Edição 1942 . 8 de fevereiro de 2006

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Sem essa, ô meu! Eu não cheguei até aqui na escala animal pra ser incorruptível.

Esmiuçando

Dizem-me alguns leitores que às vezes ficam perplexos, chegando quase a fundir a cuca em busca de uma piada, chiste, graçola qualquer, nas notas que escrevo nesta página semanal. Devem continuar procurando (a procurar, corrijo, aceitando o atual lingüisticamente correto, que odeia o gerúndio). Quem procura acha, como está na Bíblia. A gente acaba encontrando o que procura, como me disse também o guarda que numa meia-noite dessas me pediu a carteira e eu cometi o erro de entregar a de identidade.

O fato é que eu nunca disse a ninguém que era humorista. Sou, mas quando bem entendo. Sou, até a maior parte das vezes. Mas não vivo fazendo facécias (!). O público tem discernimento bastante (tem mesmo, Millôr?) pra não me rotular, exigir minha appellation contrôlée (prova de não-bastardo). O homem – o ser humano – oscila permanentemente. E eu quero que estas notas mostrem bem essas oscilações num carioca generosamente formado e deformado por sua cidade. Quem me lê tem que saber quando uma história é inventada, quando é séria, quando uma fotografia é verdadeira, quando é montada. O mapa da semana transacta (!), mostrando o trajeto do espião turco que tentou assassinar o Papa, é verdadeiro. Onde o arranjei? Perguntem ao Google, vocês que acreditam que o Google sabe tudo, até mandarim. Eu também, mas duvidando sempre. Só creio na descrença.

A foto dos 30 valérios, publicada em semana também transata (agora sem o c), também é verdadeira, embora forjada. Se é que me entendem. Claro que não.

Aos leitores que não conseguem separar a verdade da mentira não serei eu quem irá separar pra eles. Pois seja dito: esta página pretende ser apenas um treino para a Grande Marcha em direção à Democracia Sustentável.

E, pra terminar, uma coisa que repito sempre, tranqüilizando a galera (palavra odiosa): nenhum humorista atira pra matar. É tudo bala de festim.

 
 
 
 
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