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Nada
de Fla-Flu
Paulo Renato diz que está no jogo da
sucessão.
E com o incentivo de FHC
Marcelo
Carneiro
Ricardo Stuckert
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Paulo Renato: problemas pontuais |
Se
depender da disposição do ministro da Educação,
Paulo Renato Souza, a batalha no ninho tucano pela sucessão do
presidente Fernando Henrique Cardoso não terminará em Fla-Flu.
Nas últimas semanas, o ministro da Saúde, José Serra,
e o governador do Ceará, Tasso Jereissati, deram demonstrações
explícitas de que são candidatíssimos. O empenho
dos dois foi tão grande que até no PSDB houve quem imaginasse
não haver espaço para outros concorrentes no partido. Mas
Paulo Renato, que patina em um índice de 2% a 3% nas pesquisas
de intenção de voto, faz questão de avisar que o
jogo está só começando. "Meu porcentual nas pesquisas
é semelhante, até um pouco maior, ao do Tasso", diz o ministro
da Educação. Nem a greve nas universidades federais, que
já se arrasta por quase três meses, mudou seus planos. Na
avaliação de Paulo Renato, os problemas causados pela greve
são pontuais e estarão superados em pouco tempo.
Como credencial mais forte para entrar no jogo sucessório, Paulo
Renato Souza tem a apresentar a revolução que promoveu na
educação brasileira. Elevou índices de permanência
na escola, baixou taxas de analfabetismo, criou bons programas de incentivo
educacional, como o Bolsa-Escola. Por tudo isso, continua animado a entrar
na disputa e diz ter um trunfo na manga: "Recebi o incentivo do presidente
Fernando Henrique Cardoso". De agora em diante, terá de remar em
corrente forte para associar sua imagem de ministro com a de político
em vôo ambicioso. Da mesma forma que os outros dois tucanos candidatos,
José Serra e Tasso Jereissati, Paulo Renato tem um índice
baixo de reconhecimento entre os eleitores brasileiros. As pessoas sabem
identificar com mais facilidade os políticos de oposição,
como Lula, Ciro Gomes e Itamar Franco, que estão há mais
tempo expostos na mídia como virtuais candidatos a presidente.
No caso de Lula, a exposição já dura mais de uma
década.
De qualquer modo, a greve continua exigindo a atenção de
Paulo Renato. Na semana passada, foi anulado o vestibular da UFRJ, a maior
universidade federal do Brasil. Pelo menos dez das principais universidades
federais de todo o país já haviam decidido adiar suas provas,
por causa da greve. A reitoria da UFRJ, porém, insistiu em realizá-las.
Após uma batalha de liminares na Justiça, o reitor José
Henrique Vilhena conseguiu manter a data programada. A vitória
do reitor desagradou a um grupo de alunos e professores que decidiu ganhar
na marra o que havia perdido nos tribunais. No dia do vestibular, manifestantes
apedrejaram o campus da UFRJ. Em outro local de prova, quinze estudantes
invadiram salas de aula e rasgaram os cartões de respostas que
seriam usados pelos candidatos. Na quinta-feira, diante da confusão
causada pelos manifestantes, o Conselho de Ensino de Graduação
da UFRJ anulou o vestibular. Dificilmente as novas provas serão
aplicadas ainda neste ano.
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