Eles
querem briga
Grupos de estrangeiros
chegam ao sul da Bahia
atrás
de diversão para homens
Adriana
Negreiros
Homens
desacompanhados, europeus e americanos, desembarcam no aeroporto de Ilhéus,
no sul da Bahia, pensando num único prazer: a captura do marlim-azul,
um gigante dos mares que pode pesar 1 tonelada, nada a até 90 quilômetros
por hora e dá sensações únicas ao pescador
brindado com uma fisgada. A uma hora de Ilhéus, o pequeno município
de Canavieiras está de frente para o Royal Charlotte Bank, um acidente
na geografia do mar que torna o lugar único para a pesca do marlim.
Trata-se de um banco de areia que vai afundando ao longo de 100 quilômetros,
até atingir 3.000 metros de profundidade mas com temperatura
da água em torno dos 30 graus. São condições
que só se vêem ao lado das Ilhas Galápagos e no litoral
da Costa Rica, os dois outros pontos de concentração de
marlins.
Quase 100 estrangeiros se apresentam nos barcos a cada mês do verão.
O negócio é tão promissor que a Art Marina, uma empresa
com sede em Miami, abriu uma filial na cidade. No último fim de
semana de outubro, só um barco fisgou 33 marlins. Acredita-se que
os peixões venham da Índia e da África, atraídos
pelo calor das correntes marítimas. O marlim está no topo
da cadeia não serve de alimento nem para tubarões.
Os regulamentos da pesca oceânica determinam que ele deve sofrer
o mínimo possível. A maioria é devolvida para a água
depois de fotografada. Em alguns torneios doam-se exemplares para instituições
de caridade. A carne, fibrosa, lembra vagamente a do atum.
Os pescadores têm renda equivalente a 150.000 reais por ano e gastam
boa parte da poupança nos quatro dias de mar. "Eles vêm dispostos
a pagar caro pelo intervalo longe de tudo que lembre trabalho", afirma
Armando Ollandezos, diretor da Art Marina. O Brasil também tem
adeptos do esporte e parte deles está descobrindo o sul da Bahia.
É um hobby caro. Os barcos mais sofisticados custam mais de 1 milhão
de dólares. O hoteleiro baiano Jorge Cirne, dono de um dos melhores
barcos de pesca do Nordeste, desembolsa cerca de quarenta salários
mínimos por mês com marina, seguro e combustível.
"Tenho tecnologia de Primeiro Mundo", vangloria-se.
Há embarcações que têm até pista de
dança acessório quase inútil, porque raramente
se vê mulher a bordo. A pesca do marlim é um jogo até
literariamente pintado como coisa de homem. O escritor americano Ernest
Hemingway pescador narrou num de seus grandes livros, O
Velho e o Mar, a luta entre homem e peixe. A bordo de seus superbarcos,
os homens, quando agarram um dos grandes, comportam-se como meninos. Gritam,
pulam, comemoram. "É indescritível, um prazer incontrolável",
diz Cirne. "Compensa os gastos."
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