Edição 1946 . 8 de março de 2006

Índice
Millôr
Lya Luft
Diogo Mainardi
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Veja essa
Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cartas

 
"Ser ambicioso não é pecado, é sinal de vitalidade. O problema está em se contentar com pouco. Que vida mais sem graça a dos conformados!"
Endrigo de Souza
Cordeirópolis, SP

Ambição

Uma pena, mas a arrogância e a vaidade desmedidas dos ambiciosos excessivos não lhes permitirão profundo entendimento da excelente matéria "A descoberta da ambição" (1º de março). Quando separada da humildade, a ambição é hóspede da ignorância e da estupidez.
Mirna Machado
Atibaia, SP  

Mais uma vez, VEJA abordou um tema complexo com competência e, entre os extremos, mostrou que existem formas aproveitáveis de usar a ambição em nosso dia-a-dia.
Francisco de Assis Garcia
Campinas, SP  

A matéria de VEJA sobre a descoberta da ambição é muito boa e mostra todas as variáveis e a complexidade relacionadas a ela. Não tenho dúvida nenhuma de que a ambição nada mais é que um estado de desespero e insegurança que bate nas pessoas. Pois quem tem capacidade de raciocínio lógico e inteligência conquista tudo o que quer na vida.
Luci Malpica Buzzulini
Campinas, SP  

A ambição pode impulsionar o homem para o caminho do bem ou do mal. Tudo depende de seu caráter.
Sergio Dias Nunes
São Caetano do Sul, SP

A ambição é um estado de espírito caracterizado pelo desejo veemente de conquistar um objetivo cuja consecução exige esforço, sacrifício e perseverança. No entanto, quando a ambição se limita a valores exclusivamente materiais, a situações de prestígio, por motivação egoísta, que tenta de todas as formas derrubar os outros, com o intuito de usurpar o lugar conquistado por mérito e esforço próprio, ela se torna um defeito de caráter.
Severino Coelho Viana
João Pessoa, PB  

Ambicionar coisas grandes pode gerar enormes conflitos. Devemos ambicionar coisas factíveis, pois a satisfação será a mesma.
Edvaldo Araujo
Salvador, BA

 

Steven Hayes

Vivemos a todo instante em busca da efêmera felicidade. O fato é que a dor sempre existirá, mas o sofrimento é opcional. Temos nossos valores, nossos pontos fracos, nossos limites, é preciso realmente conhecê-los e aceitá-los, tirando assim o maior proveito para viver sem medo (Amarelas, 1º de março). Obrigado, VEJA.
Ravel Inácio Costa Souza
João Pessoa, PB  

Extraordinária, objetiva e corajosa a teoria do psicólogo Steven Hayes. O doutor Steven falou com os olhos e desbravou nossos sentimentos ao deixar fluir a teoria de vencer os desafios enfrentando o sofrimento. Li e reli em voz alta, como se estivesse diante de uma orientação existencial. Enfrentar a dor, o sofrimento, a frustração é uma tarefa delicada e difícil. Ele nos ensina a tratar a dor sem receio de enfrentar o sofrimento. A matéria foi uma sessão terapêutica, com valor de exercício de aprendizagem, em que a receita prescrita tem validade indeterminada: a felicidade. Viver o presente, sem se ater ao passado, torna a vida mais leve e feliz.
Rose Cristine Salomão Carvalho Amorim
Brasília, DF  

Realmente não há como nos sentirmos felizes o tempo todo. É importante também sentir dor. No caso de perda, o normal é sentir dor. Temos de passar por essa etapa, pois só assim daremos valor à verdadeira felicidade, quando ela bater a nossa porta.
Kelli Pedroso
Porto Alegre, RS

O texto de Hayes, em plena festa de Carnaval seguida de uma Quarta-Feira de Cinzas, é enriquecedor. Lembra-nos de que não aprendemos a sofrer, como se não fora o sofrimento a própria vida. Vida como misto de luz e trevas, de fogo e cinzas. Cinzas que tomam espaço, quase sempre, com lentidão, numa prova clara de que não há muito a fazer para evitar sentimentos dolorosos.
Maria das Graças Targino
Teresina, PI  

Fugir da dor é negar nossa dimensão humana, é tratar sem respeito e levianamente uma manifestação da alma que pede exatamente o contrário: a reflexão, a reverência, a quietude.
Vera Souza Dantas
São Paulo, SP

A dor e o sofrimento não são naturais, posto que temos excelentes profissionais de saúde, pesquisando e buscando soluções para essas distorções que nos afligem. Quanto ao apoio recebido do governo americano para o desenvolvimento dos estudos do psicólogo, realmente é louvável que isso ocorra. Somente a direção dos recursos está incorreta: o normal é ser feliz!
Maria Lucia Barroso Leopardi
Valinhos, SP  

