Na idade da beleza
Fotos: Oscar Cabral e Fernando Pimentel
Cristina Poles, Monica Gailewitch
e Sandra Boccia
Luiza, Mara Lúcia, Fátima, Cristiana, Claudia
e Luma passaram dos 35 anos. Como toda uma geração
atual de mulheres que se cuidam com as mais modernas técnicas
da estética e recursos da medicina, elas não
têm a menor saudade do corpo que exibiam aos 20 anos.
A palavra é delas:
Fisicamente estou melhor do que antes e psicologicamente
me sinto mais segura atesta a ex-modelo e
empresária Luiza Brunet, 37 anos, dois filhos, uma
de 12 anos e outro de 9 meses.
Aproveito a experiência dos 40 anos
com um corpo de 20 orgulha-se Fátima
Simonsen, de 39 anos, mãe de duas meninas, a mais
velha de 11 e a caçula de 8.
Até pouco tempo atrás, seria inimaginável
ouvir uma mulher falar com tanto entusiasmo, sem uma ponta
de dissimulação, sobre a chegada à
idade madura. "Hoje, a mulher madura não faz mais
parte do arquivo morto", diz o psiquiatra Claudio Novaes
Soares, pesquisador da Universidade Harvard, nos Estados
Unidos. Pode ser Luiza, pode ser Fátima, qualquer
uma que chegue à idade delas, com a mesma jovialidade,
é o espelho do avanço dos costumes e da ciência,
que encaminhou soluções práticas para
a proteção e o tratamento do corpo feminino.
Foi preciso muito tempo para que a medicina desvendasse
as peculiaridades do sexo feminino. Até o século
XIX, do ponto de vista dos médicos, as mulheres não
passavam de um par de ovários ligados a um ser humano,
conforme a clássica definição do antropólogo
e pesquisador alemão Rudolf Virchow (1821-1902),
pioneiro do estudo das doenças pelo exame das células.
Somente a partir dos anos 20 os cientistas explicaram de
uma vez por todas como funciona o ciclo menstrual. Por muito
tempo, acreditou-se que a ovulação acontecia
durante a menstruação tal qual
ocorre entre os animais.
Fotos: Oscar Cabral e Armando Gonçalves

Luma, em 1990
e hoje: da flacidez
escondida sob
a meia às pernas
torneadas
Com a derrubada definitiva dessa tese, abriu-se o caminho
para o entendimento mais preciso da reprodução
humana, que culminou no desenvolvimento da pílula
anticoncepcional. A pílula mudou mais a vida das
mulheres do que o sufrágio universal e a minissaia.
Os estudiosos sustentam que foi só a partir dessa
descoberta que a medicina bifurcou-se, criando o ramo especializado
na fisiologia feminina, que começa agora a dar seus
resultados mais evidentes. Desde então, as pesquisas
científicas sobre o comportamento, a saúde
e a psicologia feminina se multiplicaram. A possibilidade
de envelhecer com beleza e saúde é uma conquista
recente na história das mulheres. Com poucas exceções,
as mães das jovens adultas de hoje eram consideradas
aposentadas para a beleza e para o sexo ali pelos 40 anos.
Por assim dizer, estavam fora do mercado a partir dessa
faixa etária, muitas vezes bem antes. Os inimigos
eram facilmente identificáveis. Pele do rosto ressecada
ou estufada por bolsas de gordura. Flacidez nas nádegas
e nas coxas, além de celulite em demasia. Peitos
e braços amatronados (pelo volume excessivo ou pelo
relaxamento dos tecidos). Isso era o que se via por fora.
Por dentro também se processava um envelhecimento
que, para os padrões de hoje, era prematuro.
Os métodos de diagnóstico e tratamento de
doenças tipicamente femininas passaram a ocupar um
papel central. Descobriu-se, como regra geral, que é
preciso atuar precocemente sobre o organismo. Até
o início dos anos 90, a mamografia, por exemplo,
só era indicada depois dos 45 anos. "Hoje, o tempo
ideal para o diagnóstico foi adiantado em dez anos",
alerta o ginecologista João Carlos Mantese, de São
Paulo. O acompanhamento de perda de massa óssea para
a detecção precoce da osteoporose agora também
foi antecipado: a partir dos 40 anos. O controle da pressão
arterial e dos níveis de colesterol no sangue para
prevenir doenças do coração também
é uma nova arma em favor das mulheres. Até
dez anos atrás, era preocupação majoritariamente
masculina.
Fotos: Ana Elisa Oriente e Claudio Rossi

