Eles já nascem na internet
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Berçários virtuais, com fotos
de recém-nascidos, fazem a alegria de pais e avós
corujas
Ricardo Villela
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| As fotos de três
recém-nascidos na internet: visitas de parentes
que moram longe |
Arthur Castro Cherpak, um bebezão de 47 centímetros
e 3 quilos, nasceu de cesariana, no Recife, na manhã
de 1º de fevereiro. Até o final da tarde, já
tinha recebido "visitas" de primos que moram em Israel,
na França e na Inglaterra. Mensagens e votos de felicidades
chegaram da Califórnia, da Flórida e da cidade
de São Paulo, onde vivem alguns tios. Uma prima o
conheceu sem sair de Belém. O pimpolho também
foi apresentado a uma amiga de sua mãe que mora no
Rio de Janeiro e a parte da família de seu pai que
vive na Paraíba. Isso só foi possível
porque, duas horas depois do nascimento, Arthur vestiu sua
primeira roupinha, posou para fotografias e ganhou sua página
na internet. Em questão de minutos, toda a família
espalhada pelo mundo estava a um clique de mouse de sua
foto. "Foi uma grande emoção", conta Carolina
Cherpak, a mamãe coruja. "Antes mesmo do parto já
tínhamos espalhado o endereço da maternidade
na internet para todos os conhecidos. Logo que Arthur entrou
na rede, começaram a chegar mensagens de todos os
lados."
O hospital Albert Sabin do Recife, onde nasceu Arthur,
é uma das maternidades brasileiras que estão
colocando fotos e medidas dos recém-nascidos na rede
mundial de computadores. As outras são a Clínica
Perinatal e o Hospital Barra D'Or, ambos do Rio de Janeiro.
A página do hospital Albert Sabin exibe, além
das fotos do bebê e dos pais, endereços eletrônicos
para os quais amigos e parentes podem enviar mensagens.
O site foi inaugurado no Dia das Crianças (12 de
outubro) do ano passado. Em São Paulo, a maternidade
do Hospital Santa Joana promete uma novidade ainda maior.
Até o fim de março, o estabelecimento vai
botar na internet filmes com as primeiras horas de vida
das crianças cujos pais autorizarem. Na Clínica
Perinatal, as fotos virtuais eram uma requisição
antiga dos clientes. "Começamos atendendo a pedidos
dos pais que tinham parentes morando fora do Rio", explica
José Maria, diretor da clínica. "Com o tempo,
apareceu tanto pai querendo ver o filho na internet que
decidimos sistematizar o serviço."
Os pais, evidentemente, adoram a celebridade instantânea
de seus bebês. No dia 22 de fevereiro, a mineira Flavia
Frade, casada com um gaúcho, deu à luz o carioca
Pedro na Clínica Perinatal. Em algumas horas, a família,
espalhada pelos quatro cantos do Brasil, pôde ver
a foto do bebê pela internet. "Foi uma experiência
fantástica", diz a mãe. "É muito emocionante
poder dividir a alegria com pessoas da família que
moram em lugares tão distantes." Além de saciar
a corujice de pais e avós, os berçários
virtuais têm sido um bom instrumento de propaganda
para as maternidades. Depois de incluir as fotos dos recém-nascidos,
a página do Hospital Barra D'Or na internet multiplicou
por vinte o número de acessos semanais. No início,
ainda um pouco ressabiados com a novidade, só 20%
dos pais concordavam em autorizar a divulgação
das fotos dos bebês. Hoje, 80% autorizam.
Os sites das maternidades são um exemplo de como
os serviços fornecidos por clínicas, hospitais
e laboratórios pela internet estão facilitando
em muito a vida das pessoas. Naturalmente, nada disso substitui
o tratamento pessoal, olho no olho, do médico com
o paciente, assim como a emoção de conhecer
um bebê de perto é bem diferente da de ver
suas fotos na tela de um computador.