Em entrevista a VEJA, o psicólogo Steven Hayes diz que não há provas cientificamente consistentes da ação benéfica de antidepressivos sobre a doença depressão. Tal afirmação é temível e inconseqüente na medida em que milhões de pessoas ao redor do mundo se tratam dessa doença com essas medicações.
Marcelo Caixeta
Médico psiquiatra na UFGO
Diretor científico da Associação Goiana de Psiquiatria
Goiânia, GO  

Concordo plenamente com o que diz Steven Hayes. É utopia acreditar em uma felicidade total e plena. Ela depende da tristeza para existir, e a dor deve ser encarada como elemento natural desse processo. Um grande filósofo grego já dizia que "o prazer nasce da dor". Ou seja, o prazer de degustar um almoço só existe porque antes se passou pelo "desconforto" de sentir fome.
Breno Ponte de Brito
Teresina, PI

 

Carta ao leitor

A democracia só se consolidará quando todas as vertentes de compreensão tiverem ocupado o governo. Só agora se pode escrever sobre continuidade, que significa um salto de racionalidade. Mas um presidente bravateiro e palanqueiro é ainda uma marca de subdesenvolvimento cívico e político, assim como a corrupção não é circunstancial, embora levada a extremos sob a tutela deste presidente Lula (Carta ao leitor, 1º de março).
Harald Hellmuth
São Paulo, SP

 

Roberto Pompeu de Toledo

Mesmo sendo fã dos Rolling Stones, incomodou-me a idolatria pregada pelos meios de comunicação, principalmente com Bono Vox, um marqueteiro digno do PT. Aliás, será que ele e nosso presidente, a sós, se abriram numa troca de experiências marqueteiras visando, quem sabe, à reeleição ou à maior vendagem de discos? ("Histeria, patetice e rock'n'roll", 1º de março). Mas a pérola, a cereja do ensaio, foi a constatação do incremento em 100% das pessoas que acreditam que Lula trabalha para diminuir a fome e a miséria no mundo. Eta ambiçãozinha desmedida, ou melhor, eta marquetezinho danado de esperto, que leva à reeleição de um e à maior vendagem de discos de outro.
Marco Túlio Guimarães
Ribeirão Preto, SP  

Eu já me imaginava anormal, por não entender a histeria que se instala na juventude (e até em alguns não tão jovens), quando da apresentação dessas bandas malucas. Felizmente Roberto Pompeu de Toledo disse tudo aquilo que sempre pensei sobre o assunto.
José Felipe M. Campos
Teresina, PI  

Até que enfim aparece na mídia um texto sério e lúcido que ousa romper com a falsa "aura divina" dos shows de conjuntos de rock que aportaram no Brasil há dias. Sugiro aos educadores que divulguem e trabalhem esse precioso material didático, analisando-o com seus filhos e alunos em casa ou em salas de aula. Quem sabe assim não estaremos dando o primeiro passo para romper esse círculo vicioso de "histeria, patetice e rock'n'roll" em nossas novas gerações?
Zenaide Farnese de Assis
Brasília, DF  

Toledo me lembrou os profetas bíblicos: dedo na moleira, tocando fundo na ferida. Uma análise penetrante, expondo a tolice de um povo. Só faltou um detalhe, que é uma diferença fundamental entre o reformador social e o profeta: a perspectiva do futuro. Tem saída? Que opções temos? Toledo "profetiza" apenas a continuidade da histeria e da parvoíce.
Vilson Scholz
São Leopoldo, RS  

Tanto faz se o ídolo é pop ou alternativo. Os fãs realmente são capazes de enfrentar sol, chuva e várias outras condições desfavoráveis citadas no ensaio de Roberto Pompeu de Toledo. Afinal, muitas das pessoas que lotaram a Praia de Copacabana e por duas noites o Estádio do Morumbi, para assistir aos shows dos Rolling Stones e do U2, tiveram a oportunidade de presenciar a performance de duas bandas ícones de várias gerações. Histeria em excesso é desnecessário para contemplar um momento tão especial. Azar do esbaforido. Patetice é a TV e as revistas mostrarem o jeito como cada artista (global ou não) curtiu tal show enquanto passeava despreocupado em sua ala vip.
Paulo Eduardo Castellain
Blumenau, SC  

O poder que os ídolos da música exercem sobre o público é algo a ser estudado, um estudo até mesmo antropológico. A música é a linguagem dos deuses, algo transcendental, universal, que toca, que sacode, que põe para cima. Esse universo tão catártico é o substituto dos deuses do Olimpo.
Marcelo de Oliveira
Barretos, SP

