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A lei de Moore
O enunciador
da revolução dos
computadores faz a maior doação
a uma universidade
Divulgação
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| Gordon
Moore:
doação recorde |
Gordon Moore passaria facilmente à História como um dos
pais da era da tecnologia da informação. Ele foi um dos
fundadores da Intel, a empresa americana que domina o fabuloso mercado
de chips de computador, aqueles pequenos componentes eletrônicos
que hoje trabalham à velocidade de 2 gigahertz. Quando Moore começou
a desenhá-los e fabricá-los em massa no começo dos
anos 80, eles eram milhares de vezes mais lentos e centenas de vezes mais
caros. Moore previu a revolução tecnológica, passo
a passo. Sua previsão foi tão acertada que ficou conhecida
como "lei de Moore." Na semana passada, no entanto, Gordon Moore, aos
72 anos, já afastado de funções científicas
e gerenciais na Intel, foi entronizado em outro nicho da História.
Ele se tornou, ao lado da mulher, Betty, o maior benemérito de
uma instituição de ensino superior no mundo. O casal doou
600 milhões de dólares ao Instituto de Tecnologia da Califórnia
(Caltech), instituição de elite onde Moore estudou e fez
o primeiro esboço de um chip de computador usando apenas lápis
e papel.
A doação
do casal Moore é um assombro, mesmo para os padrões americanos
e, em especial, os da Wintel, como é chamada a poderosa e hegemônica
combinação do sistema operacional Windows, da Microsoft,
com os chips Intel. Entre bolsas de estudo e instalação
de bibliotecas eletrônicas em diversas escolas, Bill Gates, o maior
acionista da Microsoft, doou 995 milhões de dólares no ano
passado. Em dinheiro entregue diretamente a uma única universidade,
com a vantagem adicional de não fazer nenhuma exigência de
como ele será gasto, Gordon Moore é o número 1.
Stanford,
a universidade campeã de doações dos Estados Unidos,
levantou 580 milhões de dólares no ano passado. Harvard,
com os donativos de 11.000 ex-alunos, recebeu
485 milhões no total. "Eles fazem coisas maravilhosas no Caltech.
Farão ainda mais com os recursos que estamos repassando", disse
Moore. A fortuna de Gordon e Betty é calculada em 5,4 bilhões
de dólares. O casal anunciou que pretende colocá-la quase
toda na Fundação Moore, que vai se dedicar a dar bolsas
de estudo de alta tecnologia para alunos pobres e minorias raciais da
região de Los Angeles e San Francisco.
A doação
de Moore bateu o recorde de outro lendário pioneiro do Vale do
Silício, William Hewlett, um dos fundadores da Hewlett-Packard,
que deixou em seu testamento 400 milhões de dólares para
a Universidade Stanford. O Caltech é um instituto privilegiado.
Para começar, é dirigido por David Baltimore, biólogo,
virtuose de sua especialidade, ganhador do Prêmio Nobel de Medicina
em 1975, quando tinha 37 anos. Baltimore é apenas um dos 28 ganhadores
do Nobel que dão aula no Caltech. O instituto tem somente 2.000
alunos. É, de longe, a instituição de ensino superior
dos Estados Unidos que mais atrai doações. Quando se divide
tudo que o Caltech ganhou no ano passado antes do dinheiro de Moore,
portanto pelo número de estudantes, chega-se à cifra
de 49.300 dólares. Nesse ranking de
doações por aluno, Harvard aparece apenas em 18º lugar.
A cultura da doação a universidades é praticamente
desconhecida no Brasil. A Universidade de São Paulo levanta uma
média anual de 10 milhões de reais. A PUC do Rio recebe
anualmente cerca de 1,2 milhão de reais. Uma lástima.
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