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Sem essa, ô meu! Eu não
cheguei até aqui na escala animal pra ser incorruptível. |
Esmiuçando
Dizem-me alguns leitores que
às vezes ficam perplexos, chegando quase a fundir a cuca
em busca de uma piada, chiste, graçola qualquer, nas notas
que escrevo nesta página semanal. Devem continuar procurando
(a procurar, corrijo, aceitando o atual lingüisticamente
correto, que odeia o gerúndio). Quem procura acha, como
está na Bíblia. A gente acaba encontrando o que procura,
como me disse também o guarda que numa meia-noite dessas
me pediu a carteira e eu cometi o erro de entregar a de identidade.
O fato é que eu nunca
disse a ninguém que era humorista. Sou, mas quando bem entendo.
Sou, até a maior parte das vezes. Mas não vivo fazendo
facécias (!). O público tem discernimento bastante
(tem mesmo, Millôr?) pra não me rotular, exigir minha
appellation contrôlée (prova de não-bastardo).
O homem o ser humano oscila permanentemente. E eu
quero que estas notas mostrem bem essas oscilações
num carioca generosamente formado e deformado por sua cidade. Quem
me lê tem que saber quando uma história é inventada,
quando é séria, quando uma fotografia é verdadeira,
quando é montada. O mapa da semana transacta (!), mostrando
o trajeto do espião turco que tentou assassinar o Papa, é
verdadeiro. Onde o arranjei? Perguntem ao Google, vocês que
acreditam que o Google sabe tudo, até mandarim. Eu também,
mas duvidando sempre. Só creio na descrença.
A foto dos 30 valérios,
publicada em semana também transata (agora sem o c),
também é verdadeira, embora forjada. Se é que
me entendem. Claro que não.
Aos leitores que não conseguem
separar a verdade da mentira não serei eu quem irá
separar pra eles. Pois seja dito: esta página pretende ser
apenas um treino para a Grande Marcha em direção à
Democracia Sustentável.
E, pra terminar, uma coisa que
repito sempre, tranqüilizando a galera (palavra odiosa): nenhum
humorista atira pra matar. É tudo bala de festim.
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