Edição 1946 . 8 de março de 2006

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Economia e idealismo

 

Celso Junior/AE
O bispo Scherer: "paraíso financeiro"

Espremidos na confluência dos juros reais mais altos com o crédito mais raro e caro do mundo capitalista, os empresários brasileiros vivem o que se poderia chamar, não sem certo exagero, de um inferno na terra. Na semana passada eles receberam um apoio inusitado. O bispo Odilo Scherer, secretário-geral da CNBB, condenou a atual situação e colocou a culpa no governo Lula, a quem acusou de ter feito do Brasil um "paraíso financeiro". O bispo em parte tem razão. O Brasil é um gigante disforme em que as atividades financeiras são hipertrofiadas em relação à produção. Essa distorção se deve principalmente à necessidade que o governo federal tem de arrecadar e de se financiar junto aos bancos.

A harmonização do organismo econômico brasileiro passa pela diminuição do tamanho do Estado, que precisa urgentemente ser ensinado a fazer mais e melhor com a mesma quantidade de dinheiro. Como fazer isso? Uma reportagem de VEJA adianta uma proposta. A idéia é congelar em valores de hoje durante alguns anos o volume de recursos de que o governo dispõe. Em termos práticos, isso significa que durante, digamos, cinco anos o Estado brasileiro teria anualmente 800 bilhões de reais – mais ou menos o que arrecadará em impostos em 2006. Nem um centavo a mais. A sociedade brasileira daria uma mesada ao Estado, que, como os jovens cheios de força mas sem juízo, teria de se virar com ela. O crescimento econômico cuidaria de mudar dramaticamente para melhor a relação entre a dívida e as riquezas nacionais expressas pelo PIB. Isso traria juros menores, mais investimento, mais empregos e qualidade de vida.

Há muito se estabeleceu a relação entre a voracidade estatal por recursos e a miséria da sociedade. Conhecido pela frase de que "o negócio deste país são os negócios", o presidente americano Calvin Coolidge (1872-1933) tinha uma cabeça econômica bem mais refinada. Ela produziu um conselho muito útil ao Brasil de hoje: "Os homens e as mulheres sustentam o governo com seu trabalho. Todo dólar que gastamos descuidadamente implica piora na vida dessas pessoas. Todo dólar que prudentemente economizamos significa maior abundância para todos. A economia é o idealismo em sua forma mais prática".

 
 
 
 
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