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Edição 1 784 - 8 de janeiro de 2003
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Pantanal com asfalto

Área de preservação ambiental no
Rio Grande do Sul é o melhor lugar
do país para a observação de aves

Diogo Schelp


Fotos Renato Grimm
A festa das aves e dos observadores: a Lagoa do Peixe tem muito alimento. Os pássaros migram para comer. Os fotógrafos, para curtir o espetáculo
rimm
Flavio Dutra

O paraíso brasileiro das aves migratórias fica em um estreito pedaço de terra de 7 quilômetros de largura entre a Lagoa dos Patos e o mar, no Rio Grande do Sul. Os 34.400 hectares do Parque Nacional Lagoa do Peixe, área controlada pelo Ibama, é o principal ponto de pouso no Brasil de aves que chegam a voar 9.000 quilômetros desde o norte do Canadá até o Rio Grande do Sul em cinco dias. Ali elas repousam, alimentam-se e trocam a plumagem antes de iniciar o caminho de volta para o Hemisfério Norte, onde se reproduzem. Freqüentam a região 22 espécies migratórias vindas do norte, além de 150 tipos de aves nativas e cinco que migram do sul do continente, principalmente da Argentina.

A paisagem da Lagoa do Peixe, no período de maior incidência de aves migratórias, que vai de outubro a abril, lembra o Pantanal Mato-Grossense, com revoadas de pássaros de todas as cores e tamanhos. As diferenças entre as duas regiões são quase todas a favor do parque gaúcho, do ponto de vista de quem quer observar as aves. A área é um quarto da do Parque Nacional do Pantanal, mas concentra grandes aglomerados de flamingos, maçaricos-grandes-de-perna-amarela e trinta-réis-boreais em cinco habitats – a área costeira, a lagoa, o campo, o banhado e a mata. Além disso, o acesso ao Parque Nacional Lagoa do Peixe é bem mais fácil, já que o lugar está a 210 quilômetros de Porto Alegre. Esse percurso é feito em pouco mais de duas horas de carro, por novíssimas estradas asfaltadas. O parque ocupa parte da área dos municípios de Mostardas e Tavares. O primeiro, uma pequena cidade em estilo açoriano com 12.000 habitantes, possui as melhores acomodações. Ali é possível também contratar o transporte em veículos fora-de-estrada e um guia conhecedor da região e das técnicas de observação de aves. Para conhecer o parque, o ideal é procurar o escritório do Ibama no município ou a única agência de turismo da cidade, que negocia pacotes para a visita.

O turismo de observação de pássaros é considerado uma terapia. Consiste em longas e silenciosas caminhadas para fotografar ou simplesmente analisar, com a ajuda de binóculo e luneta, o comportamento e as características das aves. As áreas abertas, como é o caso da Lagoa do Peixe, são as que permitem a melhor visualização. Em florestas, é comum recorrer-se a um gravador para registrar o canto do pássaro, de longe, e depois repeti-lo, tentando fazer a ave se aproximar. Num caderninho, anotam-se detalhes como a coloração da plumagem, o tamanho e o formato da ave. Informações importantes para, depois, identificar a espécie com a ajuda de manuais de ornitologia. Não é raro observadores amadores registrarem espécies dadas como extintas.

Nos Estados Unidos, a observação tem mais de 10.000 adeptos. Há os especializados, que viajam apenas para ver aves de rapina ou beija-flores. No Brasil, o segundo país em variedade de aves – com mais de 1.600 espécies –, calcula-se que existam 1.000 praticantes organizados em clubes como o do Rio de Janeiro, com 200 associados. Muitos costumam comparar suas listas de pássaros observados. Alguns já anotaram ter visto mais de 7.000 variedades – das 10.000 espécies catalogadas no mundo. "Certa vez, no Peru, um grupo de turistas americanos deixou de assistir ao impressionante espetáculo de dezenas de araras comendo argila do barranco de um rio", conta Luiz Claudio Marigo, fotógrafo de natureza e membro do Clube de Observadores de Aves do Rio de Janeiro. "Eles preferiram ir para outro lugar porque já tinham a arara em sua lista."

No Brasil, são ótimos pontos de observação também o Pantanal, o Parque Nacional das Emas, em Goiás, o Arquipélago de Abrolhos e os Lençóis Maranhenses. O Parque Lagoa do Peixe prima pela diversidade de habitats e pela abundância de alimento. A lagoa tem apenas 30 centímetros de profundidade média, com ótimas condições para a proliferação do plâncton, alimento de crustáceos apreciado por peixes e aves. No começo da manhã ou no fim da tarde, a lagoa e seus arredores tornam-se um gigantesco restaurante de aves.



   
 
   
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