Edição 1 639 - 8/3/2000

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DISCO

A Viola e Minha Gente, Renato Andrade (Lapa Discos, e-mail: apa@metalink. com.br) Andrade é um dos mais consagrados intérpretes da música caipira de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso, aquela que predominava antes do advento dos sertanejos agroboys. Seu instrumento é a viola, prima portuguesa do violão, com dimensões menores e afinações diferentes. Neste CD, ele faz um mapeamento de como a viola é utilizada nos vários estilos musicais ligados ao universo interiorano. Numa faixa, ela se presta às influências da guarânia paraguaia. Em outra, aos ritmos nordestinos. Numa terceira, imita as caixinhas de música que faziam as delícias das mulheres dos fazendeiros de antigamente. Em nenhum momento o disco cai na simples pesquisa folclórica. Virtuose em seu instrumento, acompanhado por um ótimo violonista, Andrade faz música para ser apreciada por qualquer ouvinte de bom gosto.

VÍDEO

The Doors Live in Europe 1968 (Eagle/ ST2 Vídeo) Este documentário é considerado o melhor registro dos shows dos Doors, um dos ícones dos anos 60. Ele mostra passagens de quatros espetáculos realizados na Europa três anos antes da morte do cantor Jim Morrison, por overdose de drogas. O grupo, que estava no apogeu, interpreta clássicos como Light My Fire e Hello, I Love You, enquanto o guitarrista Paul Kantner dá uma série de depoimentos. Quem assistiu ao edulcorado filme de Oliver Stone sobre o grupo agora tem a chance de conhecê-lo de verdade.

Veja também
Introdução do documentário:
Grace Slick e Paul Kantner - 3 MB (em Quicktime)
Uso de drogas em Amsterdã - 4.5 MB
Clipe de Hello, I Love You" - 13.9 MB
Entrevista com Jim Morrison sobre Hello, I Love You
+ clipe da música (em .zip) - 14 MB

LIVROS

O Papa de Hitler, de John Cornwell (tradução de A.B. Pinheiro de Lemos; Imago; 472 páginas; 40 reais) — Desde que foi lançado na Inglaterra e nos Estados Unidos, no final de 1999, este livro vem causando polêmica. Seu autor sustenta que o papa Pio XII, cujo pontificado durou de 1939 a 1958, não foi apenas omisso com relação aos crimes nazistas contra judeus, mas colaborou ativamente para que Hitler subisse ao poder e implantasse suas políticas de extermínio. Cornwell, que é inglês, pesquisou em diversos países e teve acesso a documentos confidenciais do Vaticano. Embora em alguns momentos se tenha deixado levar pela indignação, escreveu um livro que no geral é bastante equilibrado. Segundo os especialistas, as revelações de Cornwell podem até complicar o processo de beatificação de Pio XII, atualmente em andamento na Igreja.

 

O Colecionador de Ossos, de Jeffery Deaver (tradução de Ruy Jungman; Record; 480 páginas; 30 reais) Em 99% dos casos, os romances adaptados pelo cinema permanecem melhores do que os filmes que deles resultam. Esta não é uma exceção. A única vantagem que O Colecionador de Ossos das telas tem em relação à obra de Jeffery Deaver está na presença da estonteante atriz Angelina Jolie. No mais, o livro leva vantagem. O suspense é maior e os calafrios também. Deaver é excelente na descrição dos truques tecnológicos e métodos científicos empregados pela polícia e pelos médicos legistas na tentativa de desvendar crimes. Seu herói é um médico, Lincoln Rhyme, que ficou tetraplégico depois de um acidente. Quanto às cenas de assassinato, elas também são apresentadas com minúcias "cirúrgicas". É de arrepiar.

Desailly e Françoise: o amor ao estilo de Truffaut

Um Só Pecado (La Peau Douce; França; 1964; em cartaz em São Paulo) Poucos cineastas europeus sabiam contar histórias de amor como François Truffaut (1932-1984). Este filme, apresentado em novas cópias, é um excelente exemplo de sua maestria. Pierre (Jean Desailly) é um homem bem casado que certo dia se apaixona pela aeromoça Nicole (Françoise Dorléac). Ele fica em dúvida entre a segurança do lar e a aventura extraconjugal. Basta esse fio de enredo para Truffaut realizar uma fita magnífica, que mexe com várias emoções do espectador.


TELEVISÃO

Especial Gabriel García Márquez (Quinta-feira às 22h e sexta às 2h, no People + Arts) Caprichado perfil do escritor colombiano, mestre do estilo conhecido como "realismo fantástico". Num alentado depoimento, García Márquez, ou "Gabo" (apelido que ganhou de seus compatriotas), revela que sua principal fonte de inspiração foi a própria família. Ele decidiu tornar-se escritor ainda na infância, depois de se encantar com as histórias de guerras contadas pelos seus avós maternos. Da família de Márquez também saíram os personagens de seus dois principais romances, Cem Anos de Solidão e O Amor nos Tempos do Cólera.