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Carta ao leitor
Economia e idealismo Celso
Junior/AE
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bispo Scherer: "paraíso financeiro" |
Espremidos na confluência dos juros reais mais altos com o crédito
mais raro e caro do mundo capitalista, os empresários brasileiros vivem
o que se poderia chamar, não sem certo exagero, de um inferno na terra.
Na semana passada eles receberam um apoio inusitado. O bispo Odilo Scherer, secretário-geral
da CNBB, condenou a atual situação e colocou a culpa no governo
Lula, a quem acusou de ter feito do Brasil um "paraíso financeiro". O bispo
em parte tem razão. O Brasil é um gigante disforme em que as atividades
financeiras são hipertrofiadas em relação à produção.
Essa distorção se deve principalmente à necessidade que o
governo federal tem de arrecadar e de se financiar junto aos bancos.
A harmonização do organismo econômico brasileiro passa pela
diminuição do tamanho do Estado, que precisa urgentemente ser ensinado
a fazer mais e melhor com a mesma quantidade de dinheiro. Como fazer isso? Uma
reportagem de VEJA adianta uma proposta. A idéia é congelar em valores
de hoje durante alguns anos o volume de recursos de que o governo dispõe.
Em termos práticos, isso significa que durante, digamos, cinco anos o Estado
brasileiro teria anualmente 800 bilhões de reais mais ou menos o
que arrecadará em impostos em 2006. Nem um centavo a mais. A sociedade
brasileira daria uma mesada ao Estado, que, como os jovens cheios de força
mas sem juízo, teria de se virar com ela. O crescimento econômico
cuidaria de mudar dramaticamente para melhor a relação entre a dívida
e as riquezas nacionais expressas pelo PIB. Isso traria juros menores, mais investimento,
mais empregos e qualidade de vida. Há muito
se estabeleceu a relação entre a voracidade estatal por recursos
e a miséria da sociedade. Conhecido pela frase de que "o negócio
deste país são os negócios", o presidente americano Calvin
Coolidge (1872-1933) tinha uma cabeça econômica bem mais refinada.
Ela produziu um conselho muito útil ao Brasil de hoje: "Os homens e as
mulheres sustentam o governo com seu trabalho. Todo dólar que gastamos
descuidadamente implica piora na vida dessas pessoas. Todo dólar que prudentemente
economizamos significa maior abundância para todos. A economia é
o idealismo em sua forma mais prática". |