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Internet A
biblioteca do Google O gigante da internet
oferece um novo serviço de pesquisa do conteúdo de livros
e assusta o mundo editorial  Paula
Aoyagui Tony
Cenicola/The New York Times
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O site de buscas Google nunca usou
de modéstia para anunciar seus objetivos. Quando estreou, sete anos atrás,
a empresa criada pelos americanos Sergey Brin e Larry Page afirmou que não
queria nada menos do que "organizar o caos de informações da internet".
Agora, ao lançar uma ferramenta que permite vasculhar o conteúdo
de livros digitalizados, o Google recorre a linguagem semelhante: seu propósito
é "tornar acessível a qualquer internauta o texto de todos os livros
do mundo". O serviço, batizado de Google Book Search, começou a
operar no mês passado em versão experimental. Para dar início
à sua "estante virtual" ou seja, a seu banco de dados , o
Google fechou acordo com cinco instituições. Vai digitalizar milhões
de volumes da Biblioteca Pública de Nova York e dos acervos de quatro universidades
Harvard, Stanford e Michigan, nos Estados Unidos, e Oxford, na Inglaterra.
Estima-se que o Google tenha investido 200 milhões de dólares na
empreitada e os administradores da biblioteca de Michigan ajudam a entender
o que esse tipo de investimento torna possível. A universidade já
havia começado a digitalizar seu acervo de 7 milhões de livros por
conta própria e calculava que despenderia 400 anos na tarefa. "O Google
prometeu fazer o mesmo serviço em seis anos", diz Kelly Cuningham, porta-voz
da biblioteca. Essa iniciativa ambiciosa deixou o mundo editorial em polvorosa
e, assim como tem colhido elogios, já encontrou também quem a conteste
nos tribunais. O Google não
foi o primeiro a lançar uma ferramenta de busca do conteúdo de livros.
Em outubro de 2003, o portal de compras Amazon.com lançou o seu Search
Inside the Book. Para fazer isso, entrou em entendimento com as editoras: cabe
a elas liberar os livros para digitalização e estabelecer a porcentagem
de páginas que poderá ser lida on-line. Estima-se que, hoje, metade
das obras vendidas pela livraria possa ser pesquisada dessa forma. O Google não
fez nenhum acordo do tipo. Por causa disso, a Associação de Editoras
Americanas deu início a um processo contra o site em outubro, antes mesmo
do lançamento da ferramenta. "O Google não negociou conosco. Preferiu
infringir a lei de direitos autorais", diz o vice-presidente da associação,
Allan Adler. A Associação dos Autores, representante de mais de
8.000 autores americanos, também levou a briga para a Justiça.
Tim
Boyd/AP
 | Dan
Brown, autor do best-seller O Código Da Vinci: dificuldade
mediana |
O site diz que
sua intenção não é fraudar direitos autorais, tanto
assim que convida editoras de todos os portes a participar de seu projeto. A empresa
alega que só permite a leitura integral de textos que já caíram
em domínio público das demais obras, oferece apenas trechos
(mas de tamanho indefinido). Para estabelecer a quantidade de texto oferecida
aos usuários, o Google se ampara num dispositivo da lei de proteção
à propriedade intelectual conhecido como fair use (algo como "uso
justo"). Mas os limites legais dessa prática são nebulosos. "A lei
não deixa claro quanto se pode copiar. Um parágrafo? Um capítulo?",
diz John Dozier, advogado americano especializado em direito autoral. Outro ponto
polêmico é o controle técnico que o Google de fato tem sobre
o acesso às páginas digitalizadas. Já existe na internet
um blog que ensina como burlar as restrições do site. O blogueiro
se gaba de ter lido 92% de uma obra.
Seja
qual for o desfecho da briga, o fato é que a pesquisa do conteúdo
de livros na internet veio para ficar (a Microsoft e o Yahoo! já se uniram
ao Open Content Alliance, cujo lançamento está previsto para o ano
que vem, para fazer concorrência). Por enquanto, os serviços do Google
e da Amazon têm diferenças consideráveis. A Amazon, graças
a seu trânsito com as editoras, oferece títulos recentes de todos
os gêneros. No Google é quase impossível localizar, por exemplo,
obras de ficção contemporânea em compensação,
há muitos livros raros e fora de catálogo. As experiências
de busca também são distintas. O método de varredura do Google
é muito amplo livros relevantes para a busca aparecem lado a lado
com aqueles que não são. A Amazon é mais "concentrada". Num
primeiro passo, sua ferramenta apresenta resultados com base no título
e no nome do autor. Uma vez selecionado um livro, o usuário pode mergulhar
em seu conteúdo. Andy
Rogers
 | Ben
Margot/AP
 | | Jeff
Bezos, da Amazon.com, e Sergey Brin e Larry Page, do Google: milhões de livros
on-line |
Uma diferença
óbvia, mas significativa, é que a Amazon.com é uma loja virtual
ou seja, ela trabalha para vender livros aos seus visitantes. Jeff Bezos
já anunciou seu próximo lance comercial: vender "pedaços"
digitalizados como um poema por exemplo dos livros de seu catálogo.
O preço por página deve ficar em centavos de dólar. O Google
não faz vendas diretas. Encaminha seu usuário a bibliotecas ou a
outros sites (como o da própria Amazon.com) por meio dos chamados "links
patrocinados", que são sua principal fonte de recursos. Há boatos
de que o site tem planos para revolucionar o comércio on-line um
serviço com esse objetivo, batizado provisoriamente de Google Wallet, estaria
em desenvolvimento. Mas isso já é outra história. |