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Edição 1 725 - 7 de novembro de 2001
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As virtudes da intromissão

Capas de VEJA com denúncias contra homens públicos: dever e risco

A imprensa peca mais pela omissão que pela intromissão. Essa máxima muitas vezes é esquecida em meio à investigação, às vezes obsessiva, que as revistas e os jornais brasileiros fazem da vida de políticos e autoridades, tendência que se acentuou muito nos últimos anos. Os órgãos de imprensa correm nesses casos o risco de parecer persecutórios ou de estar patrocinando campanhas gratuitas, movidas por interesses inconfessáveis, contra determinadas figuras públicas. VEJA marcou sua presença na vida brasileira justamente pela convicção de que esse é um risco que vale a pena correr. É dever da imprensa investigar e divulgar os fatos que cercam a ascensão dos políticos. Mesmo que, às vezes, eles estejam enterrados em pontos remotos de suas biografias. Quando esses fatos passados servem para iluminar a personalidade atual do político ou para desnudar as entranhas da atividade pública, eles precisam ser expostos à sociedade.

VEJA desta semana traz duas reportagens que, embora essencialmente diferentes, têm em comum o fato de revisitar o passado de duas figuras em evidência na vida política brasileira, Roseana Sarney, governadora do Maranhão, e Leonel Brizola, presidente do PDT e ex-governador do Rio de Janeiro. A intromissão no passado político de ambos produziu duas reportagens relevantes. Os leitores podem esperar daqui até as eleições presidenciais do próximo ano um aumento na freqüência desse tipo de trabalho jornalístico. Candidatos, potenciais candidatos e potentados de partidos estarão sob a vigilância aguda da imprensa brasileira. Seu passado estará em exame tanto quanto o desempenho administrativo ou eleitoral recente. Isso é do jogo. É saudável. Ainda hoje a imprensa se penitencia por ter sido pouco vigilante na investigação das credenciais do candidato Fernando Collor de Mello, eleito presidente da República em 1989. Deu no que deu. Num processo popular e político, alimentado em boa parte pela investigação jornalística, Collor seria destituído três anos mais tarde, acusado de chefiar uma estrutura de corrupção sem paralelo na história brasileira. A intromissão em sua vida pregressa talvez tivesse poupado o país de anos de paralisia e estupor.

 
 
   
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