Edição 1 639 - 8/3/2000

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
Geral
Robert Shapiro, o homem dos transgênicos
Casais que vivem e trabalham em cidades diferentes
Aumentam os anos de estudo dos brasileiros
A Swat paranaense
Maternidades mostram recém-nascidos na internet
Famílias tentam preservar fábricas tradicionais
PlayStation2, o videogame revolucionário
Crédito educativo terá fiança
A guerra dos camarotes no Sambódromo carioca
O arsenal científico que retarda o envelhecimento
Economia e negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Colunas
Stephen Kanitz
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Veja recomenda

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


 

Folia de estrelas

Os camarotes dos famosos na Sapucaí
terão pouco samba, nenhum suor e
muito mais do que cerveja

Marcelo Camacho e Silvia Rogar

Selmy Yassuda

Que samba, suor e cerveja, que nada. Batuque mesmo só vai rolar lá fora, na Marquês de Sapucaí, onde alguns se lembram de dar uma espiada de vez em quando. Suor, argh!, nem pensar. Quem consegue suar em camarotes equipados com possantes sistemas de ar-condicionado central? Completam o frescor — ou a frescura, como queiram — borrifadores de água, instalados aqui e ali, que expelem microgotículas de água sobre os mais calorentos. Quanto à cerveja... Bem, a ela está reservado o papel de figurante, ao lado do uísque, das bebidas energéticas e dos melhores acepipes. Será assim o Carnaval dos convidados para os dois camarotes mais badalados do Sambódromo carioca, o da Brahma e o do iG, o provedor de acesso à internet. Os felizardos são ricos ou famosos (em apenas poucos casos as duas qualidades coexistem) ou tão-somente descolados. Aquele tipo de sujeito que é amigo do primo do namorado daquela ex-colega de escola, lembra?

A Brahma patrocina neste ano sua décima e maior festa no Sambódromo. Serão 1.200 convidados em cada noite de desfile, espalhados por 2 500 metros quadrados de área (750 a mais do que no ano passado). É gente de todo tipo, de modelos gostosonas a jogadores de futebol, de atriz de Malhação a ator de novela das 8. O camarote do iG, por sua vez, terá 560 metros quadrados, onde 350 convidados deverão bater ponto a cada noite. O iG quer estrear de salto alto na passarela do samba, com um conteúdo, por assim dizer, "mais selecionado". Traduzindo: nada que se encaixe na trinca jogador de futebol/dançarina loura/pagodeiro. "Convidamos só as pessoas mais bem-sucedidas de cada área", esnoba a produtora Bia Aydar. Entre os eleitos do provedor constam o apresentador Luciano Huck, o cineasta Hector Babenco, o ator Eduardo Moscovis, a atriz Vera Fischer e a modelo Luciana Gimenez, a mãe do filho de Mick Jagger, sem dúvida uma moça muito bem-sucedida na sua área. O iG tentou cooptar também a ex-estagiária Monica Lewinsky, aquela que dava expediente na Casa Branca ao lado do presidente Bill Clinton. Preço do cachê da moça: 50.000 dólares. Monica só não veio porque sua agenda está cheia. Já pensou o sucesso boca-a-boca que ela faria na avenida e adjacências?

 

Oscar Cabral

A concorrente vai de Romário, Regina Duarte, Tiazinha, Wanderley Luxemburgo, Ana Maria Braga, Marco Nanini, Ivete Sangalo, Costanza Pascolato, Edmundo e Gustavo Franco. Time eclético, como se vê. Até o último momento, os marqueteiros da cervejaria e do provedor corriam atrás da atriz americana Sharon Stone, uma atração para lá de fatal. Que ficou de dar resposta, sabe como é... Para levar toda essa gente aos camarotes, as empresas recorrem aos promotores de eventos donos das melhores agendas de telefone do país. Quem comanda a lista da Brahma é o empresário José Victor Oliva, que neste ano contratou sete assistentes para distribuir os convites. Bia Aydar, do iG, teve a ajuda de cinco pessoas. Eles têm um trabalhão para botar o bloco na rua. Ao mesmo tempo que é preciso seduzir o famoso para que ele aceite seu convite, e não o do vizinho, é necessário driblar os bicões que estão aí para toda e qualquer boca-livre. "Chegamos a receber mais de 500 pedidos por dia", diz José Victor Oliva. "Nessa época do ano, para não acabar louco, troco até o número do meu celular." Há poucos dias, a socialite carioca Márcia Pinheiro e a cantora Baby do Brasil ofereceram-se para figurar no camarote da Brahma. Em geral, essas "ofertas" são bem acolhidas. A dificuldade é quando o bicão quer levar "uns amigos". Anos atrás, o cantor Caetano Veloso, que não havia sido convidado para o camarote da cervejaria, tentou entrar. Teria até conseguido, não estivesse ele acompanhado de vinte pessoas. Sim, vinte.

Só tem acesso aos camarotes quem vestir a peça de roupa com a marca do patrocinador da festa, em geral uma camiseta detestável. É com essa camiseta também que o famoso posará para dezenas de fotógrafos, garantindo assim farta publicidade para a marca anfitriã. Por isso o dinheiro investido é alto. No caso do camarote da Brahma, os gastos deste ano ultrapassaram 1,5 milhão de reais. Entre outros atrativos, o espaço contará com uma piscina de bolinhas, como aquelas das festas infantis, com 8 metros de comprimento. A intenção é a de que os marmanjos mergulhem ali para, humm..., brincar. Será que cola? O camarote do iG, menos lúdico, colocará à disposição de seus convidados cabeleireiros, maquiadores e massagistas para aliviar as dores da folia. Com tantas mordomias, não é de estranhar que muita gente tenha aceitado convites para os dois camarotes. A turma de ubíquos é composta de Suzana Vieira, Adriane Galisteu, Angela Vieira, Gabriela Duarte, Miguel Falabella, Raul Cortez, Marina, Dona Zica, Glória Pires e Thiago Lacerda. Todos ansiosamente aguardados tanto na Brahma quanto no iG. "Quem vier ao nosso não vai querer comparecer a nenhum outro", proclama Bia Aydar. "As pessoas podem até dar uma passada em outro camarote, mas é no da Brahma que as coisas acontecem", devolve José Victor Oliva. Apesar das estocadas, como a concorrência ocorre entre uma cervejaria e um provedor de acesso à internet, produtos bem diferentes, o clima de rivalidade é menos selvagem do que quando o camarote da Brahma concorria com o da Antarctica. A propósito: mesmo agora, em tempos de AmBev, não será servida cerveja Antarctica no camarote da Brahma.