Ele lá, ela acolá
É possível que dois pombinhos
vivam em cidades diferentes e permaneçam casados?
Marcelo Camacho
Emmanuel Pinheiro
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Selmy Yassuda
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Francisco e Mônica:
o casamento agora tem "mais tempero"
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Era assim até pouco tempo atrás: o marido
recebia uma proposta de emprego em outra cidade, aceitava
e estava tudo resolvido mulher e filhos faziam as
malas e o seguiam. Hoje a situação mudou,
basicamente por duas razões. Primeiro porque as boas
oportunidades de trabalho longe de casa surgem tanto para
o homem quanto para a mulher. Além disso, como é
crescente o número de mulheres que têm sua
própria carreira profissional, é compreensível
que relutem em abrir mão dela só para acompanhar
o marido. O resultado é que muitos casais vêm
experimentando uma nova modalidade de relação:
o casamento a distância. Cada qual em uma cidade,
vivem separados de segunda a sexta-feira e "moram" juntos
nos fins de semana.
O fenômeno tende a aumentar. Atraídas por
impostos menores, empresas importantes têm deixado
os principais centros urbanos rumo ao interior. Nesse movimento,
vão-se também os funcionários mais
ambiciosos, não importa o sexo a que pertençam.
Topando mudar de cidade, espera-se que a carreira progrida
e que o casamento resista. Fácil não
é. O casal Francisco Silveira Pinto e Mônica
Paixão está nessa há um ano. Ao demonstrar
sua competência na administração de
um hotel do Rio de Janeiro, Francisco foi convidado pela
direção da rede a assumir um posto mais alto
numa unidade em Belo Horizonte. Ele aceitou na hora, mas
sua mulher resolveu permanecer no Rio. "Achei difícil
conseguir uma colocação em Minas Gerais. E
dona-de-casa não queria ser de jeito nenhum", justifica
Mônica, que também trabalha no ramo de hotelaria.
Francisco visita a família todo fim de semana. Às
vezes bate uma saudade danada, mas ele vê uma vantagem
no fato de morar a centenas de quilômetros de sua
cara-metade: "O casamento ganhou um certo tempero". Ela
concorda: "Voltou o clima de romance".
Especialistas em relações familiares afirmam
que um casamento nesses moldes pode, sim, dar certo. Desde
que se faça algum esforço como controlar
o ciúme, por exemplo. Embora os casos de traição
não costumem guardar relação com a
distância física entre as duas partes interessadas,
é inegável que a tentação cresce
quando se mora em latitudes diferentes. O que se pode fazer?
Segundo a psicóloga Maria Tereza Maldonado, não
muita coisa, além de acreditar com todas as forças
na solidez do casório. Procedimentos obsessivos,
do tipo ligar de madrugada para checar se ele (ou ela) está
em casa, não são recomendáveis. Melhor
é respirar fundo e confiar.
Edison Vara
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A atriz Cristiana
Oliveira e a família: unidos pela ponte aérea
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Dá para controlar a dor no coração?
Até que dá. E o aperto no bolso? Aí
depende. Casamento a distância é caro, muito
caro. É quase coisa de rico. Os casais têm
de manter duas casas, arcar com contas de telefone altíssimas
e despesas de transporte igualmente pesadas. A atriz Cristiana
Oliveira gasta quase 3.000 reais
por mês com avião. Durante a semana fica no
Rio, onde atualmente grava Vila Madalena, a novela
das 7 da Globo. Nos fins de semana voa para Porto Alegre,
para encontrar o marido e as duas filhas. "Abrimos mão
do supérfluo para arcar com as passagens", conta
Cristiana.