BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 2033

7 de novembro de 2007
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Lya Luft
Millôr
André Petry
Diogo Mainardi
Gustavo Ioschpe
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Datas
Auto-retrato
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
Publicidade
 

Cinema
Ele tem fome de poder

Chutado pela Paramount, Tom Cruise virou dono
de seu próprio estúdio. É uma aposta arriscada


Isabela Boscov

VEJA TAMBÉM
Da internet
Trailer do filme

Em 23 de maio de 2005, quando pulou como um maníaco no programa de Oprah Winfrey, Tom Cruise se lançou num inferno astral de sua própria criação. Sua performance foi esmiuçada ao redor do mundo em tom de chacota. Logo, veio à tona que a Paramount ficara furiosa com sua pregação em prol da cientologia no set de Guerra dos Mundos – e no ano passado o estúdio não quis renovar um contrato que estava entre os mais lucrativos de Hollywood. Boatos deletérios não paravam de circular – por exemplo, sobre como ele teria ingerido a placenta de sua filha recém-nascida. Há alguns meses, na Alemanha, ele teve uma licença de filmagem negada, ao que se sabe novamente por causa da cientologia. Leões e Cordeiros (Lions for Lambs, Estados Unidos, 2007), que estréia no Brasil nesta sexta-feira, é a tentativa de Cruise de pôr um ponto final nesse ciclo. Dirigida por Robert Redford, essa é a primeira produção da "nova" United Artists – companhia que teve vários donos e falências, à maneira de um ponto "micado", e agora estará por pelo menos cinco anos nas mãos do astro e de sua sócia, Paula Wagner, graças a uma quantia estimada em 500 milhões de dólares e captada entre investidores privados. O filme esclarece qual o apetite mais agudo que esse longo inverno despertou no ator: a fome de prestígio – e de poder.

Leões e Cordeiros discute o envolvimento americano no Iraque – num de seus cenários, o próprio Cruise faz um jovem senador republicano que bola mais um daqueles planos de ataque irresponsáveis. É um filme feito de diálogos, que mira não na massa, mas no Oscar. A intenção é evidente pelo elenco papa-prêmios, que inclui Redford e Meryl Streep; pelo tema, que sugere que Cruise observou com interesse o que o ativismo fez por George Clooney; e pela maneira quase ostensiva como descorteja a bilheteria. Mas esse pode não ser um bom rumo. Outros astros já foram donos de estúdio (a própria United Artists foi fundada por Charles Chaplin e Mary Pickford), mas a prática nunca se disseminou porque é de altíssimo risco: aos olhos da indústria, os fracassos do ator e os da empresa sempre vão se confundir, com prejuízo de imagem e confiança para ambos. Além disso, investidores privados querem lucro, e não necessariamente prestígio. (Ainda não está claro se o próximo filme de Cruise, Valkyrie, sobre um complô de oficiais alemães para assassinar Hitler, pretende atender a suas necessidades materiais ou psicológicas.) Até o prestígio, aliás, pode estar fora do alcance de Leões e Cordeiros. O filme é grandiloqüente, condescendente e de uma patriotagem não pouco simplória. A cara do pai, enfim – ou pelo menos a cara que ele adquiriu desde aquele ataque ao sofá de Oprah.


Publicidade

  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |