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André
Petry Surto de autismo
"Lula
bem que poderia aproveitar e indicar Duda Mendonça como o
marqueteiro ou Delúbio Soares como o tesoureiro"
Os jornais noticiam que o presidente Lula resolveu indicar o ministro Antonio
Palocci, da Fazenda, para ser coordenador de sua campanha reeleitoral. É
uma ousadia ímpar, para dizer o mínimo: Lula está colocando
no centro de sua campanha o ministro mais suspeito de seu governo desde que José
Dirceu foi demitido da Casa Civil. Palocci prestou três depoimentos em comissões
no Congresso, mas nunca esclareceu nada e deixou ainda mais suspeitas no ar. Com
isso, Palocci vive enredado por uma teia tenebrosa. É suspeito de ter montado
um esquema de mensalinho em Ribeirão Preto, de ter arrecadado dinheiro
clandestino na campanha de Lula, de ter-se cercado de assessores ávidos
por negócios ilícitos, de dissimular suas visitas ao casarão
que funcionava em Brasília como "central de negócios", de esconder
que usava o mesmo jatinho que viajou com o dinheiro de Cuba...
São tantas as suspeitas em torno de Palocci que sua indicação
para comandar a campanha de Lula só pode ser interpretada como um deboche
lançado a todos aqueles que não se esqueceram. Ou, então,
é a expressão mais cabal de que Lula pretende comportar-se na campanha
reeleitoral como um autista que nunca ouviu falar em mensalão. Se é
assim, Lula bem que poderia aproveitar e indicar Duda Mendonça como o marqueteiro
ou Delúbio Soares como o tesoureiro, ora.
Tem-se discutido de que forma Palocci sairia do ministério se abandonaria
o cargo sendo substituído por outro ministro, ou se pediria uma licença
temporária e seu cargo seria ocupado por um interino. A hipótese
de Palocci ser substituído por outro ministro tem um problema ético,
veja só: é que o ministro mais cotado é Paulo Bernardo, do
Planejamento, que anda enroscado em suspeitas de rechear o caixa dois do PT em
campanhas eleitorais no Paraná, sua base eleitoral. Parece piada. Um ministro
na Fazenda com problema ético parece não ser um empecilho neste
governo. Por que seria na coordenação da campanha?
O formato da saída de Palocci se deixa o cargo ou se pede licença
é um assunto fora da esfera política. Eis o ponto a que chegamos:
diz-se que o ministro teme que, deixando o cargo e virando um cidadão comum,
possa acabar sendo preso. Se pedir apenas uma licença, talvez possa seguir
com o status de ministro e assim manter o foro privilegiado e escapar.
É um tanto constrangedor que um ministro, e futuro coordenador de campanha,
esteja preocupado com a forma mais eficaz de escapar da Justiça, mas isso
parecer ser o de menos. • • •
Algumas luzes, modestas ainda, surgem no fim do túnel: o senador Demosthenes
Torres, do PFL de Goiás, disse que está na hora de deixar de lado
os "pudores tucanos" e investigar a relação entre Lulinha, filho
do presidente, e a Telemar. A senadora Heloísa Helena, do P-SOL de Alagoas,
pediu que o Congresso abra uma investigação para saber os motivos
verdadeiros que levaram a Telemar a aplicar cerca de 15 milhões de reais
na empresa de Lulinha, a Gamecorp. |