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Edição 1 784 - 8 de janeiro de 2003
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A dança da sucessão

Nos três principais Estados,
governadores tomam posse
de olho nas eleições de 2006

Ronaldo França


Fabio Motta/AE
TRÊS ESTILOS DISTINTOS: Rosinha e Garotinho comemoram em clima de showmício, Aécio e Itamar confraternizam, Alckmin passa a tropa em revista: eles têm os próximos quatro anos para investir na sucessão de Lula
Marcelo Sant'Anna/
Estado de Minas/AE

Patricia Santos/Folha Imagem/Digital



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Cerimônias de posse de governadores costumam seguir um roteiro conhecido. Assentada a faixa sobre o ombro, eles fazem promessas, anunciam as primeiras medidas, cobram o apoio do governo federal e começam a trabalhar. Na semana passada, quando os novos governadores chegaram ao poder, houve mais barulho do que o de costume. Nos três principais Estados, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, os discursos foram embalados por um tom em tudo semelhante à inflamada oratória dos palanques eleitorais. Explica-se. Sem maioria no Congresso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisará da influência dos governadores sobre as bancadas estaduais. Os novos ocupantes dos palácios estaduais estão cientes de sua força e já mostraram que vão cobrar a fatura. O que está em jogo é a sucessão presidencial de 2006.

A nova governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Garotinho, do PSB, chegou ao cargo vestida para festa de casamento e armada para guerra. Cantou junto com o cantor Elymar Santos e dançou no palco com o marido, o ex-governador Anthony Garotinho. No discurso, criticou a antecessora, Benedita da Silva, e bombardeou a escolha do novo presidente da Petrobras, o senador José Eduardo Dutra, do PT. Disparando contra o governo, Rosinha pretende usar a trincheira de seu novo cargo para dar cobertura a Garotinho em seu desembarque na próxima sucessão presidencial. Por enquanto, o nome mais forte entre os governadores é o de Geraldo Alckmin, de São Paulo. Ele se apóia na força de seu Estado, responsável por 36% de tudo o que o Brasil produz em bens e serviços, o chamado produto interno bruto. Alckmin fez um discurso com tintas eleitorais. Falou do "riso largo dos cariocas" e do coração ardente dos migrantes "criados à sombra amiga dos pinheirais e das seringueiras". O presidente nacional do PSDB, José Aníbal, completou o enredo classificando Alckmin como um "nome forte" à sucessão.

Nesse caso, terá de disputar a vaga com outro nome de seu partido, o governador mineiro Aécio Neves. O ex-presidente da Câmara fez seu discurso de posse como se estivesse de bandeira em punho, bradando contra o que considera injustiças sofridas por Minas Gerais. O discurso teve a total aprovação do antecessor, Itamar Franco, que adora um beicinho. Nem todos os Estados tiveram transmissão de cargo tão tranqüila. No Rio Grande do Sul, o ex-governador Olívio Dutra foi vaiado nove vezes por militantes do PMDB. Os petistas fizeram o mesmo em Brasília, entoando frases de protesto ao governador Joaquim Roriz. No Espírito Santo, o ex-governador José Ignácio Ferreira, atualmente sem partido, recusou-se a entregar a faixa a seu sucessor, Paulo Hartung, do PSB. Mais impressionante do que o fato foi o argumento. Ferreira, acusado de corrupção, avisou que mandara confeccionar a faixa com o próprio dinheiro. Colocou-a na pasta e levou-a para casa.

 
 
   
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