Edição 1 639 - 8/3/2000

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Maldição da juba

E eis que Floriano Peixoto é obrigado outra
vez a usar uma cabeleira para lá de esquisita

 
Reinaldo Teixeira
André Moreau
Peixoto como Frederico Berger, em Esplendor
(à esq.), e como Sarita, em Explode Coração:
nada de creme rinse

O ator Floriano Peixoto é um tipo vistoso. Muita gente acha, inclusive sua ex-namorada, a magnífica Vera Fischer. A loirinha Letícia Spiller, dizem, também aprecia muito os dotes do moço. Só quem não gosta de sua estampa são os diretores da Rede Globo. Não há personagem importante que ele interprete sem que lhe imponham uma cabeleira ridícula. Na novela Explode Coração, o artifício fazia algum sentido, já que ele vivia a transexual Sarita. Mas o que dizer do seu Frederico Berger, protagonista de Esplendor, a novela das 6? O ator ostenta uma juba desgrenhada e grisalha, semelhante à que o ator Mel Gibson usou no filme Coração Valente. A explicação para a estranha aparência de Berger é que, na condição de um homem atormentado por uma tragédia familiar, ele deixou de se cuidar. "É como se tivesse desistido da vida", diz a produtora de arte, Yurika Yamasaki, responsável pelo visual dos atores.

O problema é que Berger abandonou o barbeiro, mas não parou de freqüentar o alfaiate. Seus ternos têm corte impecável e a gravata está sempre ajustada ao colarinho bem engomado. Um sujeito que não está nem aí para o seu visual deveria andar mal vestido, amarrotado e, quiçá, meio sujo. "O personagem vive essa contradição", desconta Peixoto. Para compô-lo, o ator se submeteu, durante quatro dias, à técnica de alongamento dos cabelos conhecida como megahair. Fios mais compridos são colados aos fios naturais da pessoa. Para evitar que a cola se solte antes do tempo, ele deve evitar usar creme rinse, o que explica o estilo bombril de sua atual cabeleira. Tanto esforço não é reconhecido pela turma do laquê. "Está de-plo-rá-vel. Sinto nojo", opina a cabeleireira Ruddy, responsável pelas madeixas de atrizes globais.

A cabeleira amarfanhada de Floriano é inadequada para compor o personagem, um pavor do ponto de vista estético e uma aberração levando-se em conta a época em que se passa a novela. Na década de 50, os homens não usavam cabelos compridos. A menos, é claro, que estivessem internados num hospício ou quisessem incorporar o estilo dos poetas românticos do século XIX. Por isso, aqui vai a sugestão: corte logo esse cabelo, Peixoto!