|
|
Especial Informalidade O
QUE É Sonegação, pirataria, desrespeito a regras
ambientais e violações dos direitos do consumidor
QUEM PERDE MAIS Os supermercados e a construção
IMPACTO Reduz a arrecadação
do governo, derruba o lucro e aumenta os impostos de quem anda na legalidade,
além de desestimular o investimento em tecnologia de ponta
COMO SUPERAR Simplificar os tributos, ampliar a fiscalização
e fazer valer as penalidades. As distorções atuais propiciam aos
ilegais lucros três vezes maiores
A
principal barreira para o crescimento do país é a informalidade.
Leia-se: ilegalidade consentida. Representa 28% do total de entraves ao desenvolvimento.
Esse valor sobe para 43% quando se consideram apenas as barreiras que podem ser
derrubadas tirando do cálculo a inamovível herança
ibero-africana-católica, em outras palavras o estágio atual de atraso
da civilização brasileira. O conceito de informalidade adotado pela
McKinsey não se resume à economia paralela, movida por multidões
de camelôs. É mais amplo. Alcança distorções
que comprometem a concorrência entre empresas, como a sonegação
de impostos, o descumprimento de obrigações legais de toda ordem
e, em especial, o descaso pelo direito de propriedade intelectual. São
inúmeros os prejuízos provocados pela ação dos que
agem ilegalmente. Uma conseqüência, porém, é vital mas
de difícil observação a olho nu: o incentivo à ineficiência
e à falta de competitividade. "Ao conviver com a informalidade, o país
todo se prejudica, pois perde capacidade produtiva", diz Martha Laboissière,
que coordenou o estudo da McKinsey. Os informais também não investem
em máquinas e equipamentos. Não inovam. Copiam. Evitam ainda parceiros
legais, não se credenciam a receber investimentos ou crédito e isso
os empurra cada vez mais fundo para os subterrâneos.
O lado bom de tudo isso é que a informalidade pode ser combatida e vencida.
A Espanha é um exemplo. O governo espanhol ampliou em 75% a arrecadação
de impostos das pequenas e médias empresas. O ano da virada foi 1994. Desde
então, a taxa de emprego aumentou 33% e o desemprego caiu mais de 50%.
A primeira ação: atualizar o banco de dados dos contribuintes e
integrar todos os sistemas de informática do governo. Criou-se um sistema
de tributação simples para as micros e pequenas empresas, com base
em indicadores específicos para cada setor. Outra medida crucial: acabar
com a sensação de impunidade e aceitabilidade social dos informais.
Um bom começo é chamá-los pelo devido nome: ladrões.
Paulo Libert/AE  | /AE
 |
| FESTA DA SONEGAÇÃO
Comércio na Rua 25 de Março, em São Paulo | |
|