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Especial
Infra-estrutura O
QUE É Sistema de transporte precário, limites reduzidos
de estocagem agrícola e incerteza na oferta de energia
QUEM PERDE MAIS Agronegócios e todos os segmentos ligados a
exportações IMPACTO
A debilitada infra-estrutura de transporte eleva custos, provoca desperdícios
e reduz a produtividade COMO SUPERAR
Ampliar o investimento em infra-estrutura, tanto público como privado
A precariedade
da infra-estrutura representa 5% dos entraves ao crescimento brasileiro, segundo
o estudo da McKinsey. O peso é relativamente pequeno, mas seu impacto é
muito maior em setores vitais para a economia nacional. É o caso dos segmentos
voltados para a exportação, como o agronegócio, que têm
sido fundamentais para o equilíbrio das contas do país. A remoção
dos entraves de infra-estrutura permitiria um avanço espetacular nos setores
econômicos brasileiros que já atuam em pé de igualdade com
a competição externa. Na lavoura, os produtores brasileiros de soja
são muito eficientes. Produzem 2.800 quilos em média por hectare,
superando em 10% americanos e argentinos. Mas, por causa de todos os gargalos
de infra-estrutura, o país deixa de ganhar 17 dólares por tonelada
exportada, em comparação com os argentinos, e até 25 dólares,
em relação aos americanos. Os empecilhos começam pelo tipo
de sistema de transporte predominantemente adotado. O estudo da McKinsey ressalta
que o Brasil só tem 29.000 quilômetros de ferrovias, contra 239.000
quilômetros nos Estados Unidos. O pior é que essas não são
as únicas dificuldades enfrentadas pelos empreendedores do campo. Os recordes
nas exportações ainda continuam, mas a redução do
ritmo do crescimento é brutal. Entre janeiro e outubro de 2005, as exportações
de produtos agrícolas cresceram 9,6%. Em 2004, o avanço nos mesmos
meses havia sido de 30%.
Lalo de Almeida/Samba Photos  |
PECUÁRIA EXTENSIVA
Fragilidade no controle coloca todo um setor em risco quando surgem problemas
isolados como a febre aftosa | É
evidente que a remoção desse tipo de bloqueio exige investimentos
elevados. E, com uma dívida pública de 51% do produto interno bruto
(PIB), não sobra dinheiro para esse tipo de aporte. Mas, no Brasil, nem
sequer as soluções alternativas, mesmo que parciais, prosperam com
facilidade. Esse é o caso das Parcerias Público-Privadas, conhecidas
como PPPs. Depois de pelo menos três anos em debate, o projeto federal ainda
caminha lentamente no Congresso. Felizmente, a versão da lei respeita os
princípios da responsabilidade fiscal e das licitações. O
projeto inicial era bem diferente. Propunha remover problemas de infra-estrutura,
comprometendo o equilíbrio fiscal. A discussão do tema no Congresso
mostrou que o país não pode reduzir o peso de um entrave elevando
o de outro. No âmbito dos governos estaduais, projetos de PPP ou simples
concessões já mostraram como é possível melhorar a
infra-estrutura ao abrir espaço para a iniciativa privada de forma responsável.
| Agora só falta agir
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O estudo da consultoria McKinsey fornece
ao poder público um diagnóstico raro do tamanho dos obstáculos
que impedem o desenvolvimento pleno da economia brasileira. Este governo e os
que o antecederam não são de todo estranhos a essas barreiras
apenas não deram ao trabalho de sua demolição a prioridade
merecida. Avanços já foram feitos não só no controle
da inflação como na aprovação de leis que melhoram
o ambiente de negócios no país. É hora de avançar,
mas o governo dá sinais de fadiga de reforma à medida que se aproxima
o novo ciclo eleitoral. É justamente por isso que o guia da McKinsey propicia
uma oportunidade de ouro. Ao atribuir um peso a cada entrave ao crescimento, hierarquiza
os desafios à frente do país. Em 2006, VEJA vai cobrar dos políticos
ações concretas sobre os problemas identificados no estudo. Os obstáculos
e as possíveis soluções também serão analisados
com maior profundidade em reportagens em edições futuras de Exame,
a revista quinzenal de negócios da Editora Abril, que edita VEJA. |
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