 

Censura

Quero cumprimentar VEJA por levantar tantos assuntos importantes para o público leitor. Porém, um em especial de extrema gravidade foi o publicado na página 32 ("Uma nova tentativa de censurar a imprensa", 1º de março). É incrível como a todo custo o governo, sem fazer muito alarde, quer tomar conta do que há de mais importante para uma nação e seus cidadãos: a liberdade de expressão. Cercear a liberdade de imprensa é trilhar um caminho extremamente perigoso: o do controle do Estado sobre o cidadão. Devemos ficar muito, mas muito atentos, e VEJA está de parabéns por chamar atenção para isso.
Alberto Maurício Danon
São Paulo, SP

 

Câmbio

Com medidas beneficiando os especuladores e penalizando a cadeia produtiva, o curto prazo traz a sensação de estabilidade, mas vai acarretar um preço alto para alguns setores, principalmente o de agronegócio, setor de produção de soja, que vem pelo segundo ano consecutivo amargando perdas insustentáveis, produzindo em real e vendendo em dólar. O governo quer cesta básica barata à custa do produtor e depois canta glória em cima de trabalho alheio; estamos financiando a reeleição de Lula e depois... "Bem, depois tem mais quatro anos para consertar os erros" ("Por que o dólar não pára de cair", 22 de fevereiro).
Weynando Antonio Dijkstra
Carambeí, PR

 

Carmem Verônica

Fiquei surpreso com a matéria "Retorno triunfal" (15 de fevereiro). Admito: não sou fã de novela. Contudo, não dá para ser neutro quando vejo que, entre os escalados, figuram nomes como os de Fernanda Montenegro, Carmem Verônica, Íris Bruzzi, Serafim Gonzalez, Lima Duarte e Ítalo Rossi. Em outro horário temos Ankito, Nicete Bruno, Elizabeth Savala, Hilda Rebello, Neusa Maria Faro, Fulvio Stefanini e Ana Lucia Torre. A pura nata da teledramaturgia brasileira nos oferece momentos de inegável qualidade e nos faz perceber quantos ainda terão de se esforçar muito até ser realmente bons atores. Se não aprenderem com eles, com quem irão aprender?
Carlos G. Correa
Niterói, RJ

 

Diogo Mainardi

As férias do colunista Diogo Mainardi fizeram grande estrago. Sua ausência nas páginas de VEJA fez com que o presidente Lula subisse nas pesquisas. Que bom que Diogo está de volta. E, como Diogo não gosta muito ou nada de samba, acabo de saber que a Vila Isabel ganhou o Carnaval do Rio com patrocínio chavista: a expansão bolivariana chegou ao Carnaval do Rio de Janeiro ("Eu sou um fracasso", 1º de março).
Jarbas José Veiga
Londrina, PR

Valeu, Diogo! Em Goiânia fiquei mais famosa que a Katilce. Muito mais! Com a vantagem de que fui citada por uma figura de alta credibilidade. Só pela quantidade de gente que me ligou, parou na rua, mandou e-mail e recado (sim, estou no interior), vi que sua cruzada anti-Lula é um grande sucesso! Todos acham você o máximo! Agora vou curtir meus dias de glória!
Cláudia Zuppani
Goiânia, GO

Diogo, desta vez você se enganou. Acho que você não é "um fracasso", e sim um sucesso, pois até sem escrever conseguiu tantas cartas. É sinal de que realmente está incomodando Lula e seus companheiros, que certamente torciam para que o pior lhe tivesse acontecido.
Joselina Maria Chagas Maestro
Belo Horizonte, MG

Sua coluna faz falta, sim. Formadores de opinião não se lixam, servem, sim, para motivar uma sociedade que sofre calada.
Jorge Pasianot
Por e-mail

Ufa! Ele voltou, finalmente! Estávamos contando as horas para Diogo retornar das merecidas férias. Ele não pode deixar tantos leitores órfãos, sem notícias e sem seu bom ou mau humor.
Jonas Pedro Fabris
Por e-mail

 

Lula e a Telemar

Creio que a maioria dos leitores de VEJA ficou estarrecida com a reportagem "É ainda pior do que se pensava" (1º de março), que mostra o claro favorecimento obtido pelo filho do presidente Lula, advindo da concessionária estatal Telemar, algo equivalente a 15 milhões de reais. E, para piorar as coisas, ainda temos de aturar a reação raivosa do presidente quando diz que a imprensa devia respeitar a família dele. Se esse comportamento é aceitável e legal, certamente todos nós estamos vivendo sob a ação da máfia, que tudo pode e tudo faz.
Estácio Trajano Borges
Porto Velho, RO

Não dá para acreditar que uma pessoa que estagiava no zoológico acumule tamanha quantia em tão pouco tempo e seu pai diga "eu não sei de nada". E o mais inacreditável é que o pai continua sendo o favorito para ganhar a próxima eleição.
Danilo Ferreira
Valinhos, SP

Isso é que é Bolsa Família.
Lindsay Rodrigues
Cuiabá, MT

 

Ambição 2

Manifesto meu desagrado com a conduta editorial de VEJA na edição 1.945. A reportagem de capa sobre ambição não foi original e não foi mencionado que material semelhante já havia sido publicado na revista Time. As duas maiores influências no nível de ambição são a família, que produziu o indivíduo, e a cultura, que produziu sua família. Esse aspecto, que julgo essencial, mostraria ao leitor que as pesquisas realizadas nos Estados Unidos têm extrapolação limitada para os contextos brasileiros.
Airton Tetelbom Stein
Médico e professor titular de faculdade de medicina
Por e-mail

 

Amazônia

Vejo com tristeza e indignação a floresta sendo solapada por essa gangue inescrupulosa. O mais repugnante é constatar que as punições nunca chegam aos verdadeiros mentores. Parece que a corrupção tomou conta de tudo neste país! Agora é esperar para ver até quando o povo ficará nesse estado letárgico ("A floresta pagou a conta do PT", 1º de março).
Orlem Pinheiro
Manaus, AM

Para nós, que vivemos nesta região, o assunto já estava quase esfriando, tantas foram as ações do governo no sentido de que tudo fosse esquecido. A velha prática de "varrer o lixo para baixo do tapete", no que o PT tem se esmerado.
Orlando Bordallo Junior
Belém, PA

Cada vez mais percebo que o grande dificultador do desenvolvimento contínuo e efetivo do Brasil é a tremenda falta de vergonha dos governantes, principalmente os da fase Lula. Não obstante os inúmeros escândalos que envolvem o PT desde o início do mandato Lula, agora aparece mais um, destruindo a Floresta Amazônica.
Ricardo Luiz Lucchini
Itajubá, MG

 

Gente

Eu me surpreendi com a declaração da senadora Heloísa Helena dizendo que estava se "cuidando" e sendo fotografada sem "cara de professora" ("Atendendo a pedidos", Gente, 1º de março). Professora tem cara? Penso que a falta de vaidade da senadora é uma opção pessoal, não uma característica da classe das professoras. Sou uma professora e, assim como muitas das minhas amigas, gosto de estar bem-cuidada perante meus alunos.
Maria Laisa B.S. Cavalheiro
Curitiba, PR

 

Bancos

Alguns dias atrás, não sei por quê, eu me surpreendi com a declaração do presidente Lula de que estava fazendo a maior redistribuição de renda da história deste país. A matéria "Não há mau tempo para os bancos" (1º de março), sobre os lucros das instituições financeiras, me trouxe a luz. Ele está tirando cada vez mais da classe média por meio de impostos e redistribuindo para os bancos por meio dos juros altos decorrentes da gastança e do endividamento do Estado.
Ricardo Garcia
Jundiaí, SP

 

CORREÇÕES: O astronauta brasileiro Marcos Cesar Pontes não deixará a órbita terrestre, como informou a reportagem "Ao infinito e além – em marketing" (1º de março). O veículo em que ele será colocado em órbita é uma astronave e não uma aeronave. O site da Receita Federal (www.receita.fazenda.gov.br) foi publicado incorretamente no Guia (1º de março). O jogador italiano Totti lesionou um ligamento, e não um tendão da perna esquerda ("Tudo tem conserto", 1º de março).

 

Dica para os beijoqueiros

A leitora Maria Waldete de Oliveira Cestari, de Jaú, São Paulo, faz um alerta com relação à reportagem "Vinte beijos numa noite..." (8 de fevereiro). "Seria muito bom esclarecer quais as doenças que podem ser transmitidas com essa beijação. Um pai pode pensar que o filho está com uma simples dor de garganta, quando, na verdade, está com um dos sintomas da doença do beijo (mononucleose infecciosa)", diz Maria. Ela recomenda aos jovens beijoqueiros e a seus familiares que consultem as dicas de saúde da página do Ministério da Saúde na internet (http://dtr2001.saude.gov.br/bvs/dicas/ 49doenca_beijo.htm). Lá, eles terão informações sobre a doença, seus riscos e como evitá-la.

 
 
 
 
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