Edição 1942 . 8 de fevereiro de 2006

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Televisão
Tal mãe, tal filha

Adriane Galisteu conseguiu ser igual
a Hebe Camargo: ambas vão mal no
ibope e estão na geladeira


Ricardo Valladares

 
Hebe e Adriane: a primeira ainda tem moral com Silvio Santos. A segunda está com o filme queimado

Hebe Camargo e Adriane Galisteu são mestra e pupila no SBT. A loira mais jovem sempre disse que gostaria de ser Hebe quando crescesse. A loira mais velha considera a colega uma gracinha. O problema é que ambas vêm compartilhando uma semelhança indesejável: o mau desempenho no ibope. Depois de várias surras dadas pela concorrência no programa de Hebe, às segundas, e no Charme, comandado por Adriane às quartas, Silvio Santos, o dono do SBT, transferiu as duas para as noites de sábado – uma zona morta na televisão. Com isso, ficou claro que Adriane ainda precisa de muito tempo de sofá para equiparar-se à sua inspiradora. Enquanto Hebe mantém uma audiência de 6 pontos – medíocre, mas estável –, Adriane vai ladeira abaixo. Com sorte chega a 4 pontos, mas também já bateu em 2. Hebe, além disso, ainda goza da estima do patrão. Não é o caso de Adriane, que está com o filme queimado. "Ela reclama demais", disse Silvio a VEJA.

A "loira mãe" já entendeu o recado. Hebe arregaçou as mangas do terninho Gucci e foi à luta: para movimentar seu programa, fará entrevistas externas e promete levar gente mais surpreendente ao seu sofá. Já a "loira filha" ainda posa de rebelde. Adriane se nega a obedecer a Silvio, que gostaria que ela voltasse para as tardes com um programa nos mesmos moldes de sua estréia no SBT, em 2004. Essa antiga atração era calcada num programa de gincanas argentino, o Hola, Suzana, mas Adriane detestava brincadeiras como um teste para adivinhar quantos feijões havia dentro de um vidro. Depois de muito insistir, ela passou ao horário noturno, com o Charme. A produção ficou ao seu gosto – o que não significa boa. Há um esquete ofensivo aos pobres, em que Adriane interpreta uma favelada, e entrevistas com figuras "descoladas", como skatistas e estilistas. Tudo bem distante do perfil popular do SBT.

Silvio gostaria que Adriane retornasse às tardes por um bom motivo: dinheiro. Adriane ganha 500.000 reais por mês. É um belo dinheiro, embora ela ainda precise comer muito feijão para igualar o salário de 1,2 milhão de reais de Hebe. Mantê-la no ar, contudo, envolve gastos de produção. E Silvio Santos concluiu que esses gastos só valem a pena num programa diário, em que são diluídos em vinte exibições, e não apenas em quatro. "Se a Adriane não fizer um programa diário, prefiro que fique em casa até o fim de seu contrato. Dá menos prejuízo", diz Silvio. Caso Adriane não acate a "sugestão", o empresário não se fará de rogado. Vai programar para as tardes a versão mexicana da novela Betty, a Feia.

 
 
 
 
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