Cristiana:
fisionomia mais jovem
hoje do que há quinze anos
graças a mudanças
de hábito
Rugas, flacidez, gordura localizada, celulite. Infertilidade,
tensão pré-menstrual, osteoporose, câncer
de mama e de útero, menopausa. Os fantasmas a ameaçar
o bem-estar e a beleza femininas são muitos. As armas
para retardar o envelhecimento e evitar as doenças
típicas da idade estão atualmente ao alcance
de um número maior de mulheres do que em qualquer
outra época da história. As clínicas
de estética espalham-se por todo o país oferecendo
tratamentos refinados que antes eram caros e inacessíveis.
O sonho dourado de toda mulher nos anos 70 e 80 era passar
uma temporada na clínica da doutora Anna Aslan, uma
misteriosa geriatra romena que atendia milionários,
estrelas de cinema e chefes de Estado em seu xanadu em Bucareste.
Uma semana na clínica Aslan, que chegou a ter no
seu corpo médico o cirurgião sul-africano
Christian Barnard, pioneiro dos transplantes de coração,
custava 10 000 dólares. Só o tratamento. A
hospedagem e a viagem aérea tornavam o custo de consultar-se
na clínica um luxo acessível a poucos mortais.
Pois bem, a qualidade dos tratamentos que se pode obter
atualmente em uma clínica estética de boa
reputação e com médicos geriatras em
qualquer grande cidade brasileira dá de goleada nos
ungüentos à base de embrião de carneiro
com que a médica romena lambuzava o rosto e o corpo
dos poderosos no passado. O que não faltam são
consumidoras. Em 1999, os cremes e as loções
antienvelhecimento movimentaram 466 milhões de reais
um salto de quase 30% em relação
ao ano anterior. Foram feitas mais de 300.000
operações plásticas nos hospitais brasileiros
no mesmo período. Um crescimento de quase 500% em
dez anos.
Os tratamentos e os cremes atuais são tão
potentes que sua formulação saiu do reino
da cosmética para o da medicina. O FDA, organismo
governamental americano, que dá a garantia de segurança
para remédios e alimentos vendidos nos Estados Unidos,
passou recentemente a se ocupar de cosméticos. O
FDA criou o Office of Women's Health, uma divisão
inteira dedicada exclusivamente a cuidar de questões
ligadas aos tratamentos médicos e estéticos
oferecidos às mulheres. A Associação
Médica das Mulheres Americanas reúne milhares
de profissionais especialistas em questões femininas.
Criada há dois anos, a entidade já concentra
um enorme banco de dados de pesquisas sobre a mulher madura.
"Exames rotineiros podem detectar doenças em seu
estágio inicial. Dietas saudáveis e exercícios
moderados e regulares podem prevenir problemas de saúde
e melhorar a aparência e saúde das mulheres
maduras", escreveu a médica Judith Ahronheim, num
artigo sobre o atual estágio das pesquisas.
Fotos: Oscar Cabral/Arquivo pessoal

Viva o bisturi: o corpo
de Mara aos
43 anos dá
de 10 na silhueta
que ela ostentava
aos 28
A formulação da frase acima é simples.
Seus resultados práticos são formidáveis.
"O importante é intercalar as atividades e diversificar
os movimentos", ensina o personal trainer Mauro Guiselini,
de São Paulo. Luiza Brunet que o diga. Anos atrás,
ela imaginava que só conseguiria um corpo bem esculpido
se abusasse da musculação. "Puxava ferro",
como se diz no jargão das academias, diariamente
pesos de 50 quilos nos exercícios para
as pernas. Hoje, não. Combina a musculação
com aeróbica e alongamento. Depois de duas gestações,
aos 37 anos, a silhueta dela é mais equilibrada e
sua saúde mais sólida que no passado.
Ao engravidar pela primeira vez, em 1985, a empresária
Cristiana Arcangeli foi alertada que fazer atividades físicas
durante a gestação era um perigo. No máximo,
uma sessão de ioga aqui, outra de relaxamento ali.
Resultado: quando Bianca nasceu, a mãe estava 12
quilos acima do peso. Foram necessários seis meses
para voltar à forma. No final da década de
90, pesquisadores americanos jogaram uma pá de cal
no velho mito. A prática regular de ginástica
durante a gravidez não é apenas hábito
seguro, mas recomendado. Quatro horas semanais de atividade
aeróbica, com moderação, evitam o parto
prematuro ao aprimorar o tônus muscular e o sistema
imunológico. Quem olha para Cristiana hoje não
diz que há cinco meses ela deu à luz Isabela.
A empresária está enxutérrima: barriga
durinha, braços e pernas com músculos delineados.
Como? Exercitando-se (moderadamente, é bom repetir)
até o sétimo mês de gravidez. Hoje,
aos 38 anos, sente-se, e parece realmente, mais bonita e
mais bem disposta que aos 23.
Fotos: Selmy Yassuda/Arquivo pessoal

