Edição 1 639 - 8/3/2000

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Eles já nascem na internet

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Uma história da redação de VEJA

Berçários virtuais, com fotos de recém-nascidos, fazem a alegria de pais e avós corujas

Ricardo Villela

 

As fotos de três recém-nascidos na internet: visitas de parentes que moram longe

Arthur Castro Cherpak, um bebezão de 47 centímetros e 3 quilos, nasceu de cesariana, no Recife, na manhã de 1º de fevereiro. Até o final da tarde, já tinha recebido "visitas" de primos que moram em Israel, na França e na Inglaterra. Mensagens e votos de felicidades chegaram da Califórnia, da Flórida e da cidade de São Paulo, onde vivem alguns tios. Uma prima o conheceu sem sair de Belém. O pimpolho também foi apresentado a uma amiga de sua mãe que mora no Rio de Janeiro e a parte da família de seu pai que vive na Paraíba. Isso só foi possível porque, duas horas depois do nascimento, Arthur vestiu sua primeira roupinha, posou para fotografias e ganhou sua página na internet. Em questão de minutos, toda a família espalhada pelo mundo estava a um clique de mouse de sua foto. "Foi uma grande emoção", conta Carolina Cherpak, a mamãe coruja. "Antes mesmo do parto já tínhamos espalhado o endereço da maternidade na internet para todos os conhecidos. Logo que Arthur entrou na rede, começaram a chegar mensagens de todos os lados."

O hospital Albert Sabin do Recife, onde nasceu Arthur, é uma das maternidades brasileiras que estão colocando fotos e medidas dos recém-nascidos na rede mundial de computadores. As outras são a Clínica Perinatal e o Hospital Barra D'Or, ambos do Rio de Janeiro. A página do hospital Albert Sabin exibe, além das fotos do bebê e dos pais, endereços eletrônicos para os quais amigos e parentes podem enviar mensagens. O site foi inaugurado no Dia das Crianças (12 de outubro) do ano passado. Em São Paulo, a maternidade do Hospital Santa Joana promete uma novidade ainda maior. Até o fim de março, o estabelecimento vai botar na internet filmes com as primeiras horas de vida das crianças cujos pais autorizarem. Na Clínica Perinatal, as fotos virtuais eram uma requisição antiga dos clientes. "Começamos atendendo a pedidos dos pais que tinham parentes morando fora do Rio", explica José Maria, diretor da clínica. "Com o tempo, apareceu tanto pai querendo ver o filho na internet que decidimos sistematizar o serviço."

Os pais, evidentemente, adoram a celebridade instantânea de seus bebês. No dia 22 de fevereiro, a mineira Flavia Frade, casada com um gaúcho, deu à luz o carioca Pedro na Clínica Perinatal. Em algumas horas, a família, espalhada pelos quatro cantos do Brasil, pôde ver a foto do bebê pela internet. "Foi uma experiência fantástica", diz a mãe. "É muito emocionante poder dividir a alegria com pessoas da família que moram em lugares tão distantes." Além de saciar a corujice de pais e avós, os berçários virtuais têm sido um bom instrumento de propaganda para as maternidades. Depois de incluir as fotos dos recém-nascidos, a página do Hospital Barra D'Or na internet multiplicou por vinte o número de acessos semanais. No início, ainda um pouco ressabiados com a novidade, só 20% dos pais concordavam em autorizar a divulgação das fotos dos bebês. Hoje, 80% autorizam.

Os sites das maternidades são um exemplo de como os serviços fornecidos por clínicas, hospitais e laboratórios pela internet estão facilitando em muito a vida das pessoas. Naturalmente, nada disso substitui o tratamento pessoal, olho no olho, do médico com o paciente, assim como a emoção de conhecer um bebê de perto é bem diferente da de ver suas fotos na tela de um computador.