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Edição 1 725 - 7 de novembro de 2001
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Eles querem briga

Grupos de estrangeiros
chegam ao sul da
Bahia atrás
de diversão para homens

Adriana Negreiros

Homens desacompanhados, europeus e americanos, desembarcam no aeroporto de Ilhéus, no sul da Bahia, pensando num único prazer: a captura do marlim-azul, um gigante dos mares que pode pesar 1 tonelada, nada a até 90 quilômetros por hora e dá sensações únicas ao pescador brindado com uma fisgada. A uma hora de Ilhéus, o pequeno município de Canavieiras está de frente para o Royal Charlotte Bank, um acidente na geografia do mar que torna o lugar único para a pesca do marlim. Trata-se de um banco de areia que vai afundando ao longo de 100 quilômetros, até atingir 3.000 metros de profundidade – mas com temperatura da água em torno dos 30 graus. São condições que só se vêem ao lado das Ilhas Galápagos e no litoral da Costa Rica, os dois outros pontos de concentração de marlins.

Quase 100 estrangeiros se apresentam nos barcos a cada mês do verão. O negócio é tão promissor que a Art Marina, uma empresa com sede em Miami, abriu uma filial na cidade. No último fim de semana de outubro, só um barco fisgou 33 marlins. Acredita-se que os peixões venham da Índia e da África, atraídos pelo calor das correntes marítimas. O marlim está no topo da cadeia – não serve de alimento nem para tubarões. Os regulamentos da pesca oceânica determinam que ele deve sofrer o mínimo possível. A maioria é devolvida para a água depois de fotografada. Em alguns torneios doam-se exemplares para instituições de caridade. A carne, fibrosa, lembra vagamente a do atum.

Os pescadores têm renda equivalente a 150.000 reais por ano e gastam boa parte da poupança nos quatro dias de mar. "Eles vêm dispostos a pagar caro pelo intervalo longe de tudo que lembre trabalho", afirma Armando Ollandezos, diretor da Art Marina. O Brasil também tem adeptos do esporte e parte deles está descobrindo o sul da Bahia. É um hobby caro. Os barcos mais sofisticados custam mais de 1 milhão de dólares. O hoteleiro baiano Jorge Cirne, dono de um dos melhores barcos de pesca do Nordeste, desembolsa cerca de quarenta salários mínimos por mês com marina, seguro e combustível. "Tenho tecnologia de Primeiro Mundo", vangloria-se.

Há embarcações que têm até pista de dança – acessório quase inútil, porque raramente se vê mulher a bordo. A pesca do marlim é um jogo até literariamente pintado como coisa de homem. O escritor americano Ernest Hemingway – pescador – narrou num de seus grandes livros, O Velho e o Mar, a luta entre homem e peixe. A bordo de seus superbarcos, os homens, quando agarram um dos grandes, comportam-se como meninos. Gritam, pulam, comemoram. "É indescritível, um prazer incontrolável", diz Cirne. "Compensa os gastos."

   
 
   
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