|
Diogo
Mainardi
Observatório
da imprensa
"Eu acompanho todo o noticiário
político.
Minha maior diversão é tentar adivinhar
a que corrente do lulismo pertence cada
jornalista. Não preciso de mais de uma
frase, perdida no meio de um artigo, para
identificar um governista infiltrado"
Os lulistas reclamam da imprensa. Não
entendo o motivo. Lula já teria sido deposto se jornais,
revistas e redes de televisão não estivessem tomados
por seus partidários.
Eu acompanho todo o noticiário
político. Minha maior diversão é tentar adivinhar
a que corrente do lulismo pertence cada jornalista. Não sou
um grande especialista no assunto. Não freqüento o ambiente
jornalístico. Tenho apenas quatro ou cinco amigos no ramo.
E nunca fui de esquerda. Não sei direito quem é quem
dentro do PT. Esses pelegos me parecem todos iguais. Mas tenho um
bom olho para reconhecer o jargão lulista. Não preciso
de mais de uma frase, perdida no meio de um artigo, para identificar
um governista infiltrado.
O Globo tem Tereza Cruvinel.
É lulista do PC do B. Repete todos os dias que o mensalão
ainda não foi provado. E que, de fato, José Dirceu
não deveria ter sido cassado. Cruvinel aparelhou o jornal
da mesma maneira que os lulistas aparelharam os órgãos
públicos. Quando ela tira férias, seu cunhado, Ilimar
Franco, assume sua coluna.
Kennedy Alencar foi assessor de imprensa
do PT. Ele continua sendo assessor de imprensa do PT, só
que agora de maneira não declarada, em suas matérias
para a Folha de S.Paulo. Ele é o taquígrafo
oficial de André Singer, secretário de Imprensa de
Lula. Singer dita e Kennedy Alencar publica.
Franklin Martins é José
Dirceu até a morte. Eliane Cantanhêde é da turma
de Aloizio Mercadante. Luiz Garcia é lulista, sem dúvida
nenhuma, mas não consigo identificar sua corrente. Vinicius
Mota é do grupo de Marta Suplicy. Quem mais? Alberto Dines
é seguidor de Dirceu, e só se cerca de seguidores
de Dirceu. Alon Feuerwerker, do Correio Braziliense, é
do partidão, e apóia quem o partidão mandar.
Paulo Markun, da TV Cultura, tem simpatia por qualquer um que seja
minimamente de esquerda. Paulo Henrique Amorim é lulista
de linha bolivariana. Ricardo Noblat era lulista ligado a Dirceu,
mas pulou fora no momento oportuno.
Leonardo Attuch, da IstoÉ
Dinheiro, é subordinado a Daniel Dantas. Quando Dantas
está satisfeito com o governo, Attuch é governista.
Quando Dantas está insatisfeito com o governo, Attuch vira
oposicionista. Mino Carta, por outro lado, é subordinado
a Carlos Jereissati. Tem a missão de atacar Dantas. E de
defender a ala lulista representada por Luiz Gushiken.
Os jornalistas que não pertencem
à área de Dirceu, Gushiken, Mercadante, Suplicy ou
Rebelo em geral pertencem à área de Antonio Palocci.
Nunca houve um político tão protegido pela imprensa
quanto ele. Palocci tem defensores influentes em todos os veículos,
sobretudo em O Estado de S. Paulo e Valor.
Nem mesmo VEJA escapa do tribunal macartista
mainardiano. Os lulistas costumam definir a revista como tucana,
mas eu desconfio que ela esteja cheia de lulistas. Não posso
revelar seus nomes por puro corporativismo. E porque não
quero perder aqueles quatro ou cinco amigos na profissão.
|