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Especial O
grande salto Cinco barreiras impedem a economia
brasileira de produzir riqueza para seus habitantes em nível similar
ao de países avançados. Essa é a notícia ruim.
A boa? Os entraves podem ser removidos com algum comprometimento da sociedade.
Um bom começo é deixar de colocar toda a culpa nos juros e no
câmbio 
Carlos Rydlewski e Giuliano Guandalini
Por que o desempenho econômico
do Brasil é mais fraco que o de seus principais concorrentes no mundo?
O que o país precisa fazer para melhorar substancialmente a qualidade de
vida de sua população? Essas perguntas, que dominam o debate público
desde os anos perdidos da década de 80, voltaram à cena com força
na semana passada, depois que o IBGE registrou uma queda de 1,2% do produto interno
bruto (PIB). Esse resultado marcou a interrupção de um período
de oito trimestres de crescimento consecutivo. Foi apenas um soluço da
máquina produtiva, que vinha funcionando bem. Mas os culpados pela queda
do PIB não demoraram a ser apontados com a ênfase costumeira: juros
altos, câmbio valorizado e arrocho do investimento público.
Juros e câmbio são fatores que
pesam em qualquer economia, mas eles não podem ser manipulados pelo governo
com o objetivo de produzir surtos de crescimento. São instrumentos de ajuste
fino. Seu poder, porém, é supervalorizado no debate brasileiro.
Resquício de nossas crenças ancestrais em soluções
mágicas como os planos mirabolantes, os congelamentos e os tabelamentos
de preço. VEJA traz um estudo exclusivo feito pela consultoria McKinsey,
uma das maiores e mais prestigiadas empresas do ramo no mundo, que ajuda a enxergar
a realidade da economia brasileira além dos juros e do câmbio. Por
meio de análises e entrevistas com executivos distribuídos em seis
setores significativos da economia, a consultoria mapeou cinco barreiras ao crescimento
que podem ser removidas com um certo grau de comprometimento da sociedade. O estudo
é preciso a ponto de atribuir a cada um dos entraves um valor específico,
uma espécie de "coeficiente de arrasto" que se opõe ao avanço
da economia brasileira. A pesquisa mostra como o Brasil perdeu terreno na última
década, mas traz uma constatação animadora: 65% dessa muralha
anticrescimento pode ser demolida com ações pontuais, executadas
pelo poder público. Sem esses entraves, o PIB brasileiro poderia triplicar.
"O que se conclui é que novos avanços na qualidade de vida dos brasileiros
dependem dos próprios brasileiros", diz Heinz-Peter Elstrodt, responsável
pela McKinsey na região do Mercosul.
O estudo vem em boa hora. O padrão de vida dos brasileiros avança
timidamente, enquanto boa parte do mundo corre em direção ao desenvolvimento.
Entre 1995 e 2004, o PIB per capita (total produzido pela economia dividido pelo
número de habitantes) cresceu apenas 1,5% em média. No mesmo período,
a renda aumentou 2,3% ao ano nos EUA, 3,7% na Coréia do Sul, 4,1% na Índia
e 7,6% na China. Como resultado, a renda brasileira, que era 23% da americana
em 1995, hoje representa apenas 21%. A McKinsey explica esse desempenho medíocre
pelo baixo crescimento da produtividade nesse período, que avançou
apenas 0,3% ao ano em média. Há dez anos, a máquina econômica
brasileira produzia 23% do que produzia a máquina americana. Hoje a produtividade
do Brasil equivale a 18% da americana. Nas próxima páginas, VEJA
mostra quais são as barreiras ao aumento da produtividade, indica quais
os setores que elas afetam e dá exemplos de como outros países encontraram
soluções para esses mesmos problemas e conseguiram elevar o padrão
de vida de seus habitantes. Como se verá, a questão do aumento da
produtividade é o motor do progresso não inflacionário, modernizador
e distribuidor de renda. Só reclamar dos níveis dos juros e do câmbio
não aumenta a produtividade. Com
reportagem de Chrystiane Silva |