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Diogo
Mainardi Para entender o caso Nahas
"Da
mesma forma que a Telecom Italia deu um contrato milionário a
Naji Nahas, Daniel Dantas ofereceu outro de 8 milhões
de reais a Kakay, amigo do peito de José Dirceu"
Em maio de 2003, a Telecom Italia
estava engajada naquilo que Luiz Gushiken definiu como "o maior conflito societário
da história do capitalismo brasileiro". Ou seja, a guerra com o Opportunity
pelo controle da Brasil Telecom. Desde a posse de Lula, o Opportunity, de Daniel
Dantas, estava em dificuldade. O governo abusava de seu poder para prejudicá-lo.
Antonio Palocci acuava seu principal parceiro, o Citigroup, alijando-o da emissão
de títulos públicos e da concessão de créditos do
BNDES. Enquanto isso, José Dirceu, Luiz Gushiken e o presidente do Banco
do Brasil, Cássio Casseb, clandestinamente costuravam um acordo com a Telecom
Italia. É preciso ficar de olho nas datas. Em 7 de maio, a Telecom Italia
recebeu os 3,25 milhões de reais sacados em nome de Naji Nahas. Em 26 de
maio, Cássio Casseb, a mando de José Dirceu, encontrou-se secretamente
em Lisboa com quatro representantes da Telecom Italia, para negociar o papel de
cada um na Brasil Telecom, depois que Daniel Dantas fosse afastado da empresa.
Duas semanas depois, houve um segundo encontro em Lisboa, que até hoje
permanecia secreto. Dois dirigentes da Telecom Italia encontraram-se com Fábio
Moser, Renato Sobral Pires Chaves e João Laudo de Camargo, do fundo de
pensão Previ, para discutir o organograma da futura Brasil Telecom. Em
particular, quem ocuparia a diretoria financeira.
Em julho de 2003, algo mudou. José Dirceu, de uma hora para a outra, perdeu
todo o interesse pela questão. Isso coincidiu com a reunião no hotel
Blue Tree, de Brasília, entre Delúbio Soares, Marcos Valério
e Carlos Rodenburg, sócio do Opportunity. Daniel Dantas, naquele período,
soube cercar-se das pessoas certas. Da mesma forma que a Telecom Italia ofereceu
um contrato milionário a Naji Nahas, Daniel Dantas ofereceu um contrato
de 8 milhões de reais a Kakay, amigo do peito de José Dirceu, e
um contrato de 1 milhão de reais a Roberto Teixeira, amigo do peito de
Lula. O governo rachou ao meio. De um lado, ficou a turma de José Dirceu.
Do outro, a turma de Luiz Gushiken, que continuou a batalha contra Daniel Dantas.
Em seu depoimento à CPI dos Correios, Luiz Gu-shiken negou que, no ministério,
tenha participado ativamente da disputa pela Brasil Telecom. Acredite quem quiser.
Ele teve diversos encontros secretos com os dirigentes da Telecom Italia, com
o único objetivo de combinar estratégias para tirar Daniel Dantas
do comando da companhia. Nos primeiros meses de 2004, Luiz Gushiken encontrou-se
com Giampaolo Zambeletti, em seu gabinete. Pouco tempo depois, ele jantou com
representantes da Telecom Italia, na casa do publicitário Luiz Lara, para
tratar do mesmo assunto. Em 2005, reuniu-se com Naji Nahas. |