Maldição da juba
E eis que Floriano Peixoto é obrigado outra
vez a usar uma cabeleira para lá de esquisita
Reinaldo Teixeira
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André Moreau
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Peixoto como Frederico
Berger, em Esplendor
(à esq.), e como Sarita, em Explode Coração:
nada de creme rinse |
O ator Floriano Peixoto é um tipo vistoso. Muita gente
acha, inclusive sua ex-namorada, a magnífica Vera Fischer.
A loirinha Letícia Spiller, dizem, também aprecia muito
os dotes do moço. Só quem não gosta de sua estampa são os
diretores da Rede Globo. Não há personagem importante que
ele interprete sem que lhe imponham uma cabeleira ridícula.
Na novela Explode Coração, o artifício fazia algum
sentido, já que ele vivia a transexual Sarita. Mas o que
dizer do seu Frederico Berger, protagonista de Esplendor,
a novela das 6? O ator ostenta uma juba desgrenhada e grisalha,
semelhante à que o ator Mel Gibson usou no filme Coração
Valente. A explicação para a estranha aparência de Berger
é que, na condição de um homem atormentado por uma tragédia
familiar, ele deixou de se cuidar. "É como se tivesse
desistido da vida", diz a produtora de arte, Yurika
Yamasaki, responsável pelo visual dos atores.
O problema é que Berger abandonou o barbeiro, mas não parou
de freqüentar o alfaiate. Seus ternos têm corte impecável
e a gravata está sempre ajustada ao colarinho bem engomado.
Um sujeito que não está nem aí para o seu visual deveria
andar mal vestido, amarrotado e, quiçá, meio sujo. "O
personagem vive essa contradição", desconta Peixoto.
Para compô-lo, o ator se submeteu, durante quatro dias,
à técnica de alongamento dos cabelos conhecida como megahair.
Fios mais compridos são colados aos fios naturais da pessoa.
Para evitar que a cola se solte antes do tempo, ele deve
evitar usar creme rinse, o que explica o estilo bombril
de sua atual cabeleira. Tanto esforço não é reconhecido
pela turma do laquê. "Está de-plo-rá-vel. Sinto nojo",
opina a cabeleireira Ruddy, responsável pelas madeixas de
atrizes globais.
A cabeleira amarfanhada de Floriano é inadequada para compor
o personagem, um pavor do ponto de vista estético e uma
aberração levando-se em conta a época em que se passa a
novela. Na década de 50, os homens não usavam cabelos compridos.
A menos, é claro, que estivessem internados num hospício
ou quisessem incorporar o estilo dos poetas românticos do
século XIX. Por isso, aqui vai a sugestão: corte logo esse
cabelo, Peixoto!