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Carta ao leitor
Crescimento é vida melhor
Maira
Soares/Folha Imagem
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qualidade de vida aumenta junto com a produtividade |
Com
base em um estudo da McKinsey, uma das maiores empresas de consultoria do mundo,
VEJA publica nesta edição uma reportagem especial que simula o funcionamento
da economia brasileira sem os entraves que há décadas impedem o
país de crescer no ritmo que precisa. Em primeiro lugar, os pesquisadores
da McKinsey identificaram as principais barreiras ao crescimento: a informalidade,
fatores macroeconômicos, os problemas regulatórios, a deficiência
de infra-estrutura e a má qualidade do serviço público. Depois
calcularam o crescimento da economia caso esses obstáculos fossem implodidos.
O resultado do aumento da produtividade seria espetacular. Sem aquelas barreiras,
a economia brasileira, que no ano passado gerou 3.325 dólares por habitante,
teria produzido no mesmo período 9.975 dólares por habitante
o triplo. Com cada brasileiro gerando
três vezes mais riqueza, a qualidade de vida melhoraria de forma significativa.
Ao trabalhar sem entraves, a economia cresceria em um ritmo que possibilitaria
tirar da miséria cerca de 8 milhões de brasileiros por ano sem assistencialismo.
Em menos de uma década, a classe média atingiria o nível
de consumo de um país como a Bélgica. A geração de
empregos superaria a taxa de crescimento da população economicamente
ativa, diminuindo, como conseqüência, problemas sociais graves diretamente
associados à falta de perspectiva profissional e ascensão social,
como é o caso da criminalidade.
Com tantos e evidentes benefícios, é de perguntar por que a luta
para derrubar aquelas barreiras não é a prioridade de políticos,
líderes empresariais e sindicalistas brasileiros. Uma resposta parcial
é que ainda não exorcizamos de nosso inconsciente a crença
em soluções mágicas fruto da vontade do governante. Essa
crença já foi colocada em planos econômicos mirabolantes.
Atualmente ela se concentra em duas palavrinhas mágicas: juro e câmbio.
Felizmente desde que o país adotou, em 1999, a política de
metas inflacionárias, disciplina fiscal e câmbio flutuante ,
nenhum governante ousou manipular esses parâmetros para produzir surtos
não sustentáveis de crescimento. Resta, portanto, a missão
de derrubar as demais barreiras. O ano eleitoral de 2006 é uma janela rara
de oportunidades para que isso seja feito. Vamos cobrar. |