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Carta ao leitor Uma
aliança suspeita Beto
Barata/AE
 | | Lula
e Jobim: interesses políticos travestidos de verdade jurídica |
A pior aliança que um governante pode fazer é
com as ruas. Falar diretamente às massas e com elas pretender governar
ao arrepio das instituições é o desvio clássico que
levou sociedades ao despotismo em diversos períodos da história
da Roma Antiga à Alemanha nazista. O presidente Lula não
sucumbiu a essa tentação. Infelizmente, porém, Lula já
assegurou seu lugar na história como o chefe de governo que em diversas
situações atentou contra a saúde institucional do país.
Em primeiro lugar, fez vista grossa ao uso do Poder Executivo por membros de seu
partido com o intuito claro de fazer caixa para pagar compromissos da campanha
eleitoral. Depois também não se importou quando parte do dinheiro
desviado foi usada para amortecer consciências no Congresso, no fenômeno
de vilipêndio do Poder Legislativo que ficou conhecido como mensalão.
Agora foi a vez de o Poder Judiciário sofrer
com a falta de recato que a ambição política produz em Brasília.
Uma reportagem desta edição de VEJA revela detalhes de uma aliança
suspeita entre Lula e o ministro Nelson Jobim, presidente do Supremo Tribunal
Federal (STF). Depois de mandar às favas a isenção que se
espera do ocupante do mais alto posto da magistratura do país e atuar em
clara sintonia político-partidária com Lula, Jobim prepara sua volta
ao jogo político. Lula conta com a filiação de Jobim ao PMDB
para convencer o partido a apoiar sua candidatura.
Nenhum dos movimentos de Jobim viola diretamente as leis ou foi feito sem amparo
de interpretações jurídicas. Mas sua atuação
no pleno do STF, na concessão de liminares e nos bastidores foi despudoradamente
conduzida de forma a prejudicar a apuração de desmandos do governo
Lula determinada pelas CPIs instaladas no Congresso. A coisa ficou tão
feia que um grupo de juristas chegou a protocolar uma interpelação
judicial no STF cobrando do ministro Jobim a explicitação de suas
intenções partidárias. Os doutores do catolicismo dizem que
a prova da natureza sagrada da Igreja é sua permanência apesar dos
pecados dos sacerdotes. Para a felicidade da nação, a prova da maturidade
das instituições brasileiras está justamente em sua resistência
a ataques como os gerados pela aliança Lula-Jobim. |