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Edição 1 725 - 7 de novembro de 2001
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Ninguém se salva

O Capitão Corelli é ruim
de doer. Mas a paisagem...

Isabela Boscov

Grécia, início dos anos 40. O Exército italiano ocupa a ilha de Cefalônia, onde mora a bela Pelagia, prometida do pescador Mandras. Em nome do orgulho pátrio, Mandras se junta à Resistência bem na hora em que o capitão Corelli, um oficial que ama a ópera e o seu bandolim, se hospeda na casa de Pelagia. Conversa vai, conversa vem, rola o maior clima. Até que os nazistas, que nunca foram de papo furado, assumem o controle de Cefalônia e complicam o romance dos dois – e a vida de todo mundo. O escritor Louis de Bernières fez um bom livro, tomando a invasão da Grécia na II Guerra como pano de fundo. Já o diretor John Madden, de Shakespeare Apaixonado, transformou o livro num filme ruim de doer. O Capitão Corelli (Captain Corelli's Mandolin, Estados Unidos/Inglaterra/França, 2001), que estréia nesta sexta-feira no país, é aquele tipo de fita em que os atores falam inglês com sotaque "mediterrâneo". Ninguém se salva – e olhe que o elenco tem gente de classe, como Irene Papas, John Hurt e Christian Bale, além de Penélope Cruz e Nicolas Cage. Esse, aliás, anda cada vez mais canastrão. Agora, pelo menos, tem companhia. Só não chega a ser trágico ver tanto vexame porque, a exemplo dos soldados italianos, os atores parecem mais interessados numas boas férias do que em trabalho sério. Eles até que têm razão. Cefalônia é mesmo linda.

   
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