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7 de novembro de 2007
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Brasil
"Para mim, ética não é pose"

Relator do caso Renan diz que não se intimida e chama
de canalhas os responsáveis pelo dossiê contra ele


Alexandre Oltramari

 
Ueslei Marcelino/Folha Imagem
Jefferson Péres: o relatório sobre os laranjas de Renan será apresentado na semana que vem

Se o objetivo das pessoas que espalharam no Congresso um dossiê contra o senador Jefferson Péres era tentar intimidá-lo de alguma maneira, a trama fracassou. Da tribuna do Senado, em um pronunciamento depois da reportagem de VEJA que revelou a existência das falsas acusações contra ele, o senador encerrou o caso com um recado direto e contundente: "Canalhas de todos os matizes, eu não sou como vocês. Ética para mim não é pose. Não é bandeira eleitoral". O senador disse ter evidências sobre a origem do dossiê, mas não quis revelar suas suspeitas. Limitou-se a ler uma carta do presidente licenciado, senador Renan Calheiros, negando qualquer responsabilidade pela produção ou difusão do vídeo em que Péres é mostrado como envolvido numa fraude contra uma siderúrgica na década de 70. Na semana passada, Jefferson Péres, encarregado de apurar se Renan Calheiros feriu o decoro parlamentar ao participar de uma sociedade clandestina para a compra de um grupo de comunicação em Alagoas, começou a ouvir as testemunhas do caso.

O primeiro a depor foi o contador José Amilton Barbosa. Ele disse que trabalhou no grupo de comunicação e que sabia da sociedade entre Renan Calheiros e o usineiro João Lyra. A outra testemunha foi o juiz estadual Marcelo Tadeu Lemos de Oliveira. O magistrado é o responsável por um processo criminal no qual Lyra é acusado de ordenar um assassinato em Alagoas. O que ele tinha a dizer sobre a sociedade secreta? Nada. Por estratégia da defesa do senador, o juiz foi arrolado como testemunha apenas para desqualificar o depoimento do usineiro João Lyra, que confirmou o negócio clandestino entre ele e o presidente licenciado do Congresso. Percebendo que alguns depoimentos podem servir apenas para atrasar as investigações, Péres decidiu se concentrar na análise de documentos. É nesse ponto que a vida de Renan se complica. Um dos documentos em poder do Conselho de Ética é uma proposta de venda do grupo de comunicação endereçada e entregue pessoalmente ao senador em 1998, quando ele era ministro da Justiça. Renan admite ter recebido o documento, mas declara ter sido apenas o "portador de uma correspondência" a um amigo, agindo como se fosse um office-boy e não um ministro.

É inacreditável que o vendedor das empresas de comunicação, radicado em Maceió, tenha ido a Brasília só para usar o então ministro da Justiça como mensageiro de uma proposta comercial enviada na verdade a João Lyra, que vive e trabalha na capital alagoana. É mais inacreditável ainda supor que, por mera coincidência, as empresas de que Renan Calheiros afirma nunca ter participado estejam registradas hoje em nome de seu filho, Renanzinho, cujo patrimônio se resumia a um Golf com três anos de uso. No fim do ano passado, ao relatar o processo do ex-senador Ney Suassuna, que teve um assessor envolvido com a máfia dos sanguessugas, o senador Jefferson Péres foi implacável. Recomendou a cassação do colega, mesmo sem ter encontrado provas cabais, sob a acusação de "condescendência criminosa". Por tudo isso, não há quem, em sã consciência, duvide que o mandato de Renan está por um fio, ao menos no que depender de Jefferson Péres.


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