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Brasil A
última do PT O partido desviou
400 000 reais de dinheiro público para pagar dívida de empresa
privada  Julia
Duailibi Sérgio
Castro/AE
 | Clso
Junior/AE
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e Delúbio: um paga a dívida do outro, mas o dinheiro é do
contribuinte |
A última
do PT é a seguinte: o partido desviou 400.000 reais do fundo partidário,
formado por recursos públicos, para pagar uma dívida trabalhista
de uma empresa privada. Isso mesmo: a editora Brasil Agora, que publicava um jornal
com o mesmo nome, sofreu uma ação trabalhista, perdeu mais de 1
milhão de reais, fez um acordo, reduziu a dívida para 400.000 reais
e quem desembolsou o dinheiro foi o PT, recorrendo ao fundo partidário,
o que é indiscutivelmente ilegal. À época do acordo, os donos
da editora Brasil Agora, que foram gentilmente socorridos pelo PT, eram todos
petistas: João Machado Borges Neto, Rui Falcão e José Américo
Dias. Os dois últimos foram auxiliares de Marta Suplicy na prefeitura de
São Paulo. Rui Falcão foi secretário de Governo. José
Américo era secretário de Comunicação. Em resumo:
você, contribuinte, cujos impostos compõem os recursos do fundo partidário,
acabou pagando a dívida de uma empresa de três petistas. Que tal?
A editora Brasil Agora foi criada
em 1991, como uma sociedade entre o presidente Lula, que tinha 1% das cotas, e
o PT, dono do restante. Em 1993, no entanto, as cotas da empresa foram repassadas
aos três petistas o PT deixou de ter qualquer responsabilidade sobre
os lucros ou os prejuízos da companhia, passados ou futuros. Em abril de
1994, um ex-funcionário da editora, Paulo Mauro Soldano, entrou na Justiça
com uma reclamação trabalhista, alegando que fora caloteado no pagamento
de comissões, de décimo terceiro e de férias. Em 1998, o
ex-funcionário ganhou a ação, que foi paga apenas em 2004.
Por alguma razão insondável, o PT, que não era mais dono
da empresa nem réu na ação trabalhista, fez o pagamento dos
400.000 reais e recorreu ao fundo partidário. O cheque do PT traz a assinatura
inconfundível de Delúbio Soares, então tesoureiro do partido,
e do então presidente, José Genoíno.
"Mais uma vez o PT mostra que não sabe qual é
a diferença entre o público e o privado. Para o partido, essa separação
é simplesmente invisível", afirma o senador Alvaro Dias (PSDB-PR),
que pretende entrar com uma representação no Ministério Público
pedindo a investigação do caso. Naturalmente, a lei que regulamenta
a aplicação de recursos do fundo partidário não prevê
o uso do dinheiro para pagamento de passivo trabalhista, principalmente de terceiros.
A irregularidade pode ser punida com a suspensão do repasse dos recursos
do fundo para o PT. Não é pouca coisa. No ano passado, o partido
recebeu cerca de 22 milhões de reais. A pena máxima, no entanto,
é ainda pior: é cassação do registro do partido. |