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As
virtudes da intromissão
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| Capas
de VEJA com denúncias contra homens públicos: dever e risco |
A
imprensa peca mais pela omissão que pela intromissão. Essa
máxima muitas vezes é esquecida em meio à investigação,
às vezes obsessiva, que as revistas e os jornais brasileiros fazem
da vida de políticos e autoridades, tendência que se acentuou
muito nos últimos anos. Os órgãos de imprensa correm
nesses casos o risco de parecer persecutórios ou de estar patrocinando
campanhas gratuitas, movidas por interesses inconfessáveis, contra
determinadas figuras públicas. VEJA marcou sua presença
na vida brasileira justamente pela convicção de que esse
é um risco que vale a pena correr. É dever da imprensa investigar
e divulgar os fatos que cercam a ascensão dos políticos.
Mesmo que, às vezes, eles estejam enterrados em pontos remotos
de suas biografias. Quando esses fatos passados servem para iluminar a
personalidade atual do político ou para desnudar as entranhas da
atividade pública, eles precisam ser expostos à sociedade.
VEJA desta semana traz duas reportagens que, embora essencialmente diferentes,
têm em comum o fato de revisitar o passado de duas figuras em evidência
na vida política brasileira, Roseana
Sarney,
governadora do Maranhão, e Leonel
Brizola,
presidente do PDT e ex-governador do Rio de Janeiro. A intromissão
no passado político de ambos produziu duas reportagens relevantes.
Os leitores podem esperar daqui até as eleições presidenciais
do próximo ano um aumento na freqüência desse tipo de
trabalho jornalístico. Candidatos, potenciais candidatos e potentados
de partidos estarão sob a vigilância aguda da imprensa brasileira.
Seu passado estará em exame tanto quanto o desempenho administrativo
ou eleitoral recente. Isso é do jogo. É saudável.
Ainda hoje a imprensa se penitencia por ter sido pouco vigilante na investigação
das credenciais do candidato Fernando Collor de Mello, eleito presidente
da República em 1989. Deu no que deu. Num processo popular e político,
alimentado em boa parte pela investigação jornalística,
Collor seria destituído três anos mais tarde, acusado de
chefiar uma estrutura de corrupção sem paralelo na história
brasileira. A intromissão em sua vida pregressa talvez tivesse
poupado o país de anos de paralisia e estupor.
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