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Edição 1 784 - 8 de janeiro de 2003
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A POSSE

As estrelas vermelhas

Marisa brilha, Heloísa mostra as pernas,
filhos de Lula aparecem, Fidel vai de tênis
e todos os Silva fazem a festa

Arquivo pessoal
Wilson Pedrosa/AE

DIA D DE MARISA
Vestido flutuante, retoque no cabelo e acessórios perfeitos: sorriso de felicidade e elogios do marido




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Se a mudança social prometida pelo governo lulista for na mesma linha da transformação estética da nova primeira-dama, o futuro da nação estará garantido. A metamorfose visual de Marisa Letícia Lula da Silva atingiu o ápice na festa da posse, embalada pelo esvoaçante vestido de georgette de seda – alguns diriam até que vaporoso demais para uma cerimônia à luz do dia. O que interessa é que o tom fulgurante funcionou para destacar a presença de Marisa, tanto ao vivo quanto na televisão, e até em meio ao mar vermelho da massa petista. O vestido foi um dos três feitos sob encomenda pelo estilista Walter Rodrigues. À noite, na recepção no Palácio da Alvorada, ela usou um tubinho cinza com spencer marfim. A terceira roupa, verde-água, ficou de reserva. Cada modelo do gênero custa 1.200 reais. "Eu queria leveza, que ela flutuasse", diz o estilista sobre o vestido vermelho drapeado, arrematado por uma ponta assimétrica. Na cintura, um broche de fios de ouro, com formato de rosa estilizada, combinando com brincos no mesmo estilo. São peças do joalheiro Antonio Bernardo que, na loja, saem por 7.100 reais. Os caracóis do penteado foram produzidos pelo cabeleireiro Wanderley Nunes, importado especialmente para a posse, com direito a um retoque rápido, em pleno Palácio do Planalto. Acessórios perfeitos: um sorriso de transbordante felicidade e elogios do marido, do alto do parlatório, para a mulher que "hoje está toda bonita e elegante".

 

 

O vermelho sofisticado da primeira-dama teve uma contrapartida na singeleza do modelo da senadora Heloísa Helena. "Foi feito pela minha madrinha Glorinha, que mandou que eu usasse na posse", explicava a Passionária de Alagoas. O vestido de renda desvendou o segredo oculto pela eterna combinação calça jeans-camisa branca: as bem torneadas pernas da senadora.
Fotos Ana Araújo

SEGREDO DA SENADORA
Heloísa Helena mostra o mistério por baixo do jeans: pernas bem-feitas

 

IRMÃOS SILVA
Genival, Maria, Frei Chico, Marinete, Ruth e Jaime: cinto de 10 reais

Totalmente à vontade no hotel de luxo onde ficaram hospedados, os irmãos de Lula – Genival, Maria, José, Marinete, Ruth e Jaime da Silva – se divertiram por lá mesmo. José Ferreira da Silva, o Frei Chico (de bigode), se arriscou a dar uma volta para procurar um cinto que substituísse o esquecido em casa. Voltou escandalizado com os 90 reais gastos com o táxi. O cinto mesmo custou baratinho: 10 reais, num quiosque da rodoviária de Brasília.

 

PALOCCIANAS
Antônia, a mãe, e Margareth, a mulher: verve e discrição

O colar de pérolas e os mimos ao novo ministro da Fazenda são os elos que unem as mulheres da família Palocci. A esposa, a médica Margareth, sempre fez o tipo melhor aluna e é avessa a badalações. A mãe, Antônia, adora festas e conta com verve uma anedota da posse. Acostumada a ouvir recados ao filho famoso, não estranhou quando uma senhora de aparência simples se aproximou dela e pediu com voz embargada: "A senhora tem que dizer a seu filho para ajudar o meu irmão. Ele precisa muito". Só depois descobriu que a autora do pedido era Marinete Cerqueira da Silva, irmã de Lula. Não custa engrossar o coro: ajuda, Palocci, ajuda.

 
Fotos Antonio Milena

DITADOR DECAÍDO
Fidel Castro só vai de tênis: joanetes e calosidades

Tem anticastrista que acha que foi vingança. Fidel Castro passou o réveillon no quarto de hotel, com o amigo Frei Betto, olhando os fogos pela janela e tomando vinho nacional – que elogiou e repetiu. Aos 76 anos, o velho ditador acusa a idade: voz baixa e trêmula, barba e cabelos ralos, andar lento. Nos pés, seja com farda, seja com terno, sempre tênis, para amenizar as dores provocadas por joanetes e calosidades.

