Edição 1934 . 7 de dezembro de 2005

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Especial
Infra-estrutura

O QUE É
Sistema de transporte precário, limites reduzidos de estocagem agrícola e incerteza na oferta de energia

QUEM PERDE MAIS
Agronegócios e todos os segmentos ligados a exportações

IMPACTO
A debilitada infra-estrutura de transporte eleva custos, provoca desperdícios e reduz a produtividade

COMO SUPERAR
Ampliar o investimento em infra-estrutura, tanto público como privado


NESTA EDIÇÃO
O grande salto
Informalidade
Deficiências macroeconômicas
Problemas regulatórios
Má qualidade do serviço público

A precariedade da infra-estrutura representa 5% dos entraves ao crescimento brasileiro, segundo o estudo da McKinsey. O peso é relativamente pequeno, mas seu impacto é muito maior em setores vitais para a economia nacional. É o caso dos segmentos voltados para a exportação, como o agronegócio, que têm sido fundamentais para o equilíbrio das contas do país. A remoção dos entraves de infra-estrutura permitiria um avanço espetacular nos setores econômicos brasileiros que já atuam em pé de igualdade com a competição externa. Na lavoura, os produtores brasileiros de soja são muito eficientes. Produzem 2.800 quilos em média por hectare, superando em 10% americanos e argentinos. Mas, por causa de todos os gargalos de infra-estrutura, o país deixa de ganhar 17 dólares por tonelada exportada, em comparação com os argentinos, e até 25 dólares, em relação aos americanos. Os empecilhos começam pelo tipo de sistema de transporte predominantemente adotado. O estudo da McKinsey ressalta que o Brasil só tem 29.000 quilômetros de ferrovias, contra 239.000 quilômetros nos Estados Unidos. O pior é que essas não são as únicas dificuldades enfrentadas pelos empreendedores do campo. Os recordes nas exportações ainda continuam, mas a redução do ritmo do crescimento é brutal. Entre janeiro e outubro de 2005, as exportações de produtos agrícolas cresceram 9,6%. Em 2004, o avanço nos mesmos meses havia sido de 30%.

Lalo de Almeida/Samba Photos
PECUÁRIA EXTENSIVA
Fragilidade no controle coloca todo um setor em risco quando surgem problemas isolados como a febre aftosa

É evidente que a remoção desse tipo de bloqueio exige investimentos elevados. E, com uma dívida pública de 51% do produto interno bruto (PIB), não sobra dinheiro para esse tipo de aporte. Mas, no Brasil, nem sequer as soluções alternativas, mesmo que parciais, prosperam com facilidade. Esse é o caso das Parcerias Público-Privadas, conhecidas como PPPs. Depois de pelo menos três anos em debate, o projeto federal ainda caminha lentamente no Congresso. Felizmente, a versão da lei respeita os princípios da responsabilidade fiscal e das licitações. O projeto inicial era bem diferente. Propunha remover problemas de infra-estrutura, comprometendo o equilíbrio fiscal. A discussão do tema no Congresso mostrou que o país não pode reduzir o peso de um entrave elevando o de outro. No âmbito dos governos estaduais, projetos de PPP ou simples concessões já mostraram como é possível melhorar a infra-estrutura ao abrir espaço para a iniciativa privada de forma responsável.

 

Agora só falta agir

O estudo da consultoria McKinsey fornece ao poder público um diagnóstico raro do tamanho dos obstáculos que impedem o desenvolvimento pleno da economia brasileira. Este governo e os que o antecederam não são de todo estranhos a essas barreiras – apenas não deram ao trabalho de sua demolição a prioridade merecida. Avanços já foram feitos não só no controle da inflação como na aprovação de leis que melhoram o ambiente de negócios no país. É hora de avançar, mas o governo dá sinais de fadiga de reforma à medida que se aproxima o novo ciclo eleitoral. É justamente por isso que o guia da McKinsey propicia uma oportunidade de ouro. Ao atribuir um peso a cada entrave ao crescimento, hierarquiza os desafios à frente do país. Em 2006, VEJA vai cobrar dos políticos ações concretas sobre os problemas identificados no estudo. Os obstáculos e as possíveis soluções também serão analisados com maior profundidade em reportagens em edições futuras de Exame, a revista quinzenal de negócios da Editora Abril, que edita VEJA.

 
 
 
 
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