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Especial Má
qualidade do serviço público O
QUE É Ineficiência do Estado
em prover a sociedade de serviços como educação, Justiça,
saúde e segurança QUEM PERDE
MAIS Todos IMPACTO Educação
e saúde deficientes desqualificam a mão-de-obra. Justiça
lenta e segurança precária encarecem o custo dos negócios
COMO SUPERAR Melhorar a gestão
do setor público principalmente na qualidade do gasto
Fabaiano Accorsi  |
| ILHA DE EXCELÊNCIA Teste
de monitoramento remoto sem fio na Faculdade de Medicina da USP |
A precariedade
dos serviços públicos é responsável por cerca de 8%
das barreiras ao crescimento do país. Esse impacto se deve aos efeitos
em cascata que as deficiências no setor público causam à economia.
No Brasil, esses problemas parecem tão arraigados à rotina nacional
que aparentam ser imutáveis. Não são. O Reino Unido, um dos
casos analisados pela consultoria McKinsey, vem implementando, desde 1997, uma
reforma visando ao aumento de produtividade e à melhoria da qualidade dos
serviços públicos. O primeiro passo deu-se com o estabelecimento
de alguns princípios. Depois, colocaram-se em prática ações
pontuais e objetivas. Eis a lista dos princípios que nortearam o programa:
metas nacionais de desempenho, mensuráveis
e disponíveis para comparação pelo público;
clara definição de responsabilidades
entre as entidades públicas; aumento
da flexibilidade, por meio da simplificação de processos e da redução
da burocracia; oportunidade de escolha
por parte do público em relação aos provedores de serviços.
A faxina britânica também resultou na criação
de uma estrutura organizacional chefiada pelo ministro da Economia com a tarefa
de promover iniciativas de aumento de produtividade. A estimativa é que
só as reformas contra a burocracia tenham um custo de 35 milhões
de libras, mas que aumentem o PIB do país em 16 bilhões de libras.
As mudanças foram inspiradas em alterações também
executadas na Holanda. Ali, estabeleceu-se a meta de reduzir 25% dos entraves
burocráticos do serviço público no prazo de quatro anos.
Enquanto mesmo nações ricas tentam minar suas
barreiras, o Brasil acumula problemas. Hoje, em educação, um dos
principais desafios é a qualidade do ensino, mas os sinais vitais do país
nesse campo são fraquíssimos. Em exames que comparam o desempenho
de estudantes de quarenta países, os alunos brasileiros ficam no último
lugar em matemática e no penúltimo em ciências. No quesito
leitura, conseguem apenas o 37º posto. Somem-se a esse retrato os problemas
de saúde, a morosidade do Judiciário e a burocracia, que só
faz as empresas perder tempo e dinheiro, e teremos um indício da urgência
em mudar a administração pública no país.
| A matemática do bem-estar
O Brasil cresce em média pouco menos de 2,5% ao ano há duas décadas.
Nesse ritmo, o país levará mais de trinta anos para atingir o PIB
per capita atual de nações com renda intermediária, como
Portugal. Para chegarmos aonde os Estados Unidos estão atualmente, seriam
necessárias outras três décadas. Mas, como o resto do mundo
não vai esperar inerte a aproximação brasileira, os demais
países estarão ainda mais à frente quando chegarmos a seus
patamares de hoje. Então, o Brasil ficará para sempre na lanterna?
Não. Pode ser que tenhamos feito uma opção nacional pelo
atraso, mas não estamos condenados a ele. Segundo simulações
realizadas pela consultoria McKinsey, se caíssem as cinco barreiras que
impedem o país de crescer no ritmo que precisa, o PIB per capita brasileiro
poderia ser triplicado: de 3.325 dólares por habitante para 9 975 dólares
por habitante. Ou de 8 200 para 24 600 dólares, considerando a outra forma
de comparar o bem-estar de cada nação a paridade de poder
de compra (PPP), que leva em conta o poder de consumo local de cada moeda. São
duas maneiras de enxergar uma mesma realidade. Não importa a ótica
adotada, removidos os cinco entraves apontados pela McKinsey, a produtividade
da máquina econômica do Brasil deslancharia, elevando com isso o
padrão de vida dos brasileiros. Mas qual é a relação
entre produtividade e o bem-estar das pessoas? Produtividade é o principal
indutor da melhora na renda da população de um país. O aumento
da produtividade gera um excedente de recursos na economia. Ganham consumidores,
trabalhadores e empresas. Os efeitos sobre a economia são múltiplos.
Pode-se crescer mais, com menos pressão inflacionária. Foi o que
ocorreu nos Estados Unidos na década passada. Com os lucros mirabolantes
do mercado acionário nos anos 90, os consumidores foram ávidos às
compras. Esse movimento só não se transformou em inflação
porque havia mais produtos, de qualidade cada vez melhor, à disposição
dos americanos graças à revolução da produtividade.
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