Edição 1 639 - 8/3/2000

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Ele lá, ela acolá

É possível que dois pombinhos vivam em cidades diferentes e permaneçam casados?

Marcelo Camacho

 
Emmanuel Pinheiro
Selmy Yassuda

Francisco e Mônica: o casamento agora tem "mais tempero"

Era assim até pouco tempo atrás: o marido recebia uma proposta de emprego em outra cidade, aceitava e estava tudo resolvido – mulher e filhos faziam as malas e o seguiam. Hoje a situação mudou, basicamente por duas razões. Primeiro porque as boas oportunidades de trabalho longe de casa surgem tanto para o homem quanto para a mulher. Além disso, como é crescente o número de mulheres que têm sua própria carreira profissional, é compreensível que relutem em abrir mão dela só para acompanhar o marido. O resultado é que muitos casais vêm experimentando uma nova modalidade de relação: o casamento a distância. Cada qual em uma cidade, vivem separados de segunda a sexta-feira e "moram" juntos nos fins de semana.

O fenômeno tende a aumentar. Atraídas por impostos menores, empresas importantes têm deixado os principais centros urbanos rumo ao interior. Nesse movimento, vão-se também os funcionários mais ambiciosos, não importa o sexo a que pertençam. Topando mudar de cidade, espera-se que a carreira progrida – e que o casamento resista. Fácil não é. O casal Francisco Silveira Pinto e Mônica Paixão está nessa há um ano. Ao demonstrar sua competência na administração de um hotel do Rio de Janeiro, Francisco foi convidado pela direção da rede a assumir um posto mais alto numa unidade em Belo Horizonte. Ele aceitou na hora, mas sua mulher resolveu permanecer no Rio. "Achei difícil conseguir uma colocação em Minas Gerais. E dona-de-casa não queria ser de jeito nenhum", justifica Mônica, que também trabalha no ramo de hotelaria. Francisco visita a família todo fim de semana. Às vezes bate uma saudade danada, mas ele vê uma vantagem no fato de morar a centenas de quilômetros de sua cara-metade: "O casamento ganhou um certo tempero". Ela concorda: "Voltou o clima de romance".

Especialistas em relações familiares afirmam que um casamento nesses moldes pode, sim, dar certo. Desde que se faça algum esforço – como controlar o ciúme, por exemplo. Embora os casos de traição não costumem guardar relação com a distância física entre as duas partes interessadas, é inegável que a tentação cresce quando se mora em latitudes diferentes. O que se pode fazer? Segundo a psicóloga Maria Tereza Maldonado, não muita coisa, além de acreditar com todas as forças na solidez do casório. Procedimentos obsessivos, do tipo ligar de madrugada para checar se ele (ou ela) está em casa, não são recomendáveis. Melhor é respirar fundo e confiar.

 
Edison Vara

A atriz Cristiana Oliveira e a família: unidos pela ponte aérea

Dá para controlar a dor no coração? Até que dá. E o aperto no bolso? Aí depende. Casamento a distância é caro, muito caro. É quase coisa de rico. Os casais têm de manter duas casas, arcar com contas de telefone altíssimas e despesas de transporte igualmente pesadas. A atriz Cristiana Oliveira gasta quase 3.000 reais por mês com avião. Durante a semana fica no Rio, onde atualmente grava Vila Madalena, a novela das 7 da Globo. Nos fins de semana voa para Porto Alegre, para encontrar o marido e as duas filhas. "Abrimos mão do supérfluo para arcar com as passagens", conta Cristiana.