Claudia deu
adeus às
formas retas
e à pele sem
viço: ginástica
disciplinada
As mulheres mudam o jeito de olhar para si mesmas. "Elas
estão se sentindo mais atraentes e confiantes", diz
o psicólogo Angelo Monesi. A libido masculina atinge
o ápice por volta dos 20 anos. A feminina, por volta
dos 35. Só isso já é uma vantagem espetacular
para o campo das mulheres. "A revolução sexual,
na década de 60, foi apenas o pontapé inicial
na libertação feminina", afirma a psicóloga
Amparo Caridade, da Universidade Católica de Pernambuco.
"Agora é a hora da explosão da feminilidade."
As jovens senhoras sabem disso. "Foi-se o tempo em que só
a mulher jovem era bonita e atraente", diz a advogada carioca
Claudia Slopper, 40 anos, um filho de 24 e outro de 21.
Dona de curvas voluptuosas, Claudia vira o centro dos olhares
masculinos por onde passa.
Com os avanços na criação de outras
técnicas e no aperfeiçoamento dos instrumentos,
as cirurgias estéticas tornaram-se menos invasivas
e mais seguras. Em 1980, a lipoaspiração ampliou
os limites da plástica. Passou a ser possível
retocar cinturas, culotes e nádegas sem as cicatrizes
deixadas pelas cirurgias tradicionais. Na época,
a gordura ainda era aspirada com cânulas de grosso
calibre 1,2 centímetro de diâmetro.
Os resultados, não raras vezes, pioravam a situação.
Hoje, além de agulhas bem mais finas, surgiram
outras técnicas, como a lipoaspiração
ultra-sônica. As ondas emitidas pelo aparelho destroem
as células gordurosas, reduzindo o sangramento e
a agressão ao organismo do paciente. Novas próteses
de silicone, texturizadas ou cobertas com esponja de poliuretano,
reduzem o processo de cicatrização interno.
"Com isso, o risco de endurecimento das mamas caiu de 40%
para 4% dos casos", afirma Luiz Carlos Garcia, presidente
da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
Aos 35 anos, a ex-modelo e empresária Luma de Oliveira
é prova esfuziante desses avanços. Em 1996,
depois do nascimento do segundo filho, lipoaspirou as gordurinhas
extras da barriga. No ano seguinte, afilou o nariz. No outro,
avolumou os seios o tamanho do sutiã
foi do 38 para o 40. Além das intervenções
cirúrgicas, há dois anos Luma decidiu suar
de verdade. Três horas de ginástica por dia
corrida na esteira, musculação
e 400 abdominais. Resultado: 58 quilos distribuídos
em 1,74 metro de altura. Ela hoje está apenas 2 quilos
acima do que apontava a balança quando começou
a carreira, aos 16 anos. A simples aritmética nesse
caso significa pouco. Uma das grandes descobertas em busca
da silhueta alinhada é a certeza de que o peso em
si não é um indicador muito confiável.
Músculo pesa mais que gordura. Por isso, apesar de
mais pesada, a Luma rainha da bateria da Viradouro deste
Carnaval não tem aquela barriguinha saliente e molenga
da Luma musa da Caprichosos de Pilares do Carnaval de 1990.
Tem mais. As pernas bem esculpidas de agora dispensam as
meias usadas para disfarçar a celulite e flacidez
das pernas da Luma de 25 anos de idade. Naquela época
ela tinha a juventude do lado dela, mas o arsenal médico
e estético a favor da beleza ainda era um tanto arcaico.
Fotos: Antonio Milena/Arquivo pessoal

De mocinha
franzina a
mulherão:
Fátima ganhou
um novo perfil graças
à musculação
|
Com
reportagem de Silvia Rogar, do
Rio de Janeiro
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