Edição 1934 . 7 de dezembro de 2005

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Carta ao leitor
Crescimento é vida melhor

 
Maira Soares/Folha Imagem
A qualidade de vida aumenta junto com a produtividade

Com base em um estudo da McKinsey, uma das maiores empresas de consultoria do mundo, VEJA publica nesta edição uma reportagem especial que simula o funcionamento da economia brasileira sem os entraves que há décadas impedem o país de crescer no ritmo que precisa. Em primeiro lugar, os pesquisadores da McKinsey identificaram as principais barreiras ao crescimento: a informalidade, fatores macroeconômicos, os problemas regulatórios, a deficiência de infra-estrutura e a má qualidade do serviço público. Depois calcularam o crescimento da economia caso esses obstáculos fossem implodidos. O resultado do aumento da produtividade seria espetacular. Sem aquelas barreiras, a economia brasileira, que no ano passado gerou 3.325 dólares por habitante, teria produzido no mesmo período 9.975 dólares por habitante – o triplo.

Com cada brasileiro gerando três vezes mais riqueza, a qualidade de vida melhoraria de forma significativa. Ao trabalhar sem entraves, a economia cresceria em um ritmo que possibilitaria tirar da miséria cerca de 8 milhões de brasileiros por ano sem assistencialismo. Em menos de uma década, a classe média atingiria o nível de consumo de um país como a Bélgica. A geração de empregos superaria a taxa de crescimento da população economicamente ativa, diminuindo, como conseqüência, problemas sociais graves diretamente associados à falta de perspectiva profissional e ascensão social, como é o caso da criminalidade.

Com tantos e evidentes benefícios, é de perguntar por que a luta para derrubar aquelas barreiras não é a prioridade de políticos, líderes empresariais e sindicalistas brasileiros. Uma resposta parcial é que ainda não exorcizamos de nosso inconsciente a crença em soluções mágicas fruto da vontade do governante. Essa crença já foi colocada em planos econômicos mirabolantes. Atualmente ela se concentra em duas palavrinhas mágicas: juro e câmbio. Felizmente – desde que o país adotou, em 1999, a política de metas inflacionárias, disciplina fiscal e câmbio flutuante –, nenhum governante ousou manipular esses parâmetros para produzir surtos não sustentáveis de crescimento. Resta, portanto, a missão de derrubar as demais barreiras. O ano eleitoral de 2006 é uma janela rara de oportunidades para que isso seja feito. Vamos cobrar.

 
 
 
 
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