que eu entendo de cacofonia.
Vi tudo na televisão.
Entusiasmado. Sobretudo com a palavra criatividade, definindo
a ginga do moleque, a periquita da cabrocha brejeira e da grã-fina
dadivosa, o carro superdimensionado, sempre barroco, mas que eles
chamam de minimalista. Acompanhei, emocionado, palavra por palavra,
a narração dos narradores, o comentário dos
críticos, a filosofia dos bicheiros, a pesquisa dos pesquisadores,
a locução dos locutores, as declarações
emocionadas dos famosos e dos desconhecidos. O Brasil é realmente
o país do besteirol. Pelo menos no Carnaval, e na televisão,
é visível que não está preparado pra
inteligência humana.
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