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A dança da
sucessão
Nos três
principais Estados,
governadores tomam posse
de olho nas eleições de 2006

Ronaldo França
Fabio Motta/AE
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| TRÊS
ESTILOS DISTINTOS: Rosinha e Garotinho comemoram em clima de
showmício, Aécio e Itamar confraternizam, Alckmin passa
a tropa em revista: eles têm os próximos quatro anos
para investir na sucessão de Lula |
Marcelo Sant'Anna/
Estado de Minas/AE
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Patricia Santos/Folha
Imagem/Digital
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Veja também |
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Cerimônias
de posse de governadores costumam seguir um roteiro conhecido. Assentada
a faixa sobre o ombro, eles fazem promessas, anunciam as primeiras medidas,
cobram o apoio do governo federal e começam a trabalhar. Na semana
passada, quando os novos governadores chegaram ao poder, houve mais barulho
do que o de costume. Nos três principais Estados, São Paulo,
Rio de Janeiro e Minas Gerais, os discursos foram embalados por um tom
em tudo semelhante à inflamada oratória dos palanques eleitorais.
Explica-se. Sem maioria no Congresso, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva precisará da influência dos governadores sobre
as bancadas estaduais. Os novos ocupantes dos palácios estaduais
estão cientes de sua força e já mostraram que vão
cobrar a fatura. O que está em jogo é a sucessão
presidencial de 2006.
A nova governadora
do Rio de Janeiro, Rosinha Garotinho, do PSB, chegou ao cargo vestida
para festa de casamento e armada para guerra. Cantou junto com o cantor
Elymar Santos e dançou no palco com o marido, o ex-governador Anthony
Garotinho. No discurso, criticou a antecessora, Benedita da Silva, e bombardeou
a escolha do novo presidente da Petrobras, o senador José Eduardo
Dutra, do PT. Disparando contra o governo, Rosinha pretende usar a trincheira
de seu novo cargo para dar cobertura a Garotinho em seu desembarque na
próxima sucessão presidencial. Por enquanto, o nome mais
forte entre os governadores é o de Geraldo Alckmin, de São
Paulo. Ele se apóia na força de seu Estado, responsável
por 36% de tudo o que o Brasil produz em bens e serviços, o chamado
produto interno bruto. Alckmin fez um discurso com tintas eleitorais.
Falou do "riso largo dos cariocas" e do coração ardente
dos migrantes "criados à sombra amiga dos pinheirais e das seringueiras".
O presidente nacional do PSDB, José Aníbal, completou o
enredo classificando Alckmin como um "nome forte" à sucessão.
Nesse caso,
terá de disputar a vaga com outro nome de seu partido, o governador
mineiro Aécio Neves. O ex-presidente da Câmara fez seu discurso
de posse como se estivesse de bandeira em punho, bradando contra o que
considera injustiças sofridas por Minas Gerais. O discurso teve
a total aprovação do antecessor, Itamar Franco, que adora
um beicinho. Nem todos os Estados tiveram transmissão de cargo
tão tranqüila. No Rio Grande do Sul, o ex-governador Olívio
Dutra foi vaiado nove vezes por militantes do PMDB. Os petistas fizeram
o mesmo em Brasília, entoando frases de protesto ao governador
Joaquim Roriz. No Espírito Santo, o ex-governador José Ignácio
Ferreira, atualmente sem partido, recusou-se a entregar a faixa a seu
sucessor, Paulo Hartung, do PSB. Mais impressionante do que o fato foi
o argumento. Ferreira, acusado de corrupção, avisou que
mandara confeccionar a faixa com o próprio dinheiro. Colocou-a
na pasta e levou-a para casa.
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