 
Fotos Ana Araujo

LONGE DAS LUZES
Lurian, com Maria Beatriz e o marido (acima, à esq.), Fábio e Luiz Cláudio, com as namoradas (acima), Marcos, com a mulher, Carla, e Thiago: filhos de Lula não querem holofotes

Os filhos de Lula têm pavor de notoriedade e acataram bem a decisão da mãe. Fábio, Luiz Cláudio (com as namoradas na foto da cerimônia de posse) e Sandro, que não quiseram acompanhar os pais na mudança para Brasília, continuarão no apartamento da família em São Bernardo do Campo, sob os cuidados e o olhar vigilante da tia Joana, irmã adotiva da primeira-dama. Marcos, filho do primeiro casamento de Marisa, adotado por Lula (à esquerda, com a mulher, Carla, e o filho Thiago, todo pimpão de gravata-borboleta), também continua radicado na cidade. Lurian, que mora em Blumenau com o marido, Marcelo, e a filha, Maria Beatriz, tampouco planeja grandes mudanças. Ao contrário dos tios, a desinibida netinha de Lula leva jeito para a vida sob holofotes. "Mal eu viro as costas e ela já está fazendo pose para os fotógrafos", brinca Lurian.


BONITÃO À SOLTA
Zeca, com o pai, José Dirceu: loiro, simpático e sem namorada

Alto, loiro, simpático, desimpedido e filho de um dos homens mais importantes da república lulista, José Carlos Becker de Oliveira e Silva, Zeca, para simplificar, é outro que não vai ficar em Brasília, para desconsolo das pretendentes em potencial. Aos 24 anos, o primogênito do ministro da Casa Civil, José Dirceu, já foi secretário da prefeitura de Cruzeiro do Oeste, no Paraná, e se prepara para assumir uma coordenação regional do governo estadual. O pai apóia, contanto que não abandone a empresa de informática que montou, sob um argumento irretorquível: política é coisa incerta e, exercida com honestidade, não costuma dar dinheiro.

 
Num governo que tem outros cinco Silva no topo (Lula, José Alencar, José Dirceu, Benedita e José Graziano), a nova ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi a mais mimada da festa. "Querida", disse Lula ao abraçá-la. Depois do carinho presidencial, ela ganhou um beijo apaixonado do marido, Fábio Vaz, assessor do governo petista do Acre. O corpinho de junco amazônico de Marina não revela que ela tem quatro filhos, com idades de 10 a 21 anos.
BEIJINHO, BEIJINHO
Ministra Marina, a Silva mais mimada: abraço de Lula e beijo do marido

 

Ao contrário da suave Marina, a nova ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, tem fama – e biografia – de durona. Mas como esse é um governo de lágrimas fáceis e abundantes, ao ser empossada ela caiu no choro ao se lembrar das companheiras de luta armada mortas durante o regime militar. Dilma foi militante do Comando de Libertação Nacional (Colina) e da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Codinomes que usava na época: Estela, Luiza, Patrícia e Wanda.
MINISTRA DURONA
Dilma, mas pode chamar de Estela, Luiza, Patrícia ou Wanda

 

O chef Karl Max Enock Ramos da Silva passou a vida ouvindo piadinhas sobre seu nome. Mas foi por causa dele que conheceu o novo presidente. "Ele mandou me chamar na cozinha, me abraçou e disse que era uma honra estar ao lado de Karl Marx", conta o cozinheiro que trabalha no hotel onde o vice José Alencar ofereceu uma festa de réveillon. O nome peculiar lhe foi dado pelo pai, militar, em protesto contra os baixos salários. No registro, a grafia saiu errada. No popular, acabou como Marquinhos. Aos espíritos ainda assustados com a esquerda no poder, é um alívio lembrar que este é um país onde Karl Marx vira Marquinhos.
CAMARADA MAX
O que há num nome: chef Karl Max ganha abraço

 

Editado por Vilma Gryzinski, com reportagem
de Thaís Oyama, Sandra Brasil e Daniela Pinheiro

 

 
